Definido. O "Viúvo No Carnaval" será postado na Amazon, nos primeiros dias de Março.
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Compartilho, agora, o momento final de um dos capítulos. Uma palhinha para você ter uma ideia.
Olhou para trás, em direção à porta da sala, viu a cabecinha da esposa do metalúrgico, sinalizando para que voltasse.
Não desejava voltar. Nem um pouco.
Como não encontrou meios de se desvencilhar, obedeceu.
A vizinha, aparentemente recomposta, agora mostrava o seu semblante inchado, os olhos vermelhos, as olheiras sinistras ao redor, as rugas de expressão acentuadas tomando conta, deformando a cara.
Ela exibia a mais profunda dor pela má sorte do filho.
As “meninas” pediram para ele se sentar.
A esposa do metalúrgico arranjou espaço no sofá, acomodando o bebê em seus braços.
O irmãozinho retraído não se encontrava mais ali.
Um tanto contrariado, João se sentou.
Ele e a vizinha se olharam. Ela era digna de pena.
A mulher, sem saber por onde começar, resolveu falar:
— Você disse, agora mesmo, que gostaria de poder ajudar em alguma coisa.
— Certo — ele falou.
Ela não sabia onde enfiar a cara, mas prosseguiu:
— É em relação à dívida do meu filho, sabe? — A voz falhava, efeito do pranto intenso de há pouco, do desespero, estresse…
— Hum.
— Fala logo, mãe! — a esposa do metalúrgico se manifestou.
— Ai, meu Deus! — disse a mulher, tentando arrumar um meio melhor de se expressar, mas a cabeça não ajudava. — Querido, você vai ter que me perdoar por isso, mas é que eu estou no fundo do poço!
— Estou começando a ficar assustado — João Paulo comentou, parabenizando-se em pensamento pela paciência de Jó exercida até o momento.
— Fala, mãe! — encorajou a filha.
Ela olhou para ele.
Ele olhou para ela.
Ela então falou:
— Você não tem três mil reais para me emprestar?
Os olhos dele se arregalaram, a boca se abriu e o pensamento foi expelido:
— Cacetada! Eu preciso de ar! Meu Deus! Está me faltando o ar!
Ele se levantou, saiu correndo em direção ao portão, passou por ele e se trancou em casa.
Certificou-se de que estava bem trancado para não ter que botar a cara na rua tão cedo.
Bola veio ao seu encontro, todo alegre, abanando o rabo.
Ele retribuiu o carinho, mas não por muito tempo.
Fez o que pode para corresponder ao animal.
Caminhou para a cozinha, sem a menor ideia do que fazer.
Sua mente foi tomada por um apagão.
Se alguém lhe perguntasse qualquer coisa: qual é o seu nome, com quem mora, em que cidade vive, não saberia responder.










