Fabiano Café Gay
Crônicas, contos, opiniões que ninguém pediu
segunda-feira, 20 de julho de 2026
FICOU NA LEMBRANÇA
quinta-feira, 16 de julho de 2026
UMA POESIA NADA FOFA
até os raios de sol
bocejavam atrás das árvores.
E eu, obrigado a ir tirar sangue,
lembro que até os vampiros
o colhem à noite.
No mercedão que nunca terei,
aquele que é de todo mundo
e de ninguém ao mesmo tempo,
sentei ao lado de uma mulher
que resolveu conversar.
É doença pra lá
doença pra cá
doença que era dela
doença que era dos outros
doença que poderia ser minha
Joguei pedra na cruz, só podia.
Depois reclamou do SUS,
mas o Lula é um coitado
O pobrema é o crime
e o hômi-secsual
Mas Gzuis tá vendo tudo
Esse povo vai ver depois
E eu pensando: depois quando?
A dona tá viajando.
Fiquei me perguntando:
Quem sou eu
nessa imensidão,
apenas mais um
xexelento na fila do pão.
O ponto dela chegou.
Graças a Deus!
Antes de descer,
deixou um beijo no meu rosto
e sorriu:
— Nosso santo bateu.
Isso é energia boa.
Também sorri e só pensei:
-- Isso é só paciência, boba.
Olhei para o chão
Averiguei meu saco,
se já batia lá,
e o ônibus seguiu.
E eu descobri
que de manhã
o meu destino
me dá uma passagem
para o inferno,
só para lembrar
que uma desconhecida
pode me atormentar
por alguns quilômetros,
terça-feira, 14 de julho de 2026
CANIBAIS [THE GREEN INFERNO]
sábado, 11 de julho de 2026
AMIGO, PERO NO MUCHO
terça-feira, 7 de julho de 2026
BRINCANDO COM A DONA CHICA
Ela colocou essas imagens e pediu para criarmos qualquer coisa inspirada no que vemos.
Foi superfácil. Confesso que me inspirei em causas humanitárias. Vejam só o que escrevi.
Uma torre na inundação
Penso nas pessoas malas
Que eu poderia jogar nessas águas
Para alimentar um tubarão
Para ir ao blog do Dona Chica, clique aqui
sábado, 4 de julho de 2026
ELA
Ainda sinto o gosto dela. É estranho!
Ela sempre foi minha amiga, a pessoa que me conhecia mais do que um membro da minha família. E eu achando que sabia de cada contorno da sua alma...
Noite calma, brisa agradável, sugerindo um cobertor na hora de dormir.
A luz baixa da sala realçava as afinidades das nossas sombras enquanto a gente conversava amenidades. Eu estava encostado na bancada da cozinha e ela parada à minha frente falava, falava e falava.
Como não percebi o brilho nos seus olhos? Havia algo de diferente neles. Atribuí ao clima, a qualquer tipo de coisa que me viesse na cabeça. Nunca imaginei aquela energia.
Ela parou de falar no meio de uma frase e, antes que eu pudesse perguntar se estava tudo bem, vi que a ínfima distância entre nós havia desaparecido. Suas mãos agarraram a gola da minha camisa e me puxaram com uma autoridade que me deixou assustado. O beijo não soou como uma tentativa. Pareceu uma reivindicação.
Minha mente bugou! Nunca achei que passaríamos da camada de bons amigos. Senti forte as batidas do meu coração.
O choque inicial deu lugar ao instinto natural. Minhas mãos se firmaram em sua cintura e eu correspondi ao que classifico como o beijo da descoberta: quando o sentimento está aprisionado por anos e, na primeira oportunidade, ele se liberta.
Quando ela se afastou, vi a realização plena em seu olhar baixo, envergonhado. O peso do que tinha acabado de ocorrer a deixou desconcertada.
Vi o rubor tomando conta da sua carinha, o constrangimento ocupando o lugar da coragem que a tinha dominado segundos antes.
Seu olhar se voltou para mim. O silêncio permaneceu. Contente, achei que seria bom sorrir. Esbocei um ar de satisfação. Fui discreto, eu acho.
Ela ficou me olhando como se visse um fantasma. Então saiu às pressas. Não pude dizer sequer uma palavra.
Agora estou parado no meio da sala. A brisa exaurindo o calor que tinha tomado conta do meu corpo, o fluxo de energia subitamente gostoso.
Ela foi embora. A minha melhor amiga junto com a namorada que eu gostaria.
Eu não sabia de nada, eu não consegui fazer nada, mas...
Droga! Como eu queria que ela tivesse ficado.
domingo, 28 de junho de 2026
DOMINGO NO ESCURO
Droga! A luz acabou justo quando eu estava olhando a influencer explicar o ponto do leite talhado para fazer um bom queijo caseiro. Achei que logo voltaria. Faz meia hora que a escuridão está me abraçando. E ela aumenta de intensidade, cada vez mais, pois é finalzinho de tarde, a noite está chegando.
Estou com comida no fogão.
E o que isso tem a ver? O fogão é a gás.
O fogão é a gás, mas preciso de luz para verificar o ponto dos alimentos.
Apanho o celular, procuro contatos em outros lugares da cidade. O primeiro é um senhor acadêmico 'funça'. Muito inteligente, blogueiro e dono de canal no Youtube, mora num bairro de gente metida, bem longe daqui. O que eu quero? Saber se tem luz lá.
Passa um tempo, ele não responde. Comendo a mulher? Não creio. Ele adora uma boa cerva. Deve ter desmaiado. Deve estar babando espuma da última loirinha que consumiu.
Procuro outro contato, um escritor como eu, focado em universos fantásticos, lutas e jogos de poder. Mesmo se exercitando ao ar livre (vaidoso que só), a resposta veio logo. Lá, tudo ok. Mandou até um vídeo de um povo reunido na rua preparada para um evento.
Festa junina? Provavelmente.
Por que meu corpo reage mal a essas aglomerações? Antigamente não era assim.
Fiquei olhando aquilo. Melhor esta escuridão do que a luz daquele monte de gente.
Passou um tempo e chegou a resposta do senhor acadêmico. Lá também estava ok. Então tá. O foco é apenas nestas ruas.
Olhando pelo lado bom, uma questão pouco abrangente pode ser mais fácil de ser resolvida. Ou não. Quem sabe, por ser considerado algo menor, acabam procastinando. Procuro não pensar sobre isso.
Acabo me distraindo no celular. Quando me levanto para ver o estado da carne no forno, decidido a usar a lanterna do meu dispositivo, a luz rertorna. Veio fraca, um fio, depois se estabilizou.
Meia hora sem luz. O que aconteceu? Não se sabe.
É domingo. Não tem jornal na TV para informar.
Hoje em dia, as 'infos' pipocam na Internet. Sigo perfis de alguns portais de notícias. Alguns são locais. Então vou dar um olhada e não vejo nada.
Preguiça...
Não vou não, ficar garimpando em busca do que deveria ser fácil de encontrar. Talvez a noticia venha daqui a pouco. Costuma ser assim. Ou talvez nem venha, ninguém está nem aí. Sabe por quê?
Por que o que importa de verdade é o jogo do Brasil amanhã. [irônico]
FICOU NA LEMBRANÇA
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