"Você pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão"
Vou Festejar -- Beth Carvalho
"Você pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão"
Vou Festejar -- Beth Carvalho
Algumas pessoas insistem em não me entender e querem que eu continue me envolvendo em política, mesmo que indiretamente. Não adianta eu explicar que não sou militante petista, pois o simples fato de não me simpatizar e dizer para que não votem em bolsonaristas já faz com que, automaticamente, me considerem militante petista. Existem muitas nuances em torno de uma vida, mas ninguém reflete sobre a pluralidade existencial de ninguém. Simplesmente, é mais fácil e cômodo atribuir-me como petista.
Isso me incomoda muito. Até mais do que um gesto homofóbico, pois eu sou apenas um sobrevivente. Eu dependo da minha mãe, dependo de meu companheiro. Uma está gravemente doente, o outro vive com sérias limitações. Apoiar viés bolsonarisrta é como apontar uma arma para minha cabeça, pois eu sou o ser que esse povo quer erradicar, não por ser gay, isso nunca me preocupou entre bolsonaristas. Muitos deles não têm nenhum problema em relação a isso COMIGO. Muito pelo contrário, eu consigo fazer com que sejam mais chegados que os ditos adoráveis de esquerda. Eu não sei por que, mas consigo. A questão é social. Eu sou a barata a ser exterminada na casa do assitencialismo social.
Eu pago meu INSS, mesmo sem trabalhar. E pago à toa, pois estou com quase oito anos de contribuição e isso não me garantirá aposentar, isso não me garantirá nada. Por que continuo pagando? Porque nunca se sabe em que isso pode me facilitar. Esse país é uma bagunça! Vai que, num futuro próximo, isso realmente me facilita? Eu acreditei, lá atrás, que o país estava quebrado. Acreditando nisso, mesmo trabalhando como autônomo uns vinte anos, nunca paguei INSS. O tempo passou, uma pandemia quase dizimou todo mundo, e hoje as pessoas continuam se aposentando e muitos se aposentarão -- menos eu. Eu vou continuar tomando no cu, porque é o que eu ganho por ter ido na onda desse discurso caótico esses anos todos.
Sou um sobrevivente. Não culpo ninguém. Vivo com o resultado de minhas escolhas. Mas me machuca muito a falta de compreensão nesse viés político. Eu sou um sobrevivente, mas todo mundo prefere me ver como um petista, um esquerdista, e eu que me foda se não gosto que me vejam assim. Pois é, eu que me foda nesta vida. Mais uma vez, eu que me foda.
Era uma vez uma princesa solitária no alto da torre de seu castelo.
Um dia, ela conheceu um príncipe que subiu até a torre e ficou encantado por ela.
Ele começou a visitá-la com frequência, até que um dia a pediu em casamento.
A princesa, louca pelo príncipe, disse que gostaria de visitar seu castelo antes de tomar uma decisão.
O príncipe, com muita satisfação, a colocou em seu cavalo branco, a levou onde vive, mostrou como é o lugar e a sua vida.
De volta ao seu castelo, a princesa demonstrou estar maravilhada e aceitou o casamento.
Duas semanas após o festão do casamento, a princesa voltou para o seu castelo e o príncipe nunca mais a viu de novo, pois ela mantinha bloqueado o acesso.
A princesa aprendeu que viver solitária era melhor que viver aborrecida e desgastada. Quando queria ver o mundo, ficava no alto de sua torre, pois lá a visão era privilegiada.
Hoje, fiquei sabendo do próprio Jotabê sobre o passamento de sua esposa. Uma maneira, digamos, diferente de começar o dia.
Fiquei meditativo. Com poucas palavras. Mas, no café da manhã, eu sou ogro assim mesmo, então meu companheiro nem percebeu.
Fiquei pensando na importância que ele me deu. Conheço o amigo há alguns anos (sim, passa rápido o tempo), só pela Internet. Por isso me dei conta de que, saber do jeito que eu soube, me mostrou que ele teve por mim uma grande consideração.
Foi o passamento da parte mais importante da sua vida. Ele certamente compartilhou isso aos seus prediletos, com muita dor, da maneira como imagino que lhe foi possível, pois não é fácil. Eu ficaria sabendo depois, quando ele postasse no seu blog. Mas, entre tanta gente mais importante, ele avisou a mim, um Zé Ninguém.
Essas coisas de Internet são assim. O semblante da gente não mostra, mas a cabeça, a mente é invadida por sensações. É como um mundo invisível. Mas o sentimento é real. E dói no peito.
Eu queria, quando soube, arrumar um jeito de fazê-lo de sentir melhor, mas... como?! Nada, absolutamente nada é capaz de apaziguar essa dor. E nem deve. É o trâmite necessário para selar a história de uma vida junto a outra. É como mostrar quão impotante ela é. Sim, "é", pois a vida continua sem ela e será diferente. Muito diferente. Então ela continuará presente na sua ausência, nas lembranças, no espaço deixado.
Infelizmente, essa dor faz parte do processo. Mas me sinto grato a Deus, ao universo ou sei lá ao que tem além, por me mostrar o caminho por onde me perco tanto. E é em um momento de extrema seriedade, como este, quando alguém tem essa consideração por mim, que me olho e vejo que posso não ser um alguém tão perdido assim.
Você fez mais do que simplesmente avisar mais um, Jotabê. Você deu a luz que eu precisava para o meu aprimoramento pessoal.
Fiz um vídeo para demonstrar carinho e consideração ao amigo de Internet, pois o sentimento é real. A quem interessar, o assunto começa no minuto 4:14. Fica com o meu abraço.
Está ocorrrendo em São Paulo o evento CCXP, que se tornou, ao longo dos anos, um dos mais importantes do país, focando em mídias diversas que proporcionam entretenimento -- e o mercado de quadrinhos e desenhos animados da turma da Mônica está totalmente inserido nesse contexto.
A novidade da revista da Milena se tornou a grande atração, pois os leitores sempre comentavam a respeito de ela ter sua própria revista, mas ver o projeto prestes a ganhar o mercado consumidor é sempre impactante. Não há detalhes de quantas páginas, preço, mas já infornaram que está prevista para Abril de 2026, reforçando boatos de que os titulos de Mônica, Cwbolinha, Cascão, Chico Bento e Magsli, ao chegarem de novo no n° 100, serão reiniciadas. Fizeram a demontração da suposta capa, suponho, para testar a reação do público, pois existe um fato que incomoda e muitos não gostam de comentar: desde que Milena apareceu "de verdade" pela primeira vez na revista Turma da Mônica n° 45 da segunda série pela Panini, em Janeiro de 2019, existe uma divisão de opiniões.
Compartilho também imagens de outro lançamento, só que não faço a menor ideia do que se trata, pois não há explicação detalhada onde vi a divulgação. Parece que se trata de uma paródia relacionada ao universo de Guerra nas Estrelas, mas não sei.
"Você pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão" Vou Festejar -- Beth Carvalho Não farei palanque eleitoral aqui, vocês sabem...