domingo, 15 de fevereiro de 2026

SPOILER - SÓ QUE NÃO!

Meu conto do carnaval, com muito empenho, terminarei amanhã, segundona braba onde ainda permanece a data, embora sem a intensidade dos primeiros dias. 

Mas isso não importa. Tive que acrescentar coisas não planejadas que mudaram o andamento da história, tornando-a maior do que o previsto e diferente.

Por exemplo: eu ia colocar um momento hot. Mas abri mão, preferindo focar nas relações humanas, no comportamento dos personagens, propiciando camadas para se refletir.

Compartilho, agora, a única passagem um tanto mais quente que terá na história. Nem é spoiler, pois é um pouquinho dentro de muitas páginas, o que não coloca em cheque o andamento da trama.

Ao abrir o portão, o sujeito foi logo perguntando pela mãe.

João Paulo explicou que ela tinha ido embora, mas lhe deixou uma sacola.

Era um homem bonito. Teria sido mais interessante se a droga já não estivesse tornando seu corpo degradante.

Ele, que segurava um toco de cigarro entre os dedos, o atirou longe e quis saber se podeira usar o banheiro.

João Paulo permitiu.

Apesar de muito latir no início, Bola não teve vontade de contê-lo. Romualdo não era exatamente um estranho. 

O cão, acostumado com a variedade de pessoas recebidas pelos donos, ao longo dos anos, sabia que deveria focar no comportamento delas, nem tanto na identidade. 

Romualdo, apesar da má fama, não representava uma ameaça. 

Apanhou a sacola que João Paulo lhe deu e entrou.

Na sala, fez questão de olhar as peças. 

Sentia-se à vontade. Ele estava de pé, olhando cada uma das roupas, elaborando considerações cômicas.

João Paulo, acomodado no sofá, achava engraçado.

Duas bermudas e duas camisetas. De grife. Originais.

A destreza do malandro era tanta que ele averiguou peça por peça e manteve o dinheiro no interior da sacola. Achava que João Paulo não soubesse da grana, que era um inocente no jogo.

Em meio à leveza do momento, João Paulo perguntou:

— Você ainda está mandando ver como entregador naquele ponto de moto táxi?

— Não! Saí daquela toca de marmota não tem muito tempo!

Ele tinha um jeito um tanto animado, entusiasmante de se posicionar. Sabia que os gays o consideravam atraente. O macho magrelo da barba desgrenhada, olhar malvado em meio àquelas sobrancelhas expressivas. 

Mantinha certo carisma. Estratégia ou natureza? Não se sabia. 

— Que pena — João Paulo comentou.

— Pena nada! Só me passavam “caroço”! Perdi minha moto por causa dessas “roubadas”! Daí, fui demitido sem direito a nada! E ainda disseram que era para eu agradecer pelo fato de o cliente não ter feito um B.O, pois eu teria que responder na justiça.

— Ninguém merece.

— Comi o cu do cara!

— O quê?! Como assim?

— Comi o cu do dono daquela espelunca! Sabe quem é ele?

— Não.

— É um investigador de polícia bem manjado! Todo brabão! Sentou gostoso na minha rola!

— Ué, como foi isso?

— Os caras, os amigos lá do trampo, estavam me zoando porque eu tinha perdido a moto e queria ser ressarcido. Falei para eles sobre os direitos sobre acidente de trabalho, a moto ser minha ferramenta, coisa e tal. Os caras, só me zoando, mandando eu “vazar”, falando que eu não tinha mais o que fazer lá, sem moto, que era para eu “vazar”. Daí, eu falei que gostaria de resolver essa questão com o proprietário. Eles não me levaram a sério, mas, resumindo, um deles acabou me passando o contato do homem. Quando eu vi, eu só ri.

— Você riu? Você não ficou com medo?

— Medo?! Medo de quê? Eu levo esses caras na flauta! Eles arreganham o cu para mim!

— Ah, tá.

— Sério! O cara sentou gostoso na minha piroca, João! Posso te chamar de João?

— Pode.

Romualdo chegou bem mais perto, olhou bem nos olhos de João Paulo e perguntou, utilizando, de repente, uma voz baixa de predador:

— Ou prefere que eu te chame de João Paulo?

João Paulo ficou subitamente hipnotizando por aquela investida inesperada. Os olhos atentos e devoradores dele junto aos seus.

Aquele olhar penetrante, a fala grossa, a barba cheia e escura trazendo uma fragrância, um cheiro de macho… 

— Hein, João Paulo?

Romualdo chegou seu rosto bem próximo ao dele. 

O hálito quente, com resquícios de nicotina. 

A voz cada vez mais baixa, grave, dominadora.

— É João? Ou é João Paulo?

Os rostos se tocaram. 

— Hein, João?

Romualdo expeliu sua respiração todinha para dentro das narinas de João Paulo. 

— Hein, João Paulo?

João Paulo respirou o odor transferido pelas narinas peludas de Romualdo. Inebriou-se.

Os lábios se tocaram. Sutilmente. 

Primeiro chegaram os pelos do bigode grosso de Romualdo. 

Sem pressa. Ninguém ali estava com hora marcada para nada.

João Paulo continuava hipnotizado, adorando respirá-lo, sentir o cheiro do macho. 

Os lábios se tocaram, mas João Paulo se arrepiou mesmo por causa dos pelos. 

E aquele toque sutil, boca a boca, era permanente e sedutor. 

Os narizes também se tocavam. 

Os rostos pareciam obedecer a uma dança romântica ensaiada.

Só que estava acontecendo tudo naturalmente. 

Romualdo sabia ser envolvente.


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

UM CONTO NO CARNAVAL

Torçam para que eu consiga acabar o conto dentro deste carnaval.

A história é um drama sobre um senhor que perdeu a pessoa amada em pleno carnaval. O leitor vai acompanhando isso, os primeiros momentos de seu luto.

Esta não é a capa da história. É só uma ilustração que a I.A Gemini me deu.

sábado, 7 de fevereiro de 2026

A TEMPESTADE LÁ DENTRO - 2a. EDIÇÃO

Para este mês, trago a segunda edição de "A Tempestade Lá Dentro", ebook devidamente revisado e modificado, em nome de uma leitura melhor. 

É aquela história: fui mexer em correções pontuais, mas, ao abrir o arquivo, não gostei nada do que vi. 

Aonde eu estava com a cabeça, de meter imagens dentro do livro? 

Não! Em ebook, só texto! 

Leitores(as) de verdade querem texto!

Reli e refiz boa parte do texto, incluindo a diagramação. 

A história é a mesma, mas foram tantas mudanças, que considero a segunda edição. 

Se você já leu, mergulhe novamente nesta piscina de lágrimas!

A história é um drama sobre um relacionamento longo que não ia para a frente e deixou a mulher descontente. Poucas páginas com uma carga intensa de emoção para os corações mais sensíveis.

Novo livro, nova capa! A primeira deixará saudades. A parte frontal do casarão é simplesmente perfeita. 

A imagem é de uso público, provavelmente do Pexels, já que gosto muito desse site. 

A capa atual veio pelo ChatGPT. Não foi tão simples como pensei: ela alucinou, me deu algo com cara de fita de filme em VHS dos anos 80. 

Tivemos uma D.R, daí ela me entregou algo legal. 

Fiz pequenas adaptações em luz, sombra, coloquei o texto sobre ser a segunda edição e "Voilá!"


Às pessoas interessadas, se vocês têm assinatura do Kindle Unlimited, vocês leem de graça este e muitos outros ebooks meus. Se não possuem, o valor é tão insignificante que vocês pagam sorrindo. Pensem que é um carinho que estão fazendo neste homem bonito e gostoso.

Amanhã e depois, dias 08 e 09 de Fevereiro, ele estará gratuito. Para garantir o seu, clique aqui

Para terminar, deixo um abraço a todos(as) que devem ter notado meu sumiço.

É pura falta de tempo! 

Vocês podem me acompanhar no meu canal de reflexões, Fabiano Café Gay, no meu canal de quadrinhos, Amigo do Gibi e no meu Facebook e Instagram 

domingo, 11 de janeiro de 2026

MUDANÇA DE CAPA EM "CALCINHA PRETA DE RENDA"

Agradeço ao grande amigo escritor, Luciano Otaciano, autor de obras que  adorei ler (ELO, Desamante, Bagulhão, Conto de Narcisa etc.), pela resenha do "Calcinha Preta de Renda" em seu blog. Muito obrigado, meu caro! O seu "Pensamento Solto" é muito necessário. 

O ebook está de capa nova na Amazon. O que aconteceu, eu explico:

A capa anterior (minha opinião) é muito mais interessante. É uma imagem que peguei no Pexels: um site próprio para imagens disponíveis, sem reivindicação de direitos autorais. 

Achei a moça interessante, principalmente a calcinha dela - tudo o que imaginei. Fiz o recorte da área que me interessava e ele se tornou a capa. 

Acontece que fiquei cismado por não ver um ínfimo resultado prático. Cheguei a fazer um anúncio no Meta, mas não fiquei nada satisfeito. Será que a plataforma é ruim para achar o público alvo, ou fizeram de propósito porque consideraram minha capa inadequada? Eu percebo que, algumas vezes, quando a gente posta algo, a rede social sequer entrega para quem não está em sua lista de contatos, mesmo a configuração permitindo. E não adianta apontar para uma. Parece que todas detêm esse tipo de poder.

É com pesar no coração que mudei a capa. Fiz esta na inteligência artificial Gemini, do Google. São dois personagens importantes na história. Quem leu já sacou de quem se trata. 

Achei que seria procurado por algum jornalista cultural da Veja, Globo, ABL, ou receberia propostas de editoras como a DarkSide ou Companhia das Letras. Achei que teria que trabalhar minha modéstia, sabe? Organizar material para mostrar, no Inteligência Ltda ou no Flow Podcast, como sempre tive uma vida simples e sofrida. Combinar com os vizinhos o que eles falariam sobre mim na matéria de abertura do Fantástico. Haja cinquentinha para o Pix nas contas deles. Se chorar no depoimento, sobe para oitenta, mas tem que convencer.

Mas...

Lançar isto e nada foi a mesmíssima coisa. Lançar 30, 40 ebooks e nada resulta na mesmíssima coisa. Lançar 500 ebooks e nada também dará no mesmo. E também não importa o número de páginas. Tudo bem, eu lido bem com isso.

Eu: 

A Internet é um castelo repleto de ilusões. A gente precisa tomar cuidado para manter os pés no chão, sempre.

Quem nasceu para ser mortadela jamais será salaminho.

Para encerrar, lembro que o ebook está na Amazon. R$ 3,99 no Brasil ou gratuito para assinantes do Kindle Unlimited. Garanta o seu clicando aqui

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

A TEMPESTADE LÁ DENTRO

"A TEMPESTADE LÁ DENTRO" está de graça na Amazon, somente hoje.

É um conto enxuto focado no drama de uma jovem, seu relacionamento, o desgaste, o amor que fala mais alto e sua decisão. Não tenho muito o que falar, mas a carga dramática é grande. Há um e outro erro de digitação, tenho preguiça de corrigir, mas a história é muito boa. Vale a pena.

https://www.amazon.com.br/dp/B0DGY8YC55


quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

"CALCINHA PRETA DE RENDA" PARA OS(AS) PUTOS(AS) NA AMAZON

Lançado hoje, na Amazon, meu mais novo ebook: CALCINHA PRETA DE RENDA - um conto erótico dark com estimadas 38 páginas. 
- mulher pelada,
- emboscada, 
- invasão, 
- faccionados, 
- sexo, 
- armas e balas, 
- matança e perversão. 
O Pânico e a violência correm soltos pelas páginas, deixando o(a) leitor(a) cadelão(cadelona) ordinário(a) com a fuça grudada na tela. 
Vai lá, safado(a)! Só R$ 3,99 essa putaria doida!


sábado, 3 de janeiro de 2026

FILME | A ÙLTIMA PARADA DO ARIZONA

Minha primeira postagem do ano não será para comentar como foi a virada do calendário, nem focar em algo existencial, como gosto de compartilhar. Quero apenas indicar este filme que assisti na Netflix. Falo onde vi, pois acho que assim ajudo aquela pessoa que se interessa, mas entendo que ninguém saberá como encontrar essa produção no futuro, vez que os filmes andam pulando de um streaming para outro, assim a gente perde a noção e fica até com preguiça de procurar. Mas, vamos lá. Hoje, eu vi na Netflix. 

A imagem acima diz tudo sobre o que você vai encontrar na trama inteira. Esse clima aí. O ator que está rendendo a atendente merece um prêmio. Dá medo e ranço ao mesmo tempo, só de olhar para a cara dele.

Houve um assalto a banco. A dupla precisou abastecer o carro em um desses postos de beira de estrada - uma paisagem árida, hostil, largada, com um calor infernal daqueles de fazer suar e feder a gente, do jeito que costuma ser aqui em Ribeirão Preto. Na lanchonete do local, eles fazem a atendente e um vendedor de refém. 

O barato da situação é que vai chegando mais gente ao longo da história. E esse povo fica ali, mas não faz ideia do que está ocorrendo. Tornam-se reféns sem saber. Mas há um clima tenso, permanente, e uma hora a coisa vem à tona, então eu gargalhei alto quando um por um dos clientes foi revelando cada qual a sua arma. Sim. Todo mundo tinha uma arma de fogo para chamar de sua, até um frágil casal de velhinhos. Ah, Ah!

Prefiro não contar mais nada. É um filme que achei uma delícia de assitir. Peca no fim, como vem sendo com muita coisa, ultimamente, mas achei tudo muito divertido. Valeu a pena ter assistido. Só uma hora e meia grudado em frente à TV.

SPOILER - SÓ QUE NÃO!

Meu conto do carnaval, com muito empenho, terminarei amanhã, segundona braba onde ainda permanece a data, embora sem a intensidade dos prime...