Fabiano Café Gay
segunda-feira, 1 de junho de 2026
A BASE DO CAPITALISMO É A EXPLORAÇÃO DO POBRE
quarta-feira, 27 de maio de 2026
SAUDADES
Saudades.
Pode ser de coisas boas. Pode ser de coisas ruins. As saudades são sempre sobre algo que já se foi, não pertencem mais ao nosso tempo. Se elas ainda estivessem, seriam presentes.
E nem todos os presentes são bons, não é mesmo? É...
Saudades de um tempo em que era fácil pensar no futuro. Eu era jovem, olhava para a vida como se ela fosse uma estrada grande a ser percorrida. E eu estava ali, tão longe de onde alcançava a minha vista. Dava até preguiça. Era confortável. Eu tinha muito tempo.
Esse é o olhar que eu tenho hoje, lembrando um passado que nunca existiu.
É. Porque, quando eu era jovem e tinha todo esse percurso pela frente, eu já vivia questões internas conflituosas, seja por cobranças ou pela não aceitação de certas coisas. Então a realidade do meu passado nunca me ofereceu uma estrada longeva e uma atmosfera pacífica, esperando a minha vontade em transitar por ela.
Se eu tivesse que vislumbrar a estrada real diante de mim naqueles tempos, diria que foi um lugar estranho, onde me senti pouco à vontade, angustiado, receoso. Me botavam em uma estrada indesejada, repleta de percevejos, borrachudos, aranhas peçonhentas, ratos e serpentes. Eu não queria ficar ali, mas era ali que me mandavam ficar.
A estrada que escolhi era ruim. Assim me diziam. Uma estrada limpa, clara, plana, com vista para um campinho e um lago com gansos e patos, galinha e marrecos, cães e gatos.
Essa estrada era uma ilusão. Tudo fruto da minha imaginação. A estrada de verdade era aquela, a trevosa, a sinistra, a que me fazia ver gente brigando, se estapeando, desejos quebrados, enterrados. Mortos, não pelo impacto, mas pela dor. A dor da inanição. A dor da desolação que ninguém vê. E quando vê, não se importa.
Aquela era a estrada. A outra, não era nada.
Então, hoje, para mim, é fácil ter saudades do que já se foi. Porque seleciono as saudades de um tempo que nunca existiu, não daquele que passou.
domingo, 24 de maio de 2026
PAPO DE ESCRITOR, SOBRE MEUS EBOOKS ATUALMENTE
Na Amazon, existe uma diferença entre os ebooks que as pessoas pegam e os que elas leem.
Sou autor de mais de vinte ebooks lá, e percebo ser comum alguém baixar, por exemplo, Contos de Bebê Reborn e não ler. Assim como é normal ver nos relartórios um mundo de páginas lidas de Ex-Padrasto.
Mas, se ninguém pegou esse ebook, como pode haver tantas páginas lidas?
As pessoas pegaram em uma determinada ocasião e deixaram o coitado na fila. Então, em um belo dia, elas leram.
Um fator que colabora com esse tipo situação é a promoção do ebook gratuito. A única ferramenta decente que a Amazon nos fornece para pescarmos alguns leitores. Lembro que uma vez baixaram quase duzentos ebooks meus, agora não me lembro o título, era um dos contos eróticos. Do número impressionante de aquisições em 24 horas, apenas 1% das pessoas leram logo. Os outros 99% vieram picadinhos, pedacinhos pe-que-ni-ni-nhos, em épocas diferentes.
Eu já tinha me acostumado a ver os relatórios e ter sempre um número de páginas lidas nos títulos: O Caseiro Na Minha Sauna, Quarentena Ardente, O Deleite da Madrugada 1 e 2.
Então resolvi melhorar minha escrita e proporcionar maior qualidade nas histórias. Escrevi coisas onde o foco não era só foda, tesão e libido. Alguns desses títulos, eu confesso, achei que me projetariam de maneira mais digna e interessante nesse meio, mas a verdade é que estão mofando. Em comparação aos títulos eróticos, é como se nem existissem.
Arrependido? Não. Eu, hoje, escrevo melhor que ontem. Isso é notório e custa um tempo bem maior do que pensei. O que eu sinto é o mesmo que muito autores de ebooks que também não são lidos. Sou mais um na multidão. Meus livros são invisíveis, não despertam interesse e não há muito o que fazer. Mesmo quando coloco grátis, ninguém pega.
Hoje, vi o relatório exibindo mais páginas lidas de Ex-Padrasto e Aquela Manhã Especial. Este último, um conto nenhum pouco criativo, só para haver uma continuidade de título, já que também existe o Aquela Noite Especial. Nada constou sobre O Caminhante da Madrugada, nem sobre Contos de Bebê Reborn, A Tempestade Lá Dentro, Viúvo No Carnaval.
Ah, mais eu vi que alguém se interessou pelo Calcinha Preta de Renda. Alguém o pegou. Quando será que vai ler?
As pessoas não querem saber em mergulhar nas camadas do comportamento de um ser humano. Refletir sobre a condição existencial de alguém, em como isso bate em si mesmas.
Elas preferem o oba-oba do carnal, ainda que mal-feito.
Não faz muito tempo, vi um movimento de youtubers falando horrores sobre os livros eróticos. Um dos fatores que favoreceu o deboche eram as capas. Lembrei que O Deleite da Madrugada mostrava dois homens de cueca se pegando. Caí na burrada de trocar as capas por outras que considerei mais elegantes. Desde então, ninguém nunca mais pegou esse título. Quem pegou não teve vontade de ler. Ele simplesmente não aparece mais nos relatórios.
Para você ver como a capa é importante. Ex-Padrasto não tem nada de ato íntimo consumado, mas muita gente pega o primeiro ebook por causa do tiozão quase mostrando o bilau na capa. A sensação é que ele vai pular da tela e se esfregar na sua cara. Sim, é vulgar, é isto, é aquilo, mas, se não fosse essa capa, as pessoas não pegariam e não leriam.
Bom, é isso. A intenção não é me queixar de nada, apenas conversar um pouco sobre como é esse cenário. Muita gente cagando regras nos youtubes da vida, mas só você -- somente você que escreve -- sabe o que deve fazer em relação à sua trajetória. Não adianta eu vir aqui e dizer coisas que podem ajudar. De repente, o que funciona para mim não funcionará jamais para você.
Um abraço, até o próximo post.
quarta-feira, 20 de maio de 2026
EU E AS TURMAS DOS GIBIS
Tenho muito carinho pela turma da Mônica. Lembro que essa turminha andava lado com a da Disney (em minha casa). Também conheci Luluzinha e Bolinha.
Estou falando dos meus tempos de criança. De quando, fiz um desenho do Bugu no caderno da escola, no primeiro ano, mostrando para a prôfe que eu sabia pegar no lápis, mas não estava a fim de fazer chuvinha e bolinha. Ganhei um recado na página. Nem lembro o que era, algo do tipo seu filho tem que prestar mais atenção na aula.
Hoje, com quase 49 anos e aparência de idoso, tento me despojar de conflitos por ainda ler gibi, por gastar dinheiro, tempo e atenção com esses personagens que são para criancinhas. Conheci muitos outros tipos de quadrinhos, até mais condizentes com minha idade, mas minha vida parece marcada, enfeitiçada pelos da infância.
Passei por um período em que não tive sequer uma revistinha
Eu não lia nada. Nada emprestado. Nada em lugar nenhum.
Um dia, indo e vindo de hospital, tendo que me acostumar com certas coisas, meu companheiro me deu um gibi.
Pronto! Eu nem imaginava, era só um inofensivo gibi.
Bom... Já faz quase vinte anos que não largo mais o gibi.
Hoje eu vejo que a vida passou depressa demais para me apegar só ao passado.
O novo? Como que o novo é? Vou gostar? Não vou gostar? Não importa. Eu quero.
E aqui estou eu, com três dos sete títulos de uma fase nova da turma da Mônica.
No próximo post, pretendo falar sobre elas.
sexta-feira, 15 de maio de 2026
VOCÊ TEM QUE SER AMIGO DA IA
Essa é uma conversa um tanto mais intimista, sabe? Não quero dar um tom pesado. Não tem necessidade. Então, não pensem que estou julgando pessoas nem jogando indiretas. É só um mero bate-papo.
Uma pessoa foi sabotada na Internet e ficou sem chão. Dei apoio, carinho, atenção e até falei sobre outras formas de colocar seu conteúdo sem se apegar tanto naquela tal plataforma que fez isso.
Como ela ganhava uns cascalhos, tudo o que eu falava era meio que em vão, porque havia uma ansiedade enorme tomando conta daquela cabecinha. Ela até se interessou por uma outra plataforma em que poderia fazer o que sempre faz, mas achou que obteria os mesmos resultados sem tanto trabalho.
Gente... Isso não existe.
Diante da plataforma, essa pessoa achou que eu iria ficar dando meu tempo para ser um personal tutorial totalmente disponível e de graça para, praticamente, lhe entregar tudo de mão beijada naquele início de funcionamento.
Ficou chorando as pitangas, fazendo drama, até que calçou a cara e me pediu para fazer por ela um negócio para os trâmites iniciais.
Eu adoro essa pessoa, sabe?
E eu poderia fazer.
Mas eu disse "NÃO".
Recomendei que utilizasse a IA para ajudá-la nesse procedimento, pois eu faço isso quando preciso de uma ajuda de alguém e não tenho. Então, se eu faço e consigo, ela também pode fazer e conseguir.
Não sei se a pessoa não entendeu (pois estava acostumada a mimos e agrados, antes), o fato é que ainda insistiu, alegando não saber usar IA, que a IA era isto e era aquilo.
Então fui bem claro.
-- Quando eu preciso, eu recorro à IA. Se eu tive que me virar com a IA, por que vou preencher meu tempo me ocupando com você, entregando tudo na sua mão? Desculpa, mas eu tenho minhas coisas. Você vai ter que criar amizade com a IA.
Fui capaz de imaginar a câmera dar um close na carinha de bunda da pessoa, congelar a imagem e tocar um som pesado, igual termina o capítulo de uma novela.
Meu coração doeu, mas infelizmente é necessário.
Logo vi que a pessoa arrumou alguém para botar as coisinhas na mãozinha dela. A pessoa deu valor àquilo? Não sei.
Parece que não, pois o local está pronto e ela não o utiliza como deveria.
* * *
Outro dia, meu companheiro mostrou umas coisas que fez com IA. São uns videozinhos de bom dia, boa noite, mas ele fica um tempão para desenvolvê-los ao seu gosto, pois não é tão simples mexer com IA. Alguns saem toscos, mas eu afirmo que está lindo. Diante das limitações visuais dele, eu acho mesmo lindo. Às vezes, fico emocionado.
A pessoa que viu aquilo ficou pedindo para que ele fizesse alguns e lhe enviasse, todo dia. Sendo ainda mais folgada, passou a senha da sua própria rede social, para ele mesmo postar lá.
Eu falei para o meu companheiro:
-- Isso mesmo, agora você vai gastar todos os créditos limitados que as IAs te dão para fazer coisas para ele. Vai lá no perfil dele, posta tudo, todo dia, em vez de cuidar do seu. Se algum dia, alguém hackear a conta dele, a culpa será sua, porque ele vai te lembrar que você ficou postando nela todo dia.
Peguei o celular e mandei mensagens dizendo que era para ele mexer com as IAs e fazer por conta própria.
As pessoas estão muito folgadas. Mas são assim porque ninguém coloca limites.
É porque tem a amizade...
Isso não é amizade. É oportunismo.
Não consigo entender essa capacidade que a gente tem -- tratamos mal quem está ao nosso lado, às vezes, porque nos chateia e tal, mas nos desdobramos e somos incapazes de falar um "não" para alguém que nem vive com a gente.
Que isso?!
* * *
A partir daqui, não leve o texto a sério - É para descontrair
Bom... Passou um tempo, a pessoa que foi lesada pela plataforma recuperou sua galinha dos ovos de ouro. Que bom! Torci muito por isso. Cheguei até a fazer macumba.
Não sou bom coisa nenhuma. Não quero é encheção de saco.
Se Jesus quer a expiação pelo sofrimento dessa perda, então eu resolvi apelar, sei lá, para os sobrinhos do Tio Lu.
-- Eu tô pedindo, devolve logo esse canal para ele, pelo amor de Deus!
Sério. Eu falo sozinho porque sempre acho que estou falando com alguém. E é mais ou menos esse o tom.
Imagine se a sobrinhada não conseguiu, né? O melhor é que o pagamento nem sairá daqui.
Agora, preciso me lembrar de avisar para a pessoa providenciar logo um bolo, ou umas cocadas. Nem no plano oculto, ninguém faz nada fiado. E eu quero continuar de bem com esse povo do além.
quarta-feira, 13 de maio de 2026
JUIZ, LEÃO E TESOURA
O blog da Dona Chica, o Reticências Ao Caminhar, postou um conto muito bonito que ela criou, utilizando as palavras juiz, leão e tesoura. Convido a conhecer a historia, clicando aqui.
Como gosto desses exercícios de criatividade, dei minha ocntribuição nos comentários.
Compartilho aqui o que escrevi.
Era atração divertida
Curioso, eu sinto
Vontade de me aproximar
Um juiz me tornei
O encontro com o rei
Uma patada brusca
Rasgasse meu braço feito tesoura
Fui parar no hospital
Ferimento infeccionado
Em busca de achar um culpado
Meninos maus ultrapassam os limites da diversão
sábado, 9 de maio de 2026
LIVROS QUE ACHEI NA RUA
A BASE DO CAPITALISMO É A EXPLORAÇÃO DO POBRE
Lendo este livro, quero deixar documentado algumas coisas. Achei que veria um texto bastante direto sobre socialismo, em ressonância com nos...
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Como uma imagem consegue mexer com o interior das pessoas. A seguir, a expressividade de alguns amigos que aceitaram colaborar -- também de ...
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Agradeço ao grande amigo escritor, Luciano Otaciano, autor de obras que adorei ler (ELO, Desamante, Bagulhão, Conto de Narcisa etc.), pela ...
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Eveline Passos Rodrigues teria entrado para o mundo do crime após ser vítima de uma tentativa de feminicídio, assim diz o começo de uma maté...



