segunda-feira, 15 de junho de 2026

A BOSTA DO PSICOPATA AMERICANO

Um belo homem acorda e começa a se preparar para mais um dia. Ele é um executivo de sucesso e mostra para nós como é sua rotina, como faz a barba, quais produtos utiliza, então vemos os cuidados que ele mantém para sua pele. No trabalho, vemos o quão querido ele é pela sua secretária capacho que lhe cai em adoração enquanto ele acaba sem dó nem piedade com sua autoestima. A gente vê a rotina no dia dele, a importância e a seriedade de sua ocupação, as reuniões com os colegas de profissão invejosos e poderosos, no maior estilo amigão de negócios para o que der e vier, mas todos disputando sua ascenção empresarial, então o papo é sempre muito agradável, mas é um querendo ser melhor que o outro. Bom, pelo menos, essa é a concepção que o personagem mostra para nós que vamos assistindo-o, até chegar o momento em que ele para em frente a um mendigo, finge empatia e o mata na maior crueldade. Não poupa nem o cão de rua que sente a morte de seu dono. Pois é, o que esse homem tem de vaidoso, de bom gosto e de conhecedor das boas coisas da vida, ele também tem de meticuloso e cruel. Você nunca o vê tocado por uma emoção carinhosa, afetuosa, desprovida de interesses. Ele não se comove, não agradece, não retribui. Isso fica bem evidente quando ele está com as putas. Ah, o filme tem cenas fortes.

Esse filme é basicamente isso. A gente acompanha o asseamento impecável e o bom gosto contrastando com uma sede de poder inescrupulosa que o levou a cometer um deslize: matar aquele que na sua cabeça era seu rival. Ele só precisava de um simples motivo. E ter "tomado seu lugar" no restaurante onde só a nata da high society entra passou a ser esse motivo.

A gente acompanha o quanto ele vai se enrolando para se safar da investigação em busca do assassino que era ele, mas era óbvio que não se entregaria assim tão fácil. 

Seu temperamento é explosivo. Não do modo que o faz gritar, espernear, atrair a atenção de um monte de gente. A explosão se dá pelo desejo de matar. Às vezes, ele manipula. Outrora, vai no calor da emoção. Tudo depende de com quem está lidando.

Chega uma hora em que o filme vira uma matança desenfreada. Ele realmente fica louco e comete um crime atrás do outro. Vale tudo para não ser pego.

Então, após muitas mortes, muito sangue e muita sola de sapato correndo lá e cá, ele consegue se refugiar em seu castelo e dormir.

Ao acordar, prossegue com toda aquela rotina, só que a gente agora tem a impressão de que aquela será a última vez que ele toma aquele belo banho e desfruta de todos os cosméticos e rituais para se vestir com elegância, pois a gente espera que ele seja pego, assim que botar seus pés na empresa. 

A gente tem a sensação de que ele também pensa isso.

Então, a gente vai acompanhando o trajetória e, assim como ele, a gente não vai entendendo algumas coisas, principalmente a falta de alarde. A gente estranha o "vazio" que veio. E daí, ele tem que ir a uma reunião onde sabe que vai lidar com os caras de sempre e novamente a gente vê a ausência de qualquer conflito.

E o filme termina assim. Exatamente sem esclarecer coisa alguma. Você não sabe se ele delirou ou se algo realmente aconteceu e resolveram abafar por algum motivo. 

Cheguei a pesquisar no Google a interpretação dessa bosta, pois eu simplesmente não sabia se tinha entendido, mas eu vi que sim, eu tinha entendido. O filme é assim mesmo. Termina propositalmente assim. Nem a gente sabe se aquilo foi real ou não, ou o quanto teve de acontecimento.

Eu odeio filmes assim. Odeio qualquer tipo de história assim. Acho uma covardia para com quem está ali, envolvido na trama, esperando por um desfecho que tenha a ver, em vez de um simples delírio, surto ou loucura. Isso é muito covarde.

Christian Bale é o protagonista.

É claro!

Ti-nha-que-ser!

Eu não o conhecia antes de fazer o Batman (trilogia Nolan). Naquela época, para mim, ele era uma novidade e eu não curti nenhum pouco. Achei ele um ator sem expressão, uma verdadeira geleira. Essa trilogia Nolan é um saco. Só o segundo filme prestou. O segundo, sim, foi digno de prêmios. Mas o primeiro e o terceiro foram um lixo. O primeiro, o pior de todos! Você dorme, sonha horrores, acorda, vai tomar seu café da manhã, vai cagar e Bruce Wayne ainda está em processo de preparação para se tornar o Batman. Puta que pariu! E olha que nem sou um viciado em adrenalina, nem faço parte desse povo que quer tudo dinâmico.

Então, finalmente vi esse merda protagonizar um filme qualquer. Confesso que gostei da atuação dele. Ele mudou no meu conceito. Mas o filme serviu só para isso, apenas para me mostrar que o cara é bom ator. Mas, ainda assim, aquela cara de pastel dele me incomoda. É a mesma cara do Tom Cruize. Parece que está sempre cheirando peido. Do Tom Cruize, o percebi um excelente ator no filme Entrevista Com O Vampiro, mas vamos e convenhamos que ele estava bem diferente na pele do personagem, né? O único filme dele que realmente me agradou. O resto é sempre aquela cara, aquele jeito.

Williem Dafoe fez o investigador. Eu gosto dele. Na verdade, eu gosto de qualquer ator que não sejam Tom Cruize e Cristian Bale. Não, nesse filme o Tom Cruize não dá as caras. Graças a Deus! Mas descobri que o rival do Bale no filme era o Jared Leto. Putz! Esse Jared Leto é mesmo um camaleão! Não o reconheci. Acho muito interessante a capacidade que ele tem de compor seus personagens. Rapaz, fiquei pasmo agora...

Meu companheiro fica puto comigo, porque escolho o filme no miguelão, sem ficar tão interessado em sinopses, atores, nada. Se eu tivesse me atentado a saber mais sobre a produção, um pouco antes de botar para ver, eu não teria ficado surpreso. Ah, Ah!

Ontem, à tardezinha, vi também As Cores Do Mal: Preto, e gostei. Super indico. Quem sabe, eu fale em algum outro post, ou não. 

quinta-feira, 11 de junho de 2026

ANIVERSÁRIO DO PATO DONALD - PARTE 2


Esta é a segunda e última parte sobre a revista Pato Donald n° 2432, publlicada pela editora Abril em Junho de 2014, contendo 52 páginas no total, incluindo capa e contracapa, com preço de três reais e cinquenta centavos. A gente era feliz e não sabia. Hoje, doze anos após, as 52 páginas desse padrão de gibi custam no mínimo quase nove reais. Ah, Ah! 

Após aquela aventura de aniversário bem legal que mostrei na postagem anterior, há uma bela página com texto de Marcelo Alencar em comemoração ao aniversário do pato. É com muito prazer que compartilho as palavras dele aqui.

Uma historinha bem simples vem a seguir. Donald quer sossego no sofá, em plena tarde, mas seus sobrinhos não deixam. O Prof. Pardal empresta para ele um par de fone de ouvido que já vem com sons relaxantes da natureza. Isso me lembrou muito dos canais de sons relaxantes do YouTube, mas essa historinha certamente foi concebida antes dessa moda existir. 

Donald faz uso dos fones. Ele dorme tanto, mas tanto, que acorda todo feliz no dia seguinte e resolve devolver os fones para o Pardal, mas pensa em encomendar os seus. A graça é que ele saberá mais tarde algumas coisas desagradáveis que aconteceram enquanto dormia.

E finalmente chega a hora da aventura que faz jus à capa da revista. É Copa do Mundo, Donald, os sobrinhos e Patinhas estão no Brasil, assistindo aos jogos, direto no Estádio do Rio de Janeiro, torcendo pela seleção de Patópolis. A partida acaba na maior alegria. Em breve, o time enfrentaria outra seleção fictícia. 

Uma pena a história não ter mencionado de que estádio se tratava. Sequer houve um estádio de futebol desenhado, reconhecidamente. Acredito que seja para evitar conflitos a respeito do uso indevido de imagens, pois, hoje em dia, tudo virou uma espécie de marca com direitos reservados. 

Durante uma entrevista, o craque da vez acaba pasando mal após ingerir um suco fabricado por uma das empresas do Patinhas. Esse mal-estar tem a atuação dele comprometida para o próximo jogo. Após umas possibilidades facilmente descartadas pelo treinador do time, o mesmo fala para Patinhas sobre um craque que jogou pela seleção, há muitos anos. Esse craque não atua mais no futebol, mas ele tem um filho, o Zico, que herdou seu talento. Seria uma boa ideia encontrar o rapaz. A possibilidade de Patópolis ganhar o próximo jogo com ele atuando seria muito grande.

Patinhas encarregou Donald para encontrar Zico. Donald e os sobrinhos foram para a Amazônia, pois descobriram que era em algum lugar naquela área que residia a família do antigo jogador. A viagem teve que ser feita de carro. Em um momento, quando estavam chegando perto, saíram um pouco para descansar. Ao voltarem, perceberam que alguém tinha roubado os pneus. Ao colocar outros, Donald percebeu que o carro não dava a partida, então descobriu que o motor também tinha sido levado. Os patos resolveram pedir carona. Quem os abrigou ficou feliz da vida, pois eles acabaram organizando a maior bagunça que aquela família havia feito no interior do trailer

De onde tiraram a ideia de que no Brasil as famílias andam com trailers como se fossem suas moradias? A gente não tem essa cultura.

Desceram em um ponto e lá encontraram um senhor que já tinha entrado em contato com Patinhas e combinado o esquema de levá-los em seu barco. Fiquei olhando e pensando se aquilo se tratava de uma chalana. Digamos que sim.

Lá vai uma chalana, bem longe se vai...

Então pararam em um ponto onde os meninos resolveram catar mangas direto da mangueira. Nesse ínterim, alguém colocou a embarcação no meio do rio, para ser levada pela correnteza. Sorte que a habilidade de um dos sobrinhos (em subir numa palmeira que estava próxima ao barco) conseguiu impedir que a correnteza levasse o único meio de transporte que eles tinham ali.

Voltaram a fazer o percurso, até chegarem numa aldeia. Havia um pessoal jovem jogando bola. Normal. No Brasil, eu me surpreenderia se estivessem fazendo algo mais produtivo. Entre eles estava o tal do Zico, filho do ex-jogador patopolense. O pai, acostumado com a presença de olheiros, notou Donald e não ficou nada contente. Era nítido o ressentimento do senhor que não desejava o mesmo destino de craque de seleção ao seu filho. Nunca ficou óbvio por qual motivo ele mantinha esse rancor, mas o fato é que ele não queria esse tipo de envolvimento para o filho que, por sua vez, estava doido para realizar esse sonho. Imagine só, começar a carreira em um jogo decisivo de Copa de Mundo. Melhor oportunidade não haveria.

Achei estranho isso. Pai e filho são patopolenses, mas viviam no Brasil desde que o pai se afastou dos jogos. Mas, pensando bem, Patópolis nem é um país. É uma cidade que fica no Estado de Calisota: região fictícia que junta os nomes Califórnia e Minnesota. Sendo uma cidade e não um país, como disputam Copa do Mundo? Eh, Eh!

Diante daquela situação em que o pai batia o pé em não autorizar nada, o filho sugeriu que o pato passasse pelo desafio que era familiar a eles, mas completamente desconhecido ao Donald. Se o pato vencesse uma das provas do desafio, Zico jogaria na seleção.

Donald não teve escolha, teve que topar. Seu adversário era o Muque-Açu, um cidadão fortão, bem conhecido por todos. Donald parecia um filhote ao lado dele. 

A primeira missão era capturar um tucano, algo muito simples para os nativos, mas complicado demais para os patos. Após pesquisar no manual dos esconteiros mirins, descobriram um meio de atrair o bicho, imitando um tipo de mico que ele detesta. Donald começou a fazer isso, mas a imitação estava pouco convincente, só que um tucano então apareceu, nervoso, batendo com tudo na cabeça do pato jogando-o ao chão, atordoado. Um dos sobrinhos aproveitou o rasante da ave e a capturou com uma rede.

Todo feliz, Donald, pegou a rede com o tucano e correu para mostrar que o havia capturado primeiro, mas alguém colocou um galho seco no caminho, fazendo o pato tropeçar, cair e largar a rede. A ave escapou. O fortão levou a melhor nessa primeira prova. 

A segunda missão consistia em trazer uma sucuri viva. Tenso, hein? Como assim? E não é que o fortão logo achou uma e ficou no maior malabarismo ao dominá-la? E Donald não sabia, mas estava sendo "filmado" por outra que não perdeu tempo em dar o bote. Sendo muito grande, ela rapidamente o devorou. O sobrinhos, aterrorizados, não sabiam o que fazer. Uma providência deveria ser tomada logo ou prerderiam o tio para sempre. Um deles, em vez de ficar pensando e consultando isto e aquilo, resolveu ser prático: apanhou um pedaço de galho seco e fez dele um porrete contra a cabeça da sucuri, fazendo-a perder a consciência. Haja força no muque do patinho para conseguir essa proeza.

O outro abriu a boca do animal, assim Donald conseguiu sair. Com muito sacrifício, os patos se uniram para carregar a imensa serpente. No meio do percurso, alguém joga uma aranha bem na frente do Donald que tem a reação impulsiva de pular dentro do rio. Isso fez com que os patos chegassem atrasados ao local, pois o Muque-Açu já stava lá e mostrou que tinha dado até um nó no animal.

Ainda havia a última prova. A chance que Donald precisava se agarrar não foi nada fácil. A missão era levar um hipopótamo-pigmeu até um lugar conhecido como morro do papaya. Muque-açu ergueu o hipopótamo como se fosse um reles saco de arroz Tio João. Já Donald não conseguia mover sequer um ínfimo músculo do animal.

Pesquisando novamente, os sobrinhos descobriram uma fórmula fácil de fazer, com elementos da natureza, que proporcionava uma força descomunal. Mais que depressa, prepararam e deram para o Donald tomar. Foi tiro e queda. O hipopótamo virou peso pena para o pato que correu bastante ao longo do percurso, mas se atrapalhou ao obedecer uma placa com indicação falsa. Alguém havia trocado a direção dela. O pato logo percebeu e corrigiu a rota, mas o efeito da poção era temporário, de apenas quatro minutos, então, de repente, o animal voltou a ficar pesado e caiu em cima dele que não teve outra alternativa a não ser desisitr.

O ex-jogador ficou feliz pelo pato ter perdido todas as etapas. Conforme o combinado, seu filho não iria para o jogo da Copa no Rio. Zico mostra para o pai o celular de um dos garotos da aldeia. Ele registrou imagens que evidenciaram os sabotamentos contra o Donald. Algumas pessoas pegaram o sabotador, que era uma pessoa do time rival da próxima partida. Isso deveria tornar o resultado do desafio inválido, mas o ex-jogador preferiu manter o resultado. Donald continuava sendo o perdedor.

Os patos desolados pela irredutibilidade do homem voltaram para a chalana daquele senhor. Em seguida, a história já mostra Donald de volta ao estádio no Rio, chegando perto de Patinhas e informando que havia fracassado. A tristeza, o medo e a preocupação eram visíveis. Na sua cabeça, o tio iria espernear, ofender, xingar, fazer um escândalo, pois por sua causa a seleção de Patópolis perderia a Copa do Mundo. Tudo sua culpa. Incompetnente. Incapaz de trazer uma simples pessoa para jogar bola.

Antes de começar a contar tudo o que ele e os sobrinhos passaram, Zico apareceu e já estava até caracterizado, pronto para a partida. A explicação foi rápida: o rapaz contrariou o pai. Simples assim.

O último quadrinho mostra a partida de futebol evoluindo, Zico marcando mais um gol, segundo o narrador. A vitória da seleção patopolense estava cada vez mais próxima.

Essa aventura de 30 páginas com os patos na copa do Mundo no Rio encerra a revista. Os desenhos são muito bons, adorei o estilo, as cores, mas eu não engoli essa história de hipopótamo. No canal do Youtube, uma pessoa viu a versão em vídeo e comentou que Carl Barks, o aclamado pai dos patos, também fez isso em alguma de suas histórias. Desconheço, mas acredito. Porém, os trabalhos de Barks são muito antigos, de uma época sem Internet para se pesquisar facilmente as coisas. Na cabeça dele, haveria esse animal no Brasil. Na época dos primórdios de Barks, o povo dos istêites resumia o Brasil em selva, bichos e índios. Então, tudo bem Barks ter cometido essa falha há trocentos anos, na época de Gzuis. Mas, uma arte contemporânea fazer isso? Quero acreditar que tenha sido uma forma de homenagear Barks. Só assim para engolir.

Também não gostei da sucuri ter engolido o Donald. Achei um horror desnecessário e pouco crível, até para uma historinha boba de ficção. A cobra engole ele e depois o pato sai vivinho? Ahhh! 

No primeiro impacto, eu gostei da aventura. Agora que estou contando aqui é que reparei em alguns detalhes que poderiam torná-la melhor. Como é uma produção italiana (ou dinamarquesa), dou um desconto. Não dá para alguém de fora retratar com fidelidade outro país. No geral, para os jovens que são o verdadeiro público dessas produções, achei bem legal.

A revista Pato Donald (assim como Mickey, Minnie, Pateta e Tio Patinhas) costumava trazer uma página dedicada aos leitores que mandavam recadinhos, perguntas, sugestões, elogios. Desta vez, a edição não teve, pois não houve espaço. Às vezes acontecia isso, de as histórias comportarem as 50 páginas. Isso é muito bom, faz valer cada centavo. 

Um abraço. Até a próxima postagem.

terça-feira, 9 de junho de 2026

ANIVERSÁRIO DO PATO DONALD - PARTE 1

Hoje se comemora o aniversário do Pato Donald, 92 anos desde sua primeira aparição em um desenho animado chamado A Galinha Sábia. O pato é um dos meus personagens preferidos nos quadrinhos Disney. Super me identifico. 

Por isso, hoje, mostro uma revista bem legal. Além de comemorar o aniversário, ela traz uma aventura dos patos no Brasil em plena Copa do Mundo de 2014. Bora lá!

Pato Donald n° 2432 é de Junho de 2014, publicação da Editora Abril (saudades💓) com 52 páginas no total, incluindo capa, contracapa, com preço a três reais e cinquenta centavos. Hum... Como seria bom esse preço nos gibis de hoje!

A aventura que abre se chama O Melhor aniversário DeTodos Os Tempos e de cara a gente vê o Donald irritado porque tem que limpar a casa bem no dia do aniversário. A Margarida chega com presentes: um medicamento para digestão chamado Xameo-Ugo e um par de entradas para o passeio em um cruzeiro de luxo em torno do tão falado e perigoso triângulo de Patópolis (triângulo das bermudas). Esse sim, deixou o pato empolgado e agora dizendo que era o melhor aniversário de todos os tempos.

Prestes a embarcarem, um vento sorrateiro faz com que as entradas voem das mãos da Margarida e vão parar em pleno mar. Em vez de os iditoas fazerem o alarde para que o povo do cruzeiro se inteirasse da situação, eles ficaram caladinhos por sugestão do Donald que pensou não haver problemas em embarcar sem apresentar as entradas, já que estavam pagas. Então, quando entraram, mentiram para o encarregado, dizendo que só iam se despedir de uns passageiros. 


Ao longo do passeio, eles foram reconhecidos como forasteiros. Para escapar da perseguição, Donald teve a brilhante ideia de se esconder em um bote. O problema é que, quando ele entra, bate sem querer na alavanca que solta a pequena embarcação no mar. Então, ele e Margarida ficaram a esmo à frente do nevoeiro do triângulo de Patópolis. 

Depois de um cagaço imenso, temendo que algo de muito ruim fosse lhes acontecer, o nevoeiro se dissipou e a agitação do mar os atirou para uma ilha. 

Sem tempo para descansar, tiveram que correr para não se tornarem comida de grandes pterodáctilos, pois é, a ilha possuía uma quantidade imensa daqueles pássaros pré-históricos. Conseguiram se safar ao se encaminharem para um amontoado de rochas escalartes que logo se revelaram grandes caranguejos. A príncípio, Donald e Margarida se viram entre a cruz e a espada, mas logo se deram conta de que os caranguejos eram o alimento dos pterodáctilos. 

Os caranguejos começaram a se movimentar com rapidez, temendo o ataque dos pássaros pré-históricos. Donald e Margarida foram com a manada, até encontrarem um jeito de se enveredarem por uma mata. Achando que estavam seguros diante de uma grande árvore, foram capturados em dois segundos por um bando de homens robustos e peludos, no maior pintão de homens neandertais ou algo parecido.

Donald e Margarida ficaram temerosos, mas isso acabou quando ele foi colocado diante uma estátua para compará-lo àquela imagem profética que parecia dizer que ele foi enviado pelos deuses para o bem da tribo. O pato começou a ser tratado como um rei. 

Teve muita comida e festa. O detalhe é que os desenhos mostram só os homens corpulentos dançando uma coreografia onde batiam bunda. Com certeza, esse momento procurou mostrar de forma leve alguma outra coisa que não captei. Talvez foi a maneira de mostrar a viadagem local e mostrar como eles eram muitos, mas não estou bem certo disso, pois esse é um fator irrelevante, mas aposto que a música era Like A Prayer.

A Margarida fica muito irritada com a questão. Em um momento em que vê a "mãezona" indo para algum lugar, resolve segui-la, certa de que descobrirá alguma coisa. É nesse momento que ela ouve uma conversa dessa mãe dizendo que estava na hora de sacrificar o pato.

Margarida fica passada e quer logo contar para o Donald, mas a ogra-mãe esteve "filmando" ela o tempo todo, então a captura. Ela é levada para testemunhar o abate de Donald. Quando chega, vê o pato enjaulado e prestes a ser atirado às criaturas pré-históricas.

Naquele momento, o pai da ogra-mor está passando muito mal. Margarida quer saber o que ele tem, então a ogra fala que ele está sofrendo de um problema desconhecido no estômago. Ela e o povo acham que o grande líder está sucumbindo por causa de um tipo de força demoníaca, algo assim, por isso a necessidade de sacrificar o pato, porque acreditam que isso fará com que outras forças recuperem a saúde dele.

Ao ouvir tudo isso, Donald se lembra do medicamento que ganhou, o Xameo-Ugo. Mais que depressa, ele pega o remédio e joga para a Margarida que, por sua vez, corre para onde o pai da ogra está e faz ele engolir rapidão. Não demora nada, o grande líder dá um arroto de sacudir todo o arquipélado de Fernando de Noronha. Imagine o bafo desse povo competindo com o rio tietê em plena capital de São Paulo. Pois é. Depois do arrotão, o grande líder se levanta feliz da vida. A filha ogra percebe que os patos a ajudaram e cessa o sacrifício, um segundo antes de Donald virar comida jurássica.

Como gratidão, fazem outra festa. Donald volta a encher o bucho enquanto a viadagem corre solta ao som de músicas eufóricas, talvez uma Lady Gaga, Madonna ou sei lá.

A história mostra Donald e Margarida depois, na mesma embarcação pequena, só que fazendo o percurso de volta para Patópolis. Eles chegam até o nevoeiro, passam por ele, avistam o cruzeiro de luxo e percebem que estão perto de casa. 

O último quadrinho mostra a festa de aniversário que Donald encara em casa, organizada pela família que tinha ficado lá e preparado tudo.

O fato de terem voltado no mesmo barco fica a nosso critério se tudo não passou de imaginação, pois a história mostra ele se despedaçando ao ser arremessado contra a ilha. Como, então, pode estar intacto? Ou será que se tratava de outro barco? Isso não ficou claro, mas penso que esse é o propósito para fazer com que alguns interpretem que tudo não passou, talvez, de delírios pelo temor de se verem em pleno triângulo de Patópolis.

As pessoas que vêm aqui e não estão familiarizadas com esse universo de quadrinhos podem ter achado algumas coisas difíceis de engolir ou que certos fatos poderiam ter se resolvido de outra maneira. A gente que é velhão e sempre cresceu nesse universo sabe que a graça dessas historinhas está nesses tipos de coisas que são propositalmente caricatas e às vezes até beiram o absurdo. Esses quadrinhos são feitos para nos divertir, não para pregar lições tão corretas ou reais para a vida.

Ainda há mais duas histórias para comentar, mas vou fazer em outra postagem (prevista para o dia 11), já que me empolguei e tornei esta grande demais. Então, a próxima postagem trará o complemento da revista, principalmente a HQ do Donaldo no Brasil em plena Copa do Mundo de 2014.

Apressados podem ver a versão em vídeo no canal Faquadrinhos. Lá eu mostro a revista completa.

Um abraço. Até breve!

segunda-feira, 1 de junho de 2026

A BASE DO CAPITALISMO É A EXPLORAÇÃO DO POBRE


Lendo este livro, quero deixar documentado algumas coisas.

Achei que veria um texto bastante direto sobre socialismo, em ressonância com nosso sistema de governo atual ou, pelo menos, algo parecido.

Para minha surpresa, o que comecei a ler envolve questões existenciais do homem como espécie, procurando entender o princípio de nosso raciocínio. Estou  falando de uma vontade focada em descobrir de onde se originaram as primeiras ideias, os primeiros pensamentos do ser humano. 

Achei curioso e chato esse quê existencial e filosófico. 

O texto não tem uma pegada envolvente. É bom falar isso, porque vejo que me acostumei mal com narrações que fisgam a gente. Dar de cara com um texto sóbrio, duro e de estrutura datada (embora o português brasileiro seja o nosso atual) me fez questionar se estava obtendo o entendimento correto. E até agora não sei se o que entendi é isso mesmo, mas OK, vamos em frente. 

A narração fala da decadência do regime feudal na Europa, focando mais na Alemanha, Inglaterra e França, mas não só nesses países. E esse poder, digamos, enfraquecido acabou criando e fortalecendo uma nova classe, a dos burgueses, pois a divisão anterior era assim: 

- senhores proprietários de terras, com seus títulos de nobreza
- o pobre que não fazia outra coisa não ser trabalhar e vivia muito mal

Vale lembrar uma coisa, com o avanço do dinheiro, veio a ilusão de que trabalhar mais geraria mais aquisição de moedas. Mais moedas geraria mais aquisições de bens e isso identificaria a prosperidade de um lar. Antes, o sistema era basicamente mão-de-obra braçal em troca de coisas (comida, roupas, calçados, etc.).

Alguns favorecidos em dinheiro que também obtinham as graças da aristocracia (que tinha arrepios cada vez que sonhava em ter seu patamar de vida caindo), conseguiram se tornar indústrias de alguma coisa, organizando os pobres para trabalharem para eles na produção. Então criou-se o trabalho contratado como vemos hoje. É claro que naquela época as coisas eram diferentes, o livro não esclarece exatamente o passo a passo de como chegamos à CLT atual. Ele apenas me fez ter uma vaga noção desse início.

Esses industriais foram crescendo inicialmente com o apoio dos senhores poderosos que viram nessa nova classe uma massa aliada contra a Igreja cada vez mais poderosa e influente, adquirindo credibilidade em seus domínios, querendo ser ela o poder supremo de tudo. E quando falo em Igreja, eu me refiro à católica apostólica romana.

Eu me lembrei de um amigo que me falou uma coisa interessante: Não existe vácuo de poder. Se abre uma lacuna, ela logo é preenchida com outro tipo de poder. 

A Igreja começou a representar uma ameaça aos poderosos, vez que ela possuía cada vez maior influência entre a massa operária e vinha mantendo relações importantes com fins de aumentar sua riqueza. 

Os poderosos viram na classe desses industriais o freio que tanto precisavam para acabar com aquele tipo de poder religioso. Parecia o casamento perfeito, pois o povo seria controlado pelos industriais que, por sua vez, ajudariam a nobreza a se manter no poder. 

Só que o homem nunca fica satisfeito, ele sempre quer mais. A Igreja quis o poder dos aristocratas, a burguesia ajudou a detê-la, mas não por uma causa nobre senão a única ambição de também obter esse mesmo poder, só que, ao contrário dos religiosos, houve um consenso natural de que era mais negócio um alimentar o outro, assim ambos desfrutariam da mão de obra operária e sua produtividade.

Se entendi certo, essas indústrias são o que chamamos hoje de burguesia. Por isso a letra do Cazuza me veio à mente, a burguesia fede, pois a burguesia veio da classe operária, não da nobreza. O sonho da burguesia é essa nobreza, mas o livro me fez entender a possibilidade remota desse alpinismo social, por mais que alguns burgueses elevem seu patamar.  

Voltando um pouco no tempo, antes do capitalismo dar tanto poder aos industriais, focando de novo sobre a Igreja...

Do que entendi (e resumindo bem a questão), sempre houve um grande respeito à doutrina, tanto que os senhores do poder, na época, começaram a dar espaço demais para a Igreja. Deram tanta confiança que a Igreja se tornou o próprio feudalismo e esses nobres se viram no risco de perderem seus bens e seu poder. 

A Igreja, antes vista com bons olhos, começou a se parecer com um grande polvo cheio de tentáculos querendo pegar todo mundo. Quando ela se voltava focando nos pobres -- que desde aquela época eram serviçais para manter o sustento e o patamar de vida dos ricos -- tudo ia bem. A partir do momento em que ela começou a olhar com mais ênfase para o que os poderosos tinham de valioso, começou a incomodar.

A Igreja agia com soberania. Era preciso conter essa ação. Então eis que surge Martinho Lutero. 

Sempre achei que Lutero se rebelasse contra a doutrina por uma questão de fé, mas o livro me fez ver a coisa toda por um novo prisma. Precisamo lembrar que a Igreja não era tão fofinha como vemos hoje em dia. Havia algo de autoritário nela, até de perverso. O povo acreditava em fogo do inferno, garfinho do diabo, então eram outros tempos.

Agora me pergunto se Lutero foi um grande oportunista ou apenas um fantoche dos feudais? Talvez, um poucos de ambos.

Mais uma vez, a aristocracia deu confiança a quem não deveria. Dando asas aos burgueses, começou a se ver nas mãos deles, pois os burgueses sabiam como manejar o gado a contento dos aristocratas. Um povo feliz na sua miséria é um povo que continua a trabalhar, achando-se importante. 

Isso era bom para os burgueses, pois tinham sua produção e o lucro delas. E era ótimo para os aristocratas que maninham seu oneroso e respeitável padrão de vida. Então, a burguesia passou a ser necessária para a aristocracia. Até hoje, eu penso, é um misto de amor e ódio, pois um precisa do outro. A meta é, um dia, a burguesia conseguir garantir sua subsistência sem precisar da aristocracia, ou então se tornar a própria. Vejam Elon Musk, por exemplo. 

Há um ponto onde os operários pedem mais. Começam as reivindicações por direitos, as coisas mudam e tudo se complica. Os operários, antes, tão explorados e conformados, com o passar do tempo, passaram a questionar e exigir. Falou-se da França e da Alemanha. Não lembro as datas, não guardo exatamente tudo que leio, mas entendo mais do que consigo me expressar.

Eu não terminei a leitura. Confesso que li metade do livro e, do ponto em que parei, a narração mostra como sendo utópica essa coisa que muitos pensam de acabar com a miséria, o pobre deixar de ser pobre e todos viverem em um alto patamar de vida. A probabilidade de uma desigualdade social ocorrer a nível mundial, na verdade, tende a jogar todos os níveis de consumo para baixo, em vez de elevá-los. 

Parei de ler porque o livro me fez sentir como um cocô. O entendimento que tive é o de que a massa operária é utilizada apenas como aquele excremento que serve como adubo para o agro. E se você, pobre, não vem servindo nem para isso, sua existência está atrapalhando todo o sistema, inclusive o de pessoas relacionadas a você. 

Traduzindo nos dias de hoje, pessoas sustentadas pelo governo, que nada produzem de substancial ao sistema, não deveriam existir. 

Entenderam porque resolvi não continuar? Pode ser que meu entendimento esteja errado, às vezes acho que tenho o intelecto comprometido, pois não é possível que o mundo seja da forma como venho entendendo. Mas aí está o que entendi de metade do livro.

Talvez eu leia em doses homeopáticas algumas páginas a mais. Quem sabe? Mas, a questão é existencial. Não sei se quero esses espelhos me mostrando as coisas que não desejo ver. Talvez não valha a pena.

Meu olhar para as últimas eleições, depois de ler o que li, é que tanto faz quem ganhar agora, ou em 2030, pois eu deveria estar morto, sou um peso no sistema e político nenhum quer outra coisa a não ser manter o capitalismo cada vez mais selvagem, pois o mundo não se sustenta por outros meios se não explorando cada vez mais o pobre.

A versão dessa exploração na era digital está aí, para todo mundo ver. Redes sociais abarrotadas de conteúdos produzidos por todo mundo, mas só 1% ganha alguma coisa. E dentro desse 1%, alguns poucos é que realmente vivem da Internet. Os outros ganham merrecas e a grande massa que abastece todas as plataformas nunca ganhou sequer um centavo, mas as plataformas nutrem em todos a sensação de importância, relevância sobre o que fazem, elas nutrem o sonho do orgulho em realizar, adquirir por méritos alguma coisa. Como falei bem antes, segundo entendi no livro, a burguesia faz o pobre se sentir importante para gostar de ser explorado.

As coisas não estão diferentes, apenas possuem outra roupagem. A exploração nunca deixou de existir e nunca deixará. O dia em que isso acontecer, o mundo colapsará. 

quarta-feira, 27 de maio de 2026

SAUDADES

Saudades.

Pode ser de coisas boas. Pode ser de coisas ruins. As saudades são sempre sobre algo que já se foi, não pertencem mais ao nosso tempo. Se elas ainda estivessem, seriam presentes. 

E nem todos os presentes são bons, não é mesmo? É...

Saudades de um tempo em que era fácil pensar no futuro. Eu era jovem, olhava para a vida como se ela fosse uma estrada grande a ser percorrida. E eu estava ali, tão longe de onde alcançava a minha vista. Dava até preguiça. Era confortável. Eu tinha muito tempo. 

Esse é o olhar que eu tenho hoje, lembrando um passado que nunca existiu.

É. Porque, quando eu era jovem e tinha todo esse percurso pela frente, eu já vivia questões internas conflituosas, seja por cobranças ou pela não aceitação de certas coisas. Então a realidade do meu passado nunca me ofereceu uma estrada longeva e uma atmosfera pacífica, esperando a minha vontade em transitar por ela. 

Se eu tivesse que vislumbrar a estrada real diante de mim naqueles tempos, diria que foi um lugar estranho, onde me senti pouco à vontade, angustiado, receoso. Me botavam em uma estrada indesejada, repleta de percevejos, borrachudos, aranhas peçonhentas, ratos e serpentes. Eu não queria ficar ali, mas era ali que me mandavam ficar.

A estrada que escolhi era ruim. Assim me diziam. Uma estrada limpa, clara, plana, com vista para um campinho e um lago com gansos e patos, galinha e marrecos, cães e gatos. 

Essa estrada era uma ilusão. Tudo fruto da minha imaginação. A estrada de verdade era aquela, a trevosa, a sinistra, a que me fazia ver gente brigando, se estapeando, desejos quebrados, enterrados. Mortos, não pelo impacto, mas pela dor. A dor da inanição. A dor da desolação que ninguém vê. E quando vê, não se importa.

Aquela era a estrada. A outra, não era nada.

Então, hoje, para mim, é fácil ter saudades do que já se foi. Porque seleciono as saudades de um tempo que nunca existiu, não daquele que passou.


Eu me inspirei subitamente após ler o post do Luciano Otaciano 

Muito obrigado, Luciano, pela inspiração. As palavras vieram da minha alma.

domingo, 24 de maio de 2026

PAPO DE ESCRITOR, SOBRE MEUS EBOOKS ATUALMENTE

Na Amazon, existe uma diferença entre os ebooks que as pessoas pegam e os que elas leem.

Sou autor de mais de vinte ebooks lá, e percebo ser comum alguém baixar, por exemplo, Contos de Bebê Reborn e não ler. Assim como é normal ver nos relartórios um mundo de páginas lidas de Ex-Padrasto

Mas, se ninguém pegou esse ebook, como pode haver tantas páginas lidas?

As pessoas pegaram em uma determinada ocasião e deixaram o coitado na fila. Então, em um belo dia, elas leram. 

Um fator que colabora com esse tipo situação é a promoção do ebook gratuito. A única ferramenta decente que a Amazon nos fornece para pescarmos alguns leitores. Lembro que uma vez baixaram quase duzentos ebooks meus, agora não me lembro o título, era um dos contos eróticos. Do número impressionante de aquisições em 24 horas, apenas 1% das pessoas leram logo. Os outros 99% vieram picadinhos, pedacinhos pe-que-ni-ni-nhos, em épocas diferentes.

Eu já tinha me acostumado a ver os relatórios e ter sempre um número de páginas lidas nos títulos: O Caseiro Na Minha Sauna, Quarentena Ardente, O Deleite da Madrugada 1 e 2.

Então resolvi melhorar minha escrita e proporcionar maior qualidade nas histórias. Escrevi coisas onde o foco não era só foda, tesão e libido. Alguns desses títulos, eu confesso, achei que me projetariam de maneira mais digna e interessante nesse meio, mas a verdade é que estão mofando. Em comparação aos títulos eróticos, é como se nem existissem.

Arrependido? Não. Eu, hoje, escrevo melhor que ontem. Isso é notório e custa um tempo bem maior do que pensei. O que eu sinto é o mesmo que muito autores de ebooks que também não são lidos. Sou mais um na multidão. Meus livros são invisíveis, não despertam interesse e não há muito o que fazer. Mesmo quando coloco grátis, ninguém pega. 

Hoje, vi o relatório exibindo mais páginas lidas de Ex-Padrasto e Aquela Manhã Especial. Este último, um conto nenhum pouco criativo, só para haver uma continuidade de título, já que também existe o Aquela Noite Especial. Nada constou sobre O Caminhante da Madrugada, nem sobre Contos de Bebê Reborn, A Tempestade Lá Dentro, Viúvo No Carnaval

Ah, mais eu vi que alguém se interessou pelo Calcinha Preta de Renda. Alguém o pegou. Quando será que vai ler? 

As pessoas não querem saber em mergulhar nas camadas do comportamento de um ser humano. Refletir sobre a condição existencial de alguém, em como isso bate em si mesmas. 

Elas preferem o oba-oba do carnal, ainda que mal-feito.

Não faz muito tempo, vi um movimento de youtubers falando horrores sobre os livros eróticos. Um dos fatores que favoreceu o deboche eram as capas. Lembrei que O Deleite da Madrugada mostrava dois homens de cueca se pegando. Caí na burrada de trocar as capas por outras que considerei mais elegantes. Desde então, ninguém nunca mais pegou esse título. Quem pegou não teve vontade de ler. Ele simplesmente não aparece mais nos relatórios. 

Para você ver como a capa é importante. Ex-Padrasto não tem nada de ato íntimo consumado, mas muita gente pega o primeiro ebook por causa do tiozão quase mostrando o bilau na capa. A sensação é que ele vai pular da tela e se esfregar na sua cara. Sim, é vulgar, é isto, é aquilo, mas, se não fosse essa capa, as pessoas não pegariam e não leriam.

Bom, é isso. A intenção não é me queixar de nada, apenas conversar um pouco sobre como é esse cenário. Muita gente cagando regras nos youtubes da vida, mas só você -- somente você que escreve -- sabe o que deve fazer em relação à sua trajetória. Não adianta eu vir aqui e dizer coisas que podem ajudar. De repente, o que funciona para mim não funcionará jamais para você.

Um abraço, até o próximo post.


quarta-feira, 20 de maio de 2026

EU E AS TURMAS DOS GIBIS

Tenho muito carinho pela turma da Mônica. Lembro que essa turminha andava lado com a da Disney (em minha casa). Também conheci Luluzinha e Bolinha. 

Estou falando dos meus tempos de criança. De quando, fiz um desenho do Bugu no caderno da escola, no primeiro ano, mostrando para a prôfe que eu sabia pegar no lápis, mas não estava a fim de fazer chuvinha e bolinha. Ganhei um recado na página. Nem lembro o que era, algo do tipo seu filho tem que prestar mais atenção na aula

Hoje, com quase 49 anos e aparência de idoso, tento me despojar de conflitos por ainda ler gibi, por gastar dinheiro, tempo e atenção com esses personagens que são para criancinhas. Conheci muitos outros tipos de quadrinhos, até mais condizentes com minha idade, mas minha vida parece marcada, enfeitiçada pelos da infância. 


Passei por um período em que não tive sequer uma revistinha 

Eu não lia nada. Nada emprestado. Nada em lugar nenhum.

Um dia, indo e vindo de hospital, tendo que me acostumar com certas coisas, meu companheiro me deu um gibi. 

Pronto! Eu nem imaginava, era só um inofensivo gibi. 

Bom... Já faz quase vinte anos que não largo mais o gibi.


Hoje eu vejo que a vida passou depressa demais para me apegar só ao passado. 

O novo? Como que o novo é? Vou gostar? Não vou gostar? Não importa. Eu quero.

E aqui estou eu, com três dos sete títulos de uma fase nova da turma da Mônica. 

No próximo post, pretendo falar sobre elas.

A BOSTA DO PSICOPATA AMERICANO

Um belo homem acorda e começa a se preparar para mais um dia. Ele é um executivo de sucesso e mostra para nós como é sua rotina, como faz a ...