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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

CRÔNICA: ESSA VIDA

As mudanças acontecem. E aí,  você pode escolher sentir e ressentir ou apenas ir em frente, sem pensar muito no assunto.

O problema é que você quer pensar. Você quer pegar tudo e remoer até ficar sem forças e não aguentar mais nada, apenas deitar e dormir. 

Você quer mudar o que não pode ser mudado, mas não adianta ser apenas a sua vontade. Por mais que você queira acordar do pesadelo e continuar sua vidinha de sempre, o tempo logo mostra que depois daquela curva as coisas estão bem diferentes. 

E quando foi que essa mudança começou? Você quer saber,  você reflete, puxa na memória, mas o momento exato da virada de chave não vem. Ela já virou, trancou a porta e o melhor a fazer é ir. 

Tem certas coisas na vida que precisam ir. A gente não entende, mas é necessário. A gente não entende e pode nunca entender. A gente pode nunca entender e nunca concordar. Mas a gente vai continuar porque ninguém sabe o dia o fim. Enquanto ele não chega, não tem jeito, a gente vive. 

E de que jeito é melhor viver? Raciocinar a respeito é bobagem. Pura perda de tempo. 

Os segundos que se passam, os minutos, as horas não voltam. Jamais.

O que você ganha idealizando como deveria ser isto ou aquilo? Você não ganha nada, você perde. Perde o seu tempo se apegando ao que não deve.

A vida é uma sucessão de acontecimentos e você não tem que entender nem reagir idealmente a todos eles. Você vai apenas viver. 

Viver é sair da inércia, é fazer algo do seu dia, do seu momento. 

E você pode errar, você pode fazer coisas terríveis. 

Você tem que entender que faz parte da vida. 

É ruim? É. Mas não há como fugir disso. 

Enquanto estivermos vivos, vamos passar por um monte de coisas e teremos, muita vezes, sentimentos maravilhosos e outros dolorodos. 

A vida é assim. É desse jeito para você,  para eles e para mim. 

Um abraço e fique bem.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

DEZ ANOS NA AMAZON

Esperando o sono no sofá, com a TV ligada e o celular em mãos, meu cérebro teve uma imensa vontade de, de repente, saber qual foi meu ebook mais lido durante todo esse tempo de publicação na Amazon e quantas páginas foram lidas nesse período, somando todos os títulos.

Eu que já estava capengando, tive um súbito estímulo mental. Acessei o KDP (Kinddle Direct Publishing), fui na área do fornecimento dos relatórios e configurei como "tempo vitalício", então me dei conta de os primeiros relatórios são de 20 de Junho de 2016. Já se passaram dez anos!

Como assim, 10 anos de Amazon e eu não enriqueci, não ganhei cadeira na ABL, categoria hot brasileiro, não fui entrevistado pelo Pedro Bial?! 

Nem a Tatiana Feltrin, a booktuber gigante no YouTube, sabe da minha existência! Como pode?

Só por causa disso, vou espairecer um pouco em uma caminhada, jogar o cabelo que nem usa shampoo ao vento empoeirado de Ribeirão e ficar horas fornecendo gratuitamente a minha presença pelas ruas, até desmontar de cansaço no shopping que me considera tão anônimo e insignificante quanto todo o resto desse mundo digital e literário. 

O melhor é na volta, sabe? Já está de noite, então eu volto é de Mercedes! 

O motorista para bem na minha frente, ele mesmo abre a porta e eu entro. Eu, bem! A bicha fina cada vez mais roliça com dois quilos de poeira e um pouco de suor seco na pele. 

Eu falo "boa noite", olhando bem para o sorriso dúbio que ele me dá, então me acomodo do jeito que eu quero, pois naquele horário nem tem tantos passageiros no ônibus. Tá bom pra você?

Deixando a zoeira de lado, compartilho os números de páginas lidas nestes dez anos de Amazon.

203.769 até ontem, antes de dormir.

43 ebooks. Vários estão arquivados. Entre eles: Política Apocalíptica, Inverno Poético, Rita & Orestes - Amor na Terceira Idade, a primeia versão de As Cobras Não Amam.

TOP 7 - os sete ebookss mais lidos. Páginas lidas. 

Quarentena Ardente - 42.536

O Caseiro Na Minha Sauna - 31.365

O Deleite Da Madrugada 2 - 23.368

O Deleite DA Madrugada - 19.863

Ex-Padrasto - 18.168

Ex-Padrasto, Parte III - 14.680

Ex-Padrasto, Parte II - 10.818

Caso queira conhecer meus ebooks, tem um link direto para o meu perfil na Amazon clicando aqui
Um abraço, tudo de bom!

segunda-feira, 20 de julho de 2026

FICOU NA LEMBRANÇA


Um dia, vi um homem que me chamou a atenção por ter uma barba cheia, escura, da cor dos seus cabelos um tanto bagunçados, precisando de corte. Os braços eram delineados e o corpo magro sugeria certa força por baixo daquela roupa suja após o dia todo de trabalho.

Esse homem chegava de bicicleta, abrindo o portão da casa ao lado. Antes de entrar totalmente, olhou na minha direção. Uma expressão de poucos amigos. Parecia zangado. O olhar era intenso. Nunca esqueci. Eu, um menino de poucos anos, sentado na calçada de casa, segurando um toco de gesso ao lado de uma boneca de pano, nada fiz.

Cerca de dez anos depois, eu ainda me lembrava daquele dia, do momento em que ele chegou, abriu o pequeno portão de sua casa e me olhou um segundo antes de entrar. Só que agora eu poderia ir até ele e puxar assunto. Talvez ficássemos amigos, embora eu quisesse mais. Eu queria era saber se, na sua intimidade, havia um certo órgão masculino. Conferiria seu formato, sua textura, seu cheiro. Se pudesse, gostaria de saboreá-lo. Que gosto teria um barbudo suado do trabalho como ele? Como era o gosto dele?

Sabia que esse encontro jamais aconteceria. Agora que eu tinha idade, eu queria. Por isso, o busquei em tantos outros homens. Nunca o encontrei.

Hoje, sinto o peso da idade. Não o da velhice, que ainda me trará outra perspectiva da vida. É o da maturidade, da vivência, de ter me tornado um catálogo de cores personalizadas de acordo com cada experiência.

Não me lembro muito do que se passou ao longo da minha existência. Das relações amorosas, eu carrego o que me é conveniente.

Quase cinquenta anos depois, com meus cabelos brancos, fingindo que não noto os vincos chegando aos poucos no meu pescoço, eu não consigo esquecer. A memória é cristalina: aquele homem barbudo chegando de bicicleta, entrando após um dia de trabalho e me olhando por um segundo. Cara de zangado. O que ele faria a mim, se pudesse, naquele momento? Não tenho coragem de confessar o que tenho imaginado. Só sei que teria gostado.

sábado, 11 de julho de 2026

AMIGO, PERO NO MUCHO

Minhas redes sociais são basicamente para conhecidos, familiares ou não, que achariam estranho se eu não tivesse um perfil. Como eu ficaria sabendo do aniversário de um ou do passamento de outro? 

Pois é. Pela rede social, eu escolhi não ir a comemorações e escolhi comparecer a velórios.

Ninguém me enche a paciência em um velório. É super agradável. Eu fico até entusiasmado, empolgado. Já aconteceu de sentir vontade de rir. Alguma vezes, eu disfarcei. Em uma ou outra, acho que perceberam alguma coisa. 

Festas são chatas. A última vez em que fui, tive que ficar conversando com uma pessoa remanescente da era jurássica e que não estava nem um pouco a fim de se enturmar. Se alguém a procurasse, ótimo. Até rolava um bate-papo. Mas ninguém se aproximava. Então, por eeducação, terminei o rolê falando o clássico "vai lá em casa uma hora". 

Eu e minha boca.

Não passou nem uma semana, olha o cidadão aparecendo para uma visita totalmente surpresa na minha casa. 

Não atendi. 

Pedi perdão a Deus e me comprometi a nunca mais dizer essas coisas. A gente quer ser cordial e acaba desencadeando esse tipo de situação.
 
Quando alguém te fala "vai lá em casa", é só um meio bonito de dizer "estou indo embora". Não é para você visitar o ser.

Uma vez, há certo tempo, rolava uma conversa entre um povo conhecido, então alguém se convidou e eu logo falei: "Não recebo ninguém na minha casa. Sei lá. Eu não gosto". Soou grosseiro, estúpido, mas também libertador. Devem ter falado muito mal de mim pelas costas, mas não me arrancou pedaço.

Não sou tão recluso quanto gostaria. Algumas pessoas realmente vêm me ver às vezes, mas é gente bem próxima, de um convívio presencial natural. 

Nem sempre eu fui assim. 

Eu gostava de receber amigos, toda pessoa que viesse gastar um pouco de seu tempo comigo. Eu era do tipo que sempre tinha alguma coisinha para comer. Achava falta de educação não oferecer nada. 

O tempo passou e muita coisa aconteceu. As pessoas não vêm mais aonde você mora porque querem conversar. Para isso existe a Internet, o WhatsApp, as redes sociais. Elas vêm na sua casa porque estão ociosas, desocupadas e querem saber como você está vivendo, sob quais condições, em que lugar etc.
Nos dias de hoje, quem precisa realmente falar com você vai te mandar mensagens. Quem está ferrado vai dar um jeito de ir até você. Corre!

domingo, 28 de junho de 2026

DOMINGO NO ESCURO

Droga! A luz acabou justo quando eu estava olhando a influencer explicar o ponto do leite talhado para fazer um bom queijo caseiro. Achei que logo voltaria. Faz meia hora que a escuridão está me abraçando. E ela aumenta de intensidade, cada vez mais, pois é finalzinho de tarde, a noite está chegando.

Estou com comida no fogão. 

E o que isso tem a ver? O fogão é a gás. 

O fogão é a gás, mas preciso de luz para verificar o ponto dos alimentos.

Apanho o celular, procuro contatos em outros lugares da cidade. O primeiro é um senhor acadêmico 'funça'. Muito inteligente, blogueiro e dono de canal no Youtube, mora num bairro de gente metida, bem longe daqui. O que eu quero? Saber se tem luz lá.

Passa um tempo, ele não responde. Comendo a mulher? Não creio. Ele adora uma boa cerva. Deve ter desmaiado. Deve estar babando espuma da última loirinha que consumiu. 

Procuro outro contato, um escritor como eu, focado em universos fantásticos, lutas e jogos de poder. Mesmo se exercitando ao ar livre (vaidoso que só), a resposta veio logo. Lá, tudo ok. Mandou até um vídeo de um povo reunido na rua preparada para um evento. 

Festa junina? Provavelmente. 

Por que meu corpo reage mal a essas aglomerações? Antigamente não era assim. 

Fiquei olhando aquilo. Melhor esta escuridão do que a luz daquele monte de gente.

Passou um tempo e chegou a resposta do senhor acadêmico. Lá também estava ok. Então tá. O foco é apenas nestas ruas. 

Olhando pelo lado bom, uma questão pouco abrangente pode ser mais fácil de ser resolvida. Ou não. Quem sabe, por ser considerado algo menor, acabam procastinando. Procuro não pensar sobre isso. 

Acabo me distraindo no celular. Quando me levanto para ver o estado da carne no forno, decidido a usar a lanterna do meu dispositivo, a luz rertorna. Veio fraca, um fio, depois se estabilizou.

Meia hora sem luz. O que aconteceu? Não se sabe. 

É domingo. Não tem jornal na TV para informar. 

Hoje em dia, as 'infos' pipocam na Internet. Sigo perfis de alguns portais de notícias. Alguns são locais. Então vou dar um olhada e não vejo nada.

Preguiça... 

Não vou não, ficar garimpando em busca do que deveria ser fácil de encontrar. Talvez a noticia venha daqui a pouco. Costuma ser assim. Ou talvez nem venha, ninguém está nem aí. Sabe por quê? 

Por que o que importa de verdade é o jogo do Brasil amanhã. [irônico]

sexta-feira, 26 de junho de 2026

AUTORRESPEITO [DESABAFO]

Hoje eu quero desabafar sobre uma coisa. Tentarei ser cuidadoso. É uma questão de respeito. 

Criar conteúdo na internet não é mais uma atividade qualquer para mim, mas, sim, um exercício constante da minha própria energia. Após tantos anos, finalmente venho conquistando um ínfimo de espaço e as pessoas talvez não se dão conta de que faço isso através de muito investimento no meu tempo, estudos e, sobretudo, tentativas e erros. Por isso venho me sentindo em uma posição delicada quando percebo pessoas que também possuem um talento inegável se aproximarem com o objetivo de estabelecer uma conexão.

Eu entendo a luta, pois sei como é árdua a batalha, mas, ultimamente, tenho sentido um desconforto quando essas interações que deveriam ser genuínas se revelam estratégicas em busca de um favor.

Não é sobre egoísmo ou falta de vontade de colaborar, é sobre a preservação do quanto me  consome e me exige qualquer coisa que eu faço. 

Quando alguém me faz sentir querido e até especial e depois eu descubro que tudo não passa de estratégias em busca de divulgação para si mesmo ou para terceiros, tudo muda, pois deixa de ser um diálogo entre pares, entre dois criadores que compartilham suas vivências e passa a ser uma transação, um negócio. A sensação é de que, por trás do “oi” e do elogio a mim, existe um cálculo sobre o alcance que eu posso proporcionar e isso é muito ruim.

O que eu procuro, ao me conectar com outros criadores, é troca intelectual, sentimental e daí, quem sabe, talvez surjam parcerias orgânicas que façam sentido. Mas quando vejo a estratégia por trás da amizade, uma espécie de pedido de ajuda como cartão de visitas, o valor que dou para aquela pessoa se perde. 

Não quero papinhos de amizade, nem consumo do meu conteúdo para depois eu ter que servir como trampolim. 

Minha régua para novos contatos se tornou bastante pragmática. Por isso, quando percebo esse padrão, escolho me afastar. Não por grosseria, mas por autopreservação. 

Bloquear o contato ou encerrar a conversa é, para mim, a forma mais clara de dizer: “eu respeito o seu talento, mas não quero que nossa relação seja pautada pelo que posso te oferecer”

Eu prefiro a solidão da minha mesa, dos meus dias, a ter contato com pessoas que me veem como ponte ou como alguém que deve corresponder às suas expectativas. 

Busco, acima de tudo, conexões que cresçam a partir de interesses comuns e afinidade, não da conveniência de um clique ou de um compartilhamento. É uma postura rígida, eu sei, mas é a única que mantém o meu processo criativo e a minha saúde mental em paz.

Espero que a pessoa a quem me refiro tenha entendido. Os demais perceberão, com o passar do tempo, de quem se trata. Acho indelicado e desnecessário expor identidades. 

Um abraço a todos os que leram minhas considerações. 

Obrigado pelo tempo de vocês aqui. De coração.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

A BASE DO CAPITALISMO É A EXPLORAÇÃO DO POBRE


Lendo este livro, quero deixar documentado algumas coisas.

Achei que veria um texto bastante direto sobre socialismo, em ressonância com nosso sistema de governo atual ou, pelo menos, algo parecido.

Para minha surpresa, o que comecei a ler envolve questões existenciais do homem como espécie, procurando entender o princípio de nosso raciocínio. Estou  falando de uma vontade focada em descobrir de onde se originaram as primeiras ideias, os primeiros pensamentos do ser humano. 

Achei curioso e chato esse quê existencial e filosófico. 

O texto não tem uma pegada envolvente. É bom falar isso, porque vejo que me acostumei mal com narrações que fisgam a gente. Dar de cara com um texto sóbrio, duro e de estrutura datada (embora o português brasileiro seja o nosso atual) me fez questionar se estava obtendo o entendimento correto. E até agora não sei se o que entendi é isso mesmo, mas OK, vamos em frente. 

A narração fala da decadência do regime feudal na Europa, focando mais na Alemanha, Inglaterra e França, mas não só nesses países. E esse poder, digamos, enfraquecido acabou criando e fortalecendo uma nova classe, a dos burgueses, pois a divisão anterior era assim: 

- senhores proprietários de terras, com seus títulos de nobreza
- o pobre que não fazia outra coisa não ser trabalhar e vivia muito mal

Vale lembrar uma coisa, com o avanço do dinheiro, veio a ilusão de que trabalhar mais geraria mais aquisição de moedas. Mais moedas geraria mais aquisições de bens e isso identificaria a prosperidade de um lar. Antes, o sistema era basicamente mão-de-obra braçal em troca de coisas (comida, roupas, calçados, etc.).

Alguns favorecidos em dinheiro que também obtinham as graças da aristocracia (que tinha arrepios cada vez que sonhava em ter seu patamar de vida caindo), conseguiram se tornar indústrias de alguma coisa, organizando os pobres para trabalharem para eles na produção. Então criou-se o trabalho contratado como vemos hoje. É claro que naquela época as coisas eram diferentes, o livro não esclarece exatamente o passo a passo de como chegamos à CLT atual. Ele apenas me fez ter uma vaga noção desse início.

Esses industriais foram crescendo inicialmente com o apoio dos senhores poderosos que viram nessa nova classe uma massa aliada contra a Igreja cada vez mais poderosa e influente, adquirindo credibilidade em seus domínios, querendo ser ela o poder supremo de tudo. E quando falo em Igreja, eu me refiro à católica apostólica romana.

Eu me lembrei de um amigo que me falou uma coisa interessante: Não existe vácuo de poder. Se abre uma lacuna, ela logo é preenchida com outro tipo de poder. 

A Igreja começou a representar uma ameaça aos poderosos, vez que ela possuía cada vez maior influência entre a massa operária e vinha mantendo relações importantes com fins de aumentar sua riqueza. 

Os poderosos viram na classe desses industriais o freio que tanto precisavam para acabar com aquele tipo de poder religioso. Parecia o casamento perfeito, pois o povo seria controlado pelos industriais que, por sua vez, ajudariam a nobreza a se manter no poder. 

Só que o homem nunca fica satisfeito, ele sempre quer mais. A Igreja quis o poder dos aristocratas, a burguesia ajudou a detê-la, mas não por uma causa nobre senão a única ambição de também obter esse mesmo poder, só que, ao contrário dos religiosos, houve um consenso natural de que era mais negócio um alimentar o outro, assim ambos desfrutariam da mão de obra operária e sua produtividade.

Se entendi certo, essas indústrias são o que chamamos hoje de burguesia. Por isso a letra do Cazuza me veio à mente, a burguesia fede, pois a burguesia veio da classe operária, não da nobreza. O sonho da burguesia é essa nobreza, mas o livro me fez entender a possibilidade remota desse alpinismo social, por mais que alguns burgueses elevem seu patamar.  

Voltando um pouco no tempo, antes do capitalismo dar tanto poder aos industriais, focando de novo sobre a Igreja...

Do que entendi (e resumindo bem a questão), sempre houve um grande respeito à doutrina, tanto que os senhores do poder, na época, começaram a dar espaço demais para a Igreja. Deram tanta confiança que a Igreja se tornou o próprio feudalismo e esses nobres se viram no risco de perderem seus bens e seu poder. 

A Igreja, antes vista com bons olhos, começou a se parecer com um grande polvo cheio de tentáculos querendo pegar todo mundo. Quando ela se voltava focando nos pobres -- que desde aquela época eram serviçais para manter o sustento e o patamar de vida dos ricos -- tudo ia bem. A partir do momento em que ela começou a olhar com mais ênfase para o que os poderosos tinham de valioso, começou a incomodar.

A Igreja agia com soberania. Era preciso conter essa ação. Então eis que surge Martinho Lutero. 

Sempre achei que Lutero se rebelasse contra a doutrina por uma questão de fé, mas o livro me fez ver a coisa toda por um novo prisma. Precisamo lembrar que a Igreja não era tão fofinha como vemos hoje em dia. Havia algo de autoritário nela, até de perverso. O povo acreditava em fogo do inferno, garfinho do diabo, então eram outros tempos.

Agora me pergunto se Lutero foi um grande oportunista ou apenas um fantoche dos feudais? Talvez, um poucos de ambos.

Mais uma vez, a aristocracia deu confiança a quem não deveria. Dando asas aos burgueses, começou a se ver nas mãos deles, pois os burgueses sabiam como manejar o gado a contento dos aristocratas. Um povo feliz na sua miséria é um povo que continua a trabalhar, achando-se importante. 

Isso era bom para os burgueses, pois tinham sua produção e o lucro delas. E era ótimo para os aristocratas que maninham seu oneroso e respeitável padrão de vida. Então, a burguesia passou a ser necessária para a aristocracia. Até hoje, eu penso, é um misto de amor e ódio, pois um precisa do outro. A meta é, um dia, a burguesia conseguir garantir sua subsistência sem precisar da aristocracia, ou então se tornar a própria. Vejam Elon Musk, por exemplo. 

Há um ponto onde os operários pedem mais. Começam as reivindicações por direitos, as coisas mudam e tudo se complica. Os operários, antes, tão explorados e conformados, com o passar do tempo, passaram a questionar e exigir. Falou-se da França e da Alemanha. Não lembro as datas, não guardo exatamente tudo que leio, mas entendo mais do que consigo me expressar.

Eu não terminei a leitura. Confesso que li metade do livro e, do ponto em que parei, a narração mostra como sendo utópica essa coisa que muitos pensam de acabar com a miséria, o pobre deixar de ser pobre e todos viverem em um alto patamar de vida. A probabilidade de uma desigualdade social ocorrer a nível mundial, na verdade, tende a jogar todos os níveis de consumo para baixo, em vez de elevá-los. 

Parei de ler porque o livro me fez sentir como um cocô. O entendimento que tive é o de que a massa operária é utilizada apenas como aquele excremento que serve como adubo para o agro. E se você, pobre, não vem servindo nem para isso, sua existência está atrapalhando todo o sistema, inclusive o de pessoas relacionadas a você. 

Traduzindo nos dias de hoje, pessoas sustentadas pelo governo, que nada produzem de substancial ao sistema, não deveriam existir. 

Entenderam porque resolvi não continuar? Pode ser que meu entendimento esteja errado, às vezes acho que tenho o intelecto comprometido, pois não é possível que o mundo seja da forma como venho entendendo. Mas aí está o que entendi de metade do livro.

Talvez eu leia em doses homeopáticas algumas páginas a mais. Quem sabe? Mas, a questão é existencial. Não sei se quero esses espelhos me mostrando as coisas que não desejo ver. Talvez não valha a pena.

Meu olhar para as últimas eleições, depois de ler o que li, é que tanto faz quem ganhar agora, ou em 2030, pois eu deveria estar morto, sou um peso no sistema e político nenhum quer outra coisa a não ser manter o capitalismo cada vez mais selvagem, pois o mundo não se sustenta por outros meios se não explorando cada vez mais o pobre.

A versão dessa exploração na era digital está aí, para todo mundo ver. Redes sociais abarrotadas de conteúdos produzidos por todo mundo, mas só 1% ganha alguma coisa. E dentro desse 1%, alguns poucos é que realmente vivem da Internet. Os outros ganham merrecas e a grande massa que abastece todas as plataformas nunca ganhou sequer um centavo, mas as plataformas nutrem em todos a sensação de importância, relevância sobre o que fazem, elas nutrem o sonho do orgulho em realizar, adquirir por méritos alguma coisa. Como falei bem antes, segundo entendi no livro, a burguesia faz o pobre se sentir importante para gostar de ser explorado.

As coisas não estão diferentes, apenas possuem outra roupagem. A exploração nunca deixou de existir e nunca deixará. O dia em que isso acontecer, o mundo colapsará. 

quarta-feira, 27 de maio de 2026

SAUDADES

Saudades.

Pode ser de coisas boas. Pode ser de coisas ruins. As saudades são sempre sobre algo que já se foi, não pertencem mais ao nosso tempo. Se elas ainda estivessem, seriam presentes. 

E nem todos os presentes são bons, não é mesmo? É...

Saudades de um tempo em que era fácil pensar no futuro. Eu era jovem, olhava para a vida como se ela fosse uma estrada grande a ser percorrida. E eu estava ali, tão longe de onde alcançava a minha vista. Dava até preguiça. Era confortável. Eu tinha muito tempo. 

Esse é o olhar que eu tenho hoje, lembrando um passado que nunca existiu.

É. Porque, quando eu era jovem e tinha todo esse percurso pela frente, eu já vivia questões internas conflituosas, seja por cobranças ou pela não aceitação de certas coisas. Então a realidade do meu passado nunca me ofereceu uma estrada longeva e uma atmosfera pacífica, esperando a minha vontade em transitar por ela. 

Se eu tivesse que vislumbrar a estrada real diante de mim naqueles tempos, diria que foi um lugar estranho, onde me senti pouco à vontade, angustiado, receoso. Me botavam em uma estrada indesejada, repleta de percevejos, borrachudos, aranhas peçonhentas, ratos e serpentes. Eu não queria ficar ali, mas era ali que me mandavam ficar.

A estrada que escolhi era ruim. Assim me diziam. Uma estrada limpa, clara, plana, com vista para um campinho e um lago com gansos e patos, galinha e marrecos, cães e gatos. 

Essa estrada era uma ilusão. Tudo fruto da minha imaginação. A estrada de verdade era aquela, a trevosa, a sinistra, a que me fazia ver gente brigando, se estapeando, desejos quebrados, enterrados. Mortos, não pelo impacto, mas pela dor. A dor da inanição. A dor da desolação que ninguém vê. E quando vê, não se importa.

Aquela era a estrada. A outra, não era nada.

Então, hoje, para mim, é fácil ter saudades do que já se foi. Porque seleciono as saudades de um tempo que nunca existiu, não daquele que passou.


Eu me inspirei subitamente após ler o post do Luciano Otaciano 

Muito obrigado, Luciano, pela inspiração. As palavras vieram da minha alma.

domingo, 24 de maio de 2026

PAPO DE ESCRITOR, SOBRE MEUS EBOOKS ATUALMENTE

Na Amazon, existe uma diferença entre os ebooks que as pessoas pegam e os que elas leem.

Sou autor de mais de vinte ebooks lá, e percebo ser comum alguém baixar, por exemplo, Contos de Bebê Reborn e não ler. Assim como é normal ver nos relartórios um mundo de páginas lidas de Ex-Padrasto

Mas, se ninguém pegou esse ebook, como pode haver tantas páginas lidas?

As pessoas pegaram em uma determinada ocasião e deixaram o coitado na fila. Então, em um belo dia, elas leram. 

Um fator que colabora com esse tipo situação é a promoção do ebook gratuito. A única ferramenta decente que a Amazon nos fornece para pescarmos alguns leitores. Lembro que uma vez baixaram quase duzentos ebooks meus, agora não me lembro o título, era um dos contos eróticos. Do número impressionante de aquisições em 24 horas, apenas 1% das pessoas leram logo. Os outros 99% vieram picadinhos, pedacinhos pe-que-ni-ni-nhos, em épocas diferentes.

Eu já tinha me acostumado a ver os relatórios e ter sempre um número de páginas lidas nos títulos: O Caseiro Na Minha Sauna, Quarentena Ardente, O Deleite da Madrugada 1 e 2.

Então resolvi melhorar minha escrita e proporcionar maior qualidade nas histórias. Escrevi coisas onde o foco não era só foda, tesão e libido. Alguns desses títulos, eu confesso, achei que me projetariam de maneira mais digna e interessante nesse meio, mas a verdade é que estão mofando. Em comparação aos títulos eróticos, é como se nem existissem.

Arrependido? Não. Eu, hoje, escrevo melhor que ontem. Isso é notório e custa um tempo bem maior do que pensei. O que eu sinto é o mesmo que muito autores de ebooks que também não são lidos. Sou mais um na multidão. Meus livros são invisíveis, não despertam interesse e não há muito o que fazer. Mesmo quando coloco grátis, ninguém pega. 

Hoje, vi o relatório exibindo mais páginas lidas de Ex-Padrasto e Aquela Manhã Especial. Este último, um conto nenhum pouco criativo, só para haver uma continuidade de título, já que também existe o Aquela Noite Especial. Nada constou sobre O Caminhante da Madrugada, nem sobre Contos de Bebê Reborn, A Tempestade Lá Dentro, Viúvo No Carnaval

Ah, mais eu vi que alguém se interessou pelo Calcinha Preta de Renda. Alguém o pegou. Quando será que vai ler? 

As pessoas não querem saber em mergulhar nas camadas do comportamento de um ser humano. Refletir sobre a condição existencial de alguém, em como isso bate em si mesmas. 

Elas preferem o oba-oba do carnal, ainda que mal-feito.

Não faz muito tempo, vi um movimento de youtubers falando horrores sobre os livros eróticos. Um dos fatores que favoreceu o deboche eram as capas. Lembrei que O Deleite da Madrugada mostrava dois homens de cueca se pegando. Caí na burrada de trocar as capas por outras que considerei mais elegantes. Desde então, ninguém nunca mais pegou esse título. Quem pegou não teve vontade de ler. Ele simplesmente não aparece mais nos relatórios. 

Para você ver como a capa é importante. Ex-Padrasto não tem nada de ato íntimo consumado, mas muita gente pega o primeiro ebook por causa do tiozão quase mostrando o bilau na capa. A sensação é que ele vai pular da tela e se esfregar na sua cara. Sim, é vulgar, é isto, é aquilo, mas, se não fosse essa capa, as pessoas não pegariam e não leriam.

Bom, é isso. A intenção não é me queixar de nada, apenas conversar um pouco sobre como é esse cenário. Muita gente cagando regras nos youtubes da vida, mas só você -- somente você que escreve -- sabe o que deve fazer em relação à sua trajetória. Não adianta eu vir aqui e dizer coisas que podem ajudar. De repente, o que funciona para mim não funcionará jamais para você.

Um abraço, até o próximo post.


quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

ARQUIVO CONFIDENCIAL

Algumas pessoas insistem em não me entender e querem que eu continue me envolvendo em política, mesmo que indiretamente. Não adianta eu explicar que não sou militante petista, pois o simples fato de não me simpatizar e dizer para que não votem em bolsonaristas já faz com que, automaticamente, me considerem militante petista. Existem muitas nuances em torno de uma vida, mas ninguém reflete sobre a pluralidade existencial de ninguém. Simplesmente, é mais fácil e cômodo atribuir-me como petista.

Isso me incomoda muito. Até mais do que um gesto homofóbico, pois eu sou apenas um sobrevivente. Eu dependo da minha mãe, dependo de meu companheiro. Uma está gravemente doente, o outro vive com sérias limitações. Apoiar viés bolsonarisrta é como apontar uma arma para minha cabeça, pois eu sou o ser que esse povo quer erradicar, não por ser gay, isso nunca me preocupou entre bolsonaristas. Muitos deles não têm nenhum problema em relação a isso COMIGO. Muito pelo contrário, eu consigo fazer com que sejam mais chegados que os ditos adoráveis de esquerda. Eu não sei por que, mas consigo. A questão é social. Eu sou a barata a ser exterminada na casa do assitencialismo social. 

Eu pago meu INSS, mesmo sem trabalhar. E pago à toa, pois estou com quase oito anos de contribuição e isso não me garantirá aposentar, isso não me garantirá nada. Por que continuo pagando? Porque nunca se sabe em que isso pode me facilitar. Esse país é uma bagunça! Vai que, num futuro próximo, isso realmente me facilita? Eu acreditei, lá atrás, que o país estava quebrado. Acreditando nisso, mesmo trabalhando como autônomo uns vinte anos, nunca paguei INSS. O tempo passou, uma pandemia quase dizimou todo mundo, e hoje as pessoas continuam se aposentando e muitos se aposentarão -- menos eu. Eu vou continuar tomando no cu, porque é o que eu ganho por ter ido na onda desse discurso caótico esses anos todos.

Sou um sobrevivente. Não culpo ninguém. Vivo com o resultado de minhas escolhas. Mas me machuca muito a falta de compreensão nesse viés político. Eu sou um sobrevivente, mas todo mundo prefere me ver como um petista, um esquerdista, e eu que me foda se não gosto que me vejam assim. Pois é, eu que me foda nesta vida. Mais uma vez, eu que me foda.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

A GRANDE DOR DE UM AMIGO

Hoje, fiquei sabendo do próprio Jotabê sobre o passamento de sua esposa. Uma maneira, digamos, diferente de começar o dia. 

Fiquei meditativo. Com poucas palavras. Mas, no café da manhã, eu sou ogro assim mesmo, então meu companheiro nem percebeu. 

Fiquei pensando na importância que ele me deu. Conheço o amigo há alguns anos (sim, passa rápido o tempo), só pela Internet. Por isso me dei conta de que, saber do jeito que eu soube, me mostrou que ele teve por mim uma grande consideração. 

Foi o passamento da parte mais importante da sua vida. Ele certamente compartilhou isso aos seus prediletos, com muita dor, da maneira como imagino que lhe foi possível, pois não é fácil. Eu ficaria sabendo depois, quando ele postasse no seu blog. Mas, entre tanta gente mais importante, ele avisou a mim, um Zé Ninguém.

Essas coisas de Internet são assim. O semblante da gente não mostra, mas a cabeça, a mente é invadida por sensações. É como um mundo invisível. Mas o sentimento é real. E dói no peito. 

Eu queria, quando soube, arrumar um jeito de fazê-lo de sentir melhor, mas... como?! Nada, absolutamente nada é capaz de apaziguar essa dor. E nem deve. É o trâmite necessário para selar a história de uma vida junto a outra. É como mostrar quão impotante ela é. Sim, "é", pois a vida continua sem ela e será diferente. Muito diferente. Então ela continuará presente na sua ausência, nas lembranças, no espaço deixado.

Infelizmente, essa dor faz parte do processo. Mas me sinto grato a Deus, ao universo ou sei lá ao que tem além, por me mostrar o caminho por onde me perco tanto. E é em um momento de extrema seriedade, como este, quando alguém tem essa consideração por mim, que me olho e vejo que posso não ser um alguém tão perdido assim. 

Você fez mais do que simplesmente avisar mais um, Jotabê. Você deu a luz que eu precisava para o meu aprimoramento pessoal.

Fiz um vídeo para demonstrar carinho e consideração ao amigo de Internet, pois o sentimento é real. A quem interessar, o assunto começa no minuto 4:14. Fica com o meu abraço.


domingo, 30 de novembro de 2025

SENSUALIZANDO EM FOTOS

Em tempos de imagens por inteligência artificial, percebi que havia muito tempo que eu não ia no site Pexels, que é um local onde são colocadas imagens para uso público, de graça. Algumas possuem licença creative commons, representada por aquele símbolo minúsculo com "cc" dentro de um círculo. Isso indica que a foto ou vídeo têm direitos autorais, mas podem ser utilizados por terceiros para alguns fins. Eu prefiro as que não têm essa licença. As que não possuem estão escritas apenas "disponível para uso gratuito", ou algo parecido. Daí você pode fazer o que quiser, sem se preocupar com direitos autorais.

É possível acessar o site sem fazer registro nenhum e baixar quanrtas foto e vídeos quiser, mas tenho meu perfil e percebo que a plataforma me dá um leque um tanto mais personalizado por isso, inclusive coisas mais sensuais, sabendo que sou adulto e gosto desse tipo de conteúdo. Veja, a seguir, algumas que resolvi compartilhar aqui. Começo com essas que possuem um viés sensual, porém bastante artístico.

Olha a diferença de "clima" entre a foto colorida de a P&B.


Esse casal idoso (última foto) tem muitas imagens, inclusive sequenciais a esta, tanto em fotos quanto em vídeos. Várias pessoas das fotos também fizeram vídeos. Percebo que existe uma produção focada nisso. Não é uma equipe brasileira.


Por ser um local de uso gratuito, não sei, não faço a menor ideia como sobrevivem, ainda mais hoje em dia, quando muitos usam a I.A. Acho bem provável que imagens e vídeos gerados por I.A também comecem a ser postados nesse lugar. Será?

sábado, 22 de novembro de 2025

BOLSONARO FOI PRESO! BOLSONARO FOI PRESO! BOLSONARO FOI PRESO!

Acordei, hoje, com a notícia de que Jair Bolsonaro tinha sido preso. Jornalistas enchem a boca para falar "foi preso" -- das nove da manhã até agora, meio-dia, perdi as contas de quantas vezes eles falaram isso com muito gosto, sendo que na época dele as emissoras tinham liberdade maior para noticiarem o que quisessem, até fakenews (não estou dizendo que ele era amiguinho da imprensa, não misturem as coisas). Agora, a própria Globo, um grupo gigantesco de comunicação que fez História (e história também, se é que me entendem), corre risco de fechar as portas, se abusar muito. Mas isso é só um tipo de zelo feito com amor e carinho para proteger os cidadãos da desinformação, isso é o que importa.

Não. Não estou defendendo Bolsonaro. Em cima do muro, vejo as coisas de todos os lados possíveis e vejo um país incapaz de deter a bandidagem em massa e por isso se apega a Bolsonaro, ainda, para mostrar que está operante, que a PF não dorme, que o Supremo não é brincadeira. Alías, depois que descobri que Deltan Dallagnol tem um canal e que ele próprio informou que Alexandre de Moraes esteve em um jantar de luxo no restaurante Fasano, em Nova Iorque, bancado pelo banco de Daniel Vorcaro, para 150 pessoas, inclusive funcionando em um domingo, algo que não é comum ao restaurante, que o cardápio desse esse jantar é estimado em cerca de 750 reais por pessoa, eu percebo, realmente, que nosso Supremo não está de brincadeira. Não acredita em mim? Veja você mesmo, clicando aqui, mais precisamente entre os minutos 05:00 a 05:35. 

A linguagem neutra, agora, etá oficialmente banida, ao menos perante ao que se diz respeito às formalidades governamentais. Acho isso ótimo, demorou muito para tomarem uma posição a respeito. Mas, se estivesse consagrada, também não seria de todo ruim, pois eu adoro a palavra "todes", de verdade, e aprendi a me adaptar aos tempos, pois, quando você cresce e percebe que nasceu em uma família louca e problemática e que você vive sendo tratado como um bosta que nunca será nada, você começa a ter que se virar emocionalmente para sobreviver. Na minha época de jovem, não havia essas politicagens protecionistas de hoje, então minha depressão sempre foi vista como mera frescura porque sou diferente, sou "homisseqsual", então minha cabeça é torta, meu espírito é tomado pelo diabo, por isso padeço dessas coisas. Não é culpa da minha mãe que explorava meu pai e defendia malandros drogados violentos, não é culpa do meu pai que trabalhava feito um burro no campo para arcar com as inconsequências de minha mãe e ainda sustentar um monte de gente que nem vivia conosco, mas era família, então era muita ruindade prosperar, ter dindin e não repartir com ninguém da família. Isso é uma virtude, mas o efeito colateral era a ignorância e a falta de paciência, então ele não me entendia e não gostava de mim, porque eu era o alvo ridículo que todo mundo falava por aí e isso ridicularizava sua família, sua própria vida. 

Naquele tempos, anos 80, havia uma preocupação exagerada sobre isso. "A filha de não sei quem tá buchuda...", "O filho do fulano desmunhecou". Essas duas coisas eram a morte para toda família, pois as pessoas falavam mesmo e, sim, já havia o cancelamento, que não era fácil. As pessoas fechavam as portas para algumas oportunidades rumo a um bom futuro. Era como uma regra onde todos deveriam ser impecáveis em virtudes, senão a vida seria muito difícil, ninguém queria ter pessoas mal-faladas por perto. 

O tempo passou, o mundo mudou e meu pai viu que tudo isso virou uma grande besteira, ao menos por aqui, então ficamos em paz, só que o estrago já tinha sido feito: virei um nada e morrerei um nada e é assim que as coisas são. É muito fácil dizer coisas e transmitir mensagens e lições quando não é a sua realidade, não foi você quem cresceu, se desenvolveu e fez parte da engrenagem de uma vida inteira de uma família que, graças a Deus, não terá seus frutos para ser continuada, pois nenhum de nós podemos ter filhos, então todo o carma e darma (e sei lá o que mais) se acaba aqui.

Se eu tiver sorte, terei um benefício no futuro próximo, apesar de que ainda pago a previdência social com autônomo, mesmo sem estar trabalhando. Faço há vários anos, mas não o suficiente para me aposentar, então estou -- como dizem -- jogando dinheiro fora, mas sempre ouvi dizer que pagar a previdência social como autônomo era jogar dinheiro fora. Se eu tivesse feito isso desde que saí da metalúrgica e acreditei que trabalhar por conta própria era maravilhoso, hoje eu poderia entrar com minha aposentadoria, então o que eu ganhei em acreditar no que falavam, desde aquela época, foi ver pessoas se aposentando enquanto eu tomo no cu. "Se eu tiver sorte", pois não beijo os pezinhos de quem, agora, concede benefícios até para o aluno ir cagar no banheio da escola. Então, teoricamente, não sou contemplado. Já tentei me bandear, falar bem, mas esquedistas olham na minha cara e não se convencem e eu vejo o incômodo neles, como se eu fosse um tipo de traídor e tal, quando, na verdade, eu não ligo se gostam de bandidos e drogas, eu só quero ficar em paz. 

Acho, sim, que todo mundo merece um benefício de verdade, não esmolas, sempre defenderei isso. Enquanto pessoas estão se tornando trilionárias, a pobreza também cresce. Então você vê que existe um erro, que essa desigualdade deveria sumir. Mas não some. Porém, dizem que isso não me faz um esquerdista, principalmente quando não me sensibilizo com morte de bandidos, quando penso que ações como a que resultou em mais de cem mortos do Rio, há pouco tempo, deveriam acontecer toda semana. Essa gente é parasita social, não acrescenta nada à sociedade, só perigo, medo, terror. Se o Estado passa a sustentar pessoas, penso que a tolerância ao crime deve ser zero, pois não tem desculpa para o indívíduo que quer ser mau. Ele é um gasto ao governo, não traz nada de bom, lesa as pessoas de bem e ainda quer a tal da humanidade? Ah, sai pra lá, filho da puta! Porque essas pessoas não aprendem a ficar quietas no canto delas? Já que gostam tanto do mote "crime" e "drogas", porque elas não se ocupam com ações contra isso, em vez de se tornarem funcionários desse sistema? 

"Ah, eu sou discriminado, é muito preconceito!" Já pensou, se todo mundo que procura validação, então resolve entrar para o crime? Estamos perdidos! Mas, basicamente, é o isso o que acontece. Crianças crescem sem educação devida de seus pais e daí, como a vida não tem o mesmo desleixo amor, elas vão para o crime. Uma espécie de vingança social contra todos nós, quando os culpados são os pais e o Estado, não a sociedade. 

"Não é bem assim, você não pode generalizar". Bom, para tudo existem exceções, mas muito é sobre isso, sim. Você vê a criação de uma pobre criança onde a mãe é desbocada, o pai está nas drogas, a casa é uma bosta, ninguém tem vontade de ficar dentro de casa, então fica perturbando todo mundo na rua. A criança aprende que gritando e xingando se intimida e até consegue o que quer. A criança aprende que droga entorpece faz bem e ainda se ganha dinheiro. A criança aprende que ligar o som altíssimo é divertido, todo mundo ri, bebe, bate papo, então é muito legal, o vizinho que reclama é chato e, se encher o saco, deve ser intimidado, pois todo mundo tem o direito de curtir a felicidade de um som alto quando quiser.

"Mas tem muito mauricinho por aí que surfa no poder e na grana e faz tudo isso. Não é coisa de pobre, não, mas é o pobre que vai preso e blábláblá..." E por isso, então, deve-se passar pano, em vez de reforçar a toleância zero contra o crime, para todo mundo? Ricos são crueis. Estupram, muitas vezes, têm advogados poderosos, cometem vários tipos de crimes. São os primeiros que devem ser condenados, sem dó. Mas isso não quer dizer que devemos olhar com benevolência o outro lado, como se fosse um reparo social inocentá-los. A maldade é simplesmente a maldade. Pobre, rica, é má do mesmo jeito. É má! Não é vítima!

Mas, enfim, já nem lembro mais porque comecei a escrever isto. A coisa desanda quando surge esse tipo de assunto. A coisa sempre desanda quando essas coisas aparecem em qualquer momento da vida. Uma bosta de vida. Mas, quando vejo gente ainda pior por aí, eu reflito sobre quem sou, o que eu tenho, minha saúde, meu corpo, ergo os olhos para o céu e agradeço. Agradeço muito. Agradeço todo santo dia, pois eu sei que não custa nada para tudo piorar -- pois sempre pode piorar -- então que bom que estou suportando, que bom que (ainda) tenho coisas que alguns não têm e agradeço por isso. 

Você já agradeceu a Deus, hoje? Não o culpe pelo que lhe acontece. O que a gente passa, muitas vezes, são frutos de nossas escolhas. Deus não tem nada a ver com isso. Às vezes, o universo até quis impedir, mas a gente insistiu, a gente quis porque quis! Então, agora, não cabe culpar as estrelas.

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

CADA UM TEM O PAÍS QUE MERECE!

O vídeo abaixo traz reflexões sobre o que abordei na postagem anterior, mas também trata de outras aquisições: um encadernado da Disney e um microfone. Estou compartilhando apenas por ser uma extensão do que abordei anteriormente. Todas as aquisições têm a ver com a questão. 

Não preciso ficar explicando mais. Quem tiver saco, que veja. Eu falo tudo lá. São dois anos de canal, mais de dois mil inscritos, naturalmente, sem maracutaia. Sei que o povo daqui não se mistura com o de lá, mas ficaria feliz se alguém daqui ouvisse o que tenho a dizer.

Qualquer hora, dê uma passadinha lá no Café Gay e me deixa um "oi", para eu saber que esteve lá. Mas não tem Pix.

terça-feira, 14 de outubro de 2025

REFLEXÕES EM CIMA DO MURO

Hoje a postagem tem assunto político. Detesto política e quero anos-luz de distância das pessoas que ficam falando: "mas a política está em tudo, você deveria, sim, falar de política", como se eu fosse um retardado por me recusar a ficar nesse rame-rame extremista que só beneficia esse grupo político de marajás e, talvez, muitos alpinistas sociais. Quem faz parte dessas massas de manobras é que deveria ter a mente estudada.

Não querer fomentar massas não me impede de comentar, vez ou outra, sobre isso. Embora todas as vezes em que eu fazia, sentia um profundo arrependimento depois, tamanho desgaste interno. Mas vi um um comentário do Jotabê, no blog do Eduardo, que me chamou a atenção. Estava pronto para comentar lá, mas, no último segundo eu pensei que seria melhor colocar aqui mesmo, no meu espaço, então vamos lá! 

Primeiro, o comentário de Jotabê à postagem de Eduardo:

Com este texto você sinalizou ou exibiu todo o ódio que tem pelo Lula. Eu não gosto dele nem do PT, nunca gostei e sempre deixei isso claro nas postagens mais antigas. Hoje, totalmente desencantado com os políticos brasileiros (que se originam do povo, é bom lembrar), tudo o que eu quero e peço é um governo não autoritário. Se vai roubar, se já roubou, não faz nada além do que sempre se praticou no Brasil. Ignorar ou esquecer-se disso é vacilo ou má vontade.

A afirmação sobre o pobre e trabalhador só ter valor na época das eleições não é um mea culpa, é a exposição da realidade que se vê em todo o país, seja em uma eleição para vereador ou presidente da república. Cestas básicas, sandálias de borracha, óculos, tudo é utilizado para seduzir o miserável.

Uma coisa que o Lula defende e que provavelmente nunca acontecerá é a taxação diferenciada dos super-ricos, tal como acontece em outros países. Aqui, infelizmente, os super ricos sempre farão de tudo para pagar menos impostos. E conseguem “convencer” os eleitores de que estão corretos. Mas foda-se o mundo, fodam-se todos.

Agora, meus pensamentos em resposta a Jotabê:

"...Eu não gosto dele nem do PT, nunca gostei e sempre deixei isso claro nas postagens mais antigas", mas depois você reconhece as medidas que só o governo dele tem a coragem de tratar e talvez não seria sequer colocada em pauta se o chefe da cadeira de Estado fosse outro. Ainda cita que nos outros países isso já acontece. Pois é, o Brasil é um país de um povo metido a besta que vive achando que está evoluindo, mas não passa de um povo atrasado. A informática chegou atrasada aqui, a Internet também, o próprio Pix já existia em alguns lugares. Só tem outro nome, mas esse sistema de transferência monetária instantâneo, onde o dinheiro está disponível na hora, existe desde 2004, mas ainda hoje propagam que o Pix é uma invenção do Brasil. Não. Não é. Do Brasil só tem o nome "Pix", semelhante a Pica, pra sempre ficar entendido a fodeção. Propaga-se uma coisa eleitoreira na Internet e todo mundo (o gado burro) acha que é verdade. Não foi Bolsonaro quem criou o Pix, e o Pix não é criação brasileira coisa nenhuma. Veja:

PaísSistema de PagamentoData de Lançamento
Reino UnidoFaster Payments Service (FPS)Maio de 2008
MéxicoSPEI (Sistema de Pagamentos Eletrônicos Interbancários)2004 (substituindo um anterior)
ÍndiaUPI (Unified Payments Interface)Abril de 2016
Zona do EuroSCT Inst (SEPA Instant Credit Transfer)Novembro de 2017
AustráliaNew Payments Platform (NPP)Fevereiro de 2018

E "colando" aqui a parte de um comentário que deixei no post do próprio Jotabê, no blog dele, eu digo que me arrependi de ter votado no molusco, mas com Bolsonaro, talvez, não seria diferente. E não acho que deixando de votar no molusco as coisas serão diferentes. A única diferença é que quem vota nele aprova seu governo, reconhece nele a melhor opção. Mas, na prática, quem ganhar, não mudará os rumos de nada. Sabe um dizer da Dilma, uma vez, bem confuso, que terminava dizendo que todos perdem? Já estamos nisso.

Pois é, Seu Zé! E termino colocando o texto atribuído a Ivan Lins e Vitor Martins, uma música que gosto muito, uma pérola na interpretação de Elis Regina: CARTOMANTE.


Nos dias de hoje é bom que se proteja
Ofereça a face pra quem quer que seja
Nos dias de hoje, esteja tranquilo
Haja o que houver pense nos seus filhos
Não ande nos bares, esqueça os amigos
Não pare nas praças, não corra perigo
Não fale do medo que temos da vida
Não ponha o dedo na nossa ferida
Nos dias de hoje não dê um motivo
Porque na verdade eu te quero vivo
Tenha paciência, Deus está contigo
Deus está conosco até o pescoço.
Já está escrito, já está previsto
Por todas as videntes, pelas cartomantes
Tá tudo nas cartas, em todas as estrelas
No jogo dos búzios e nas profecias
Cai o rei de espadas, cai o rei de ouros
Cai o rei de paus, cai, não fica nada!
Cai o rei de espadas, cai o rei de ouros
Cai o rei de paus, cai, não fica nada
Cai o rei de espadas, cai o rei de ouros
Cai o rei de paus, e cai, não fica nada
Cai o rei de espadas, cai o rei de ouros
Cai o rei de paus, e cai, não fica nada
Cai o rei de espadas, cai o rei de ouros
Cai o rei de paus, e cai, não fica nada
Cai o rei de espadas, cai o rei de ouros
Cai o rei de paus, e cai, não fica nada
Cai o rei de espada, cai o rei de ouro
Cai o rei de pau, e cai, não fica nada
Cai o rei de espadas, cai o rei de ouros
Cai o rei de paus, e cai, não fica nada
Cai o rei
Cai o rei
Cai alguém

domingo, 5 de outubro de 2025

LER PARA QUÊ? COMO É COM VOCÊ?

Gosto de vídeos onde vejo as pessoas recebendo livros, abrindo e falando alguma coisa a respeito. Fico olhando a reação delas, o jeito de se comunicarem. Assisti tanta coisa ao longo desses anos no Youtube, que considero interessante esses canais que mostram alguém desempacotando os livros, porque, por mais parecidos que sejam, nenhum é igual ao outro, cada pessoa se expressa de um jeito.

O último que vi me chamou a atenção, é uma adaptação da história Guerra e Paz. Não gosto dessa coisa de mudarem a obra original, a não ser, é claro, quando querem fazer com que um público juvenil (por exemplo) já tenha uma base da obra, mas, mesmo assim, tenho minhas ressalvas, apenas respeito, por ver um contexto digno. Agora, eu penso, se a obra tem o mesmo público, por que mudar? 

"Ah, a original é longa, enfadonha, cansativa, queremos torná-la mais dinâmica para alcancar mais leitores..." -- Só que esses leitores não conhecerão a obra de verdade. O que eles verão é uma versão dela. Quem lê Guerra e Paz com 200 ou 100 páginas, sei lá, não está conhecendo de verdade essa obra. Quando as pessoas vão entender que a pegada de ler não é apenas saber do que se trata a história? É se envolver. 

Eu nunca li Guerra e Paz. Desanimo só de pensar. Mas vejo pessoas se habilitando nesse tipo de leitura para depois ficarem por aí, falando a respeito, como se fossem conhecedoras do conteúdo, como se transmitir algo sobre a obra em questão lhe conferisse algum tipo de status superior. Pra quê?

Tem gente que curte histórias dinâmicas. Essas pessoas realmente não terão saco para ler um livro, por exemplo, onde fala do vestido da Maria. A história, então, fica três páginas explicando como é lindo o vestido da Maria e mais cinco explicando o motivo de ela estar usando-o para o fim específico. Cada um tem que ler aquilo que está de acordo com suas afinidades. Mudar uma história, torná-la mais ágil, sei lá. Não sei até que ponto isso é válido. Como se dá esse envolvimento? Será possível se envolver? Não sei.

Dia desses me lembrei da obra de José Saramago, Ensaio Sobre A Cegueira. Lembrei que já faz um ano que a reli. Eu queria saber o que ocasionou a cegueira leitosa na população e, principalmente, o desfecho dessa situação. Eu não me lembrava desse pequeno detalhe: como ela veio e como se foi. Só que essa obra, Ah! Ah!, a escrita dela é toda embolada. Parágrafos imensos. No meio desses parágrafos estão narrações, pensamentos, diálogos, tudo junto e misturado e daí, você, maravilhosamente, por um milagre de seu próprio entendimento, vai desenrolando todo esse novelo de lã e ficando a par de tudo o que etá acontecendo.

Outra obra que reli foi Labirinto da Morte, de Phillip K. Dick, já tem uns dois anos ou mais, eu acho. Pela terceira vez. Comprei o livro no Carrefour, na era jurássica. Lembro que paguei barato, pois, se fosse caro, eu nem compraria. Cresci ouvindo de meu pai que livro não se compra, então, se comprei, foi porque estava realmente bom. Li tudo e adorei, mas nem sabia quem era o autor. Gostei de graça, digamos assim. Só depois de uns anos, sim, recentemente é que me inteirei sobre QUEM é o fulaninho, então me senti o cara mais pateta do planeta, por ter lido sem saber um livro de uma celebridade de respeito no campo da ficção científica, fantasia e distopia. 

Hein? Chico Bento? Não, meu nome é Fabiano, eu acho... 

A segunda vez, eu li quando já soube de quem se tratava. Todo mundo falava tanto nas obras desse autor, que eu resolvi ler de novo. Embora eu tenha gostado da história, não foi lá algo que eu considerasse monumental. Então pensei que, lendo novamente, prestaria mais atenção em coisas que talvez tivessem me passado despercebidas. Gostei muito, só que foi a mesmíssima experiência. Aonde estava tudo aquilo que os leitores tanto falavam?

A terceira vez veio depois de uns anos. Mais maduro, com cabelos grisalhos, outro entendimento sobre a vida, pensei que talvez eu compreendesse coisas que antes não era capaz de perceber. Só que não! Foi a mesma coisa. E nas três vezes eu não entendi o último parágrafo. Deu a entender que tudo o que aconteceu em Delmak-O não passou da imaginação de Seth Morley. Ai, meu Deus! Será? Quero acreditar que tem algo tão complexo que não fui capaz de identificar! Ah, Ah!

O terceiro livro que reli foi em ebook, daquele autor proibidão porque falam que ele é homofóbico e racista: Monteiro Lobato, O Presidente Negro Ou O Choque Das Raças. Ah, ficou até mais gostoso ler algo com aquele sentimento de contravenção, transgressão. Foi emocionante. Será que a PF iria bater na minha porta? Eu sou tão inignificante que, se eu não escrevesse aqui, que eu li o dito cujo, ninguém saberia. 

Charlie Brown? É você?

Ler pela primeira vez essa obra me fez ver um autor que está ali, mas bem diferente do contexto do tal sítio juvenil. É a escrita dele, sem dúvidas, mas sem a cacofonia de Emília, nem a sapiência do Visconde. Nesta obra estão o pobre trabalhador ferrado que mal conseguiu comprar seu carrinho e se ferrou de novo em um acidente, fazendo com que fosse se recuperar na casa do causador de sua quase morte, um professor cientista que produziu uma espécie de máquina do tempo que lhe mostrou o futuro em que os EUA elegeria um presidente Negro. Esse livro foi publicado pela primeira vez em 1926. Barak Obama já era nascido? Segundo o Google, ele é de 1961. Outra visão exposta na trama foi o empoderamento do feminismo. Talvez pelo machismo comum à epoca, Lobato não deu tanta asa a essa questão, mas, como diz Rolando Lero, da Escolinha do Professor Raimundo, o Lolô "mostrou-a-a", e mostrou como a resistência masculina temia que isso fosse desencadear certos privilégios. E outra visão foi a Internet. Sim, meu caros, o professor viu que no futuro os homens não conseguiriam viver sem as ondas de rádio, fariam tudo por meio delas. Você deve estar pensando no que as ondas de rádio tem a ver com a Internet. Se você não sabe, elas são apenas a vida da Internet, princpalmente Wi-Fi

É ou não é pra ficar assombrado com a mente de Lobato? A escrita em si é bem simples, não tem nada demais. Então não pense que a história vai te abraçar e se grudar em você feito chiclete, porque não vai. Tem que querer ler.

Por que reler, se podemos conhecer outros livros? A resposta é: não sei. Antigamente, eu revia filmes de terror, infinitas vezes, alguns eu sabia as falas de cor.

One, two, Freddy is coming for you. Three, four, better lock the door. Five, six, grab your crucifix. Seven, eight, be still awaked. Nive, ten, never sleep again.

Claro que não tenho hábito de reler muita coisa. O tempo é um só. Preciso ler coisas novas, preciso ler os blogs dos amigos, preciso ler o que eu próprio escrevo, e, como escritor, releio e releio e releio... 

Fico pensando em como deve ser com as outras pessoas, como é que elas lidam com suas leituras? Elas leem para se envolver? Ou para saber do que se trata a história, e já passam para o próximo livro? Se a pessoa mal tem tempo de se envolver nos posts de um blog, como ela espera ler páginas e páginas de um livro? Como será que as pessoas lidam com isso?

Um abraço, até a próxima postagem!

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

VISITANDO AMIGOS BLOGUEIROS

Era para eu colocar uma tirinha de quadrinhos das gêmeas Paulinha e Claudinha, mas ela não está pronta, então resolvi zapear na blogosfera, porque sei que estava devendo visitas a alguns blogueiros que aqui vieram e já devem ter pensado que sou folgado e outras coisas mais.

O primeiro blog que visitei foi o da Catiahô, mas este eu já conheço. No começo, eu detestava o layout e o estilão da postagem, dividida em algumas partes. Eu me sentia como um vampiro em um amontoado repleto de cabeças de alho. Um dia, tomei vergonha na cara e me conscientizei de que o Sol não gira no meu umbigo. Uma pena. Não é o blog dela que tem que se moldar a mim. Sou eu que preciso gostar do jeitinho que o blog é. Hoje, já estou acostumado e penso que é melhor assim, que cada um permaneça com sua autenticidade, pois, ainda que ela fizesse mudanças, isso não garantiria que eu virasse fã. Adorei tudo na postagem dela, desta vez, até a música, que foi da Calcanhoto. Eu gosto da Calcanhoto. Ela me remete a um tipo de calmaria que eu tenho certeza que não faz parte da Calcanhoto, mas minha mente debiloide quer acreditar que sim. Enfim, prefiro não discutir com meus eus, porque eles são muito difíceis. 

Em seguida, visitei o blog do Andre Mansim, cujo sobrenome deve ser uma baita pegadinha em uma noite quente de verão, principalmente se ele fosse solteiro e eu fosse uma mulher bonita. Ele tem cara de padre, mas eu sei que padres são fogosos também, então tá tudo certo imaginar essas coisas. 

"A Festa do Arcanjo Miguel". Tanta postagem para eu "dar de cara", mas um homem que já foi mormon, psicografou, participou de reuniões de preto velho, fez reiki nível 1 e foi voluntário por uns meses, estudou o livro do ouro de Sant Germain e a poderosa chama do Eu Sou, fez rituais de sigilação, ordenou a servidores etc etc etc, bom, eu só poderia me deparar com essa postagem como sendo a primeira. Às vezes eu tenho a impressão de que o universo ri na minha cara.

Eu me impressionei com a escrita dele. Vi outras postagens. O blog dele é viciante. Escrita boa pra caralho. Vi que tem livro também e tal, mas o tempo é um só, também sou escritor, youtuber, dono de casa, enfim, foi preciso sair de lá e conhecer outro blog. Afinal, o tempo estava indo.

Cheguei ao blog da Dona Chica. Tudo bem meigo. Bem meigo mesmo. Eu me senti o Fabianinho de uns sete anos, a doce menininha toda inocente sobre a vida, esperando minha avozinha paterna terminar de fazer a "pida" (um tipo de pãozinho sírio, mas ela era italiana, então sei lá). Isso é bom ou ruim? Não sei. Gostei de me lembrar de minha avó, mas meus eus já vieram logo em minha autodefesa e colocaram um comentário irreverente lá. Espero que ela não se zangue. Foi só para quebrar a pasmaceira. Eu vejo as pessoas comentando praticamente o mesmo tipo de coisa, então penso: "vou colocar algo diferente, nem que seja para provocar". O ruim é que posso errar a dose e ofender a pessoa. Preciso tomar cuidado com isso.

Prometo não falar mais do Ronaldão, viu Edu? Sei que você não gosta e te acho muito gente boa no blog.

Por fim, conheci o blog da Daniela, um nome lindo que lembra uma cliente maravilhosa dos meus tempos de filmagem de aniversários, batizados e casamentos. Ela se chamava Daniela, era uma mulher belísssima. E o marido não lhe dava valor. Eu via, mas era apenas o filmador, então ficava na minha. Isso foi há muito tempo, os filhos eram bebês. Devem estar enormes. Mas, fica a afeição.

O blog Alma Leve, da Daniela, me abriu com uma historinha poética superfofa. Como meu espírito, hoje, não está metabolizando muito bem essas coisas, reescrevi mentalmente (só em minha imaginação), aquele final, mas eu conto aqui. A menina acabou pisando em falso, se desequilibrou e caiu do alto da rocha onde estavam. Felizmente sobreviveu, mas quebrou uma perna e um braço, o que fez com que João, tomado pela culpa e o romance ingênuo, se sentisse importante em ter que visitá-la todos os dias, levando sempre um chocolatinho, a materialização do quanto a considerava gostosa e divertida.

O post anterior dela conversou mais comigo, pois falava da importância que nós, escritores, temos de nos expressar, o nosso jeito de ser, caracterizado no que transmitimos em palavras. Ela fechou com uma colocação curta e direta, e que considero essencial sobre nosso espaço na Internet. Adorei conhecer a escrita dela.

Adicionei todos em minha lista, pois é o meio mais fácil para eu conferir as atualizações. Prometo visitá-los sempre, mas, se eu passar um tempo sem ir, não é nada pessoal. É que eu também escrevo, leio, faço minhas coisas, o tempo é um só para muitas atividades. Adorei conhecer o espaço de vocês. 

Também adicionei você na lista, Jotabê. Um abraço.

POIS É

Criação, roteiro e direção artística: Fabiano Caldeira Arte produzida com auxílio de inteligência artificial (OpenAI)