terça-feira, 14 de julho de 2026

CANIBAIS [THE GREEN INFERNO]


De Eli Roth, diretor de O Albergue, esse filme mostra gente jovem, fútil e endinheirada querendo dar um rumo à própria vida, mas um tanto perdida no rolê. As patricinhas começam a notar um aglomerado de ativistas protestando. Algo no estilo "salvem os indígenas", "salvem a floresta amazônica", "salvem o planeta". Daí surge o nome de uma organização que se diz independente para a imprensa noticiar, e a oposição mostra todo o poder da sua opressão; enfim, o espetáculo que o sistema adora.

Uma delas fica curiosa e é incentivada por um dos ativistas líderes do movimento. Ela não sabe, mas será usada por eles em uma missão sul-americana. Quando a "ficha cai", ela está correndo risco de morte, mas escapa por um triz, graças aos celulares transmitindo suas lives em meio aos berros de quem a identifica como aquela deusa do capitalismo que deve permanecer com os fios de cabelo intocáveis, ou um monte de gente vai parar na vala.

O plano de afugentar os garimpeiros daquele lugar (reserva ecológica?) dá certo, os ativistas posam de heróis e, ao voltarem para casa, o pequeno avião cai em uma mata fechada na Amazônia peruana. Mais precisamente, uma região de difícil acesso e habitada por indígenas canibais. Quem não morreu com a queda da aeronave é capturado por esse pessoal. Um a um, os prisioneiros acabam perdendo a vida durante as tentativas de fuga.

A gente vai vendo o horror dos acontecimentos. O ser humano vendo o próprio ser humano como cardápio apetitoso. Não tem essa de pensar na família de cada um e ficar com peninha. Caiu na rede, é peixe. Simples assim. Ali não tem moralismos, afetuosidade e, muito menos, direitos humanos. A tal da mocinha, filha de não sei quem, naquele local, era só mais um filé prestes a ser saboreado, mas...

AGORA COMEÇAM OS SPOILERS

Ironicamente, ela é a única que sobrevive. Em toda sociedade existem os corruptíveis. Naquele povoado não era diferente. Um curumim proporcionou a fuga da madame, justo quando ela já estava sendo preparada para o banquete. A propina foi um apito que podia ser utilizado como se fosse uma flauta. Mexendo os dedos, o som ficava diferente.

Mas a maracutaia logo foi descoberta, o que dificultou bastante o sossego da subornadora, a ponto de se ver com os canibais em seu encalço e, do outro lado, bloqueando sua rota, uma onça que poderia atacá-la. O que você faria? Bem, entre os canibais e a onça, ela escolheu encarar o felino que, por sinal, acabou não fazendo nada. Se bobear, o animal é que deve ter ficado com receio dela.

A perseguição não acaba ali. De tanto correr, ela chega em uma área de confronto onde um pessoal "gente boa" luta contra os indígenas. Não prestei atenção se aquele povo eram garimpeiros que queriam tomar as terras ou se foram enviados para resgatar os ativistas, ou os dois. O fato é que eles estavam lá, prestes a executá-la, então a bonita levanta o poderoso celular de todos os reinos e grita que é americana.

Ao ser acolhida, no momento de irem embora, alguém pergunta se havia mais ativistas vivos para o resgate. Havia, sim. Mas ela disse que não. O sobrevivente era um dos ativistas. Ele se masturbou enquanto os amigos sofriam. Ele não media esforços para que os companheiros morressem antes dele, alegando ser a lei da sobrevivência. Vemos a cena clichê do cidadão, ainda preso, se esgoelando para a aeronave ouvi-lo, mas o esforço sendo em vão, pois logo ela se distancia até sumir de vista.

O filme termina com um depoimento da bonita na grande mídia. Ela aproveitou a ocasião para denunciar a farsa desses movimentos que lutam por nobres causas, mas usam e manipulam todo mundo porque lucram com isso? Não.

Ela mentiu incrivelmente sobre tudo. Os garimpeiros ficaram como os únicos vilões da história, pois todos os parceiros morreram pela queda do avião e ela foi resgatada pelos indígenas que foram quase como seus súditos, tamanha bondade a deles em cuidar dela. Você sabe por que ela fez isso. Eu também.

Como diz um verso da música do Biquini Cavadão:

"Bem-vindo ao mundo adulto
Não creia em ingenuidades
Amigos sempre fomos, negócios sempre à parte
Você que descobriu tudo isso um pouco tarde"

sábado, 11 de julho de 2026

AMIGO, PERO NO MUCHO

Minhas redes sociais são basicamente para conhecidos, familiares ou não, que achariam estranho se eu não tivesse um perfil. Como eu ficaria sabendo do aniversário de um ou do passamento de outro? 

Pois é. Pela rede social, eu escolhi não ir a comemorações e escolhi comparecer a velórios.

Ninguém me enche a paciência em um velório. É super agradável. Eu fico até entusiasmado, empolgado. Já aconteceu de sentir vontade de rir. Alguma vezes, eu disfarcei. Em uma ou outra, acho que perceberam alguma coisa. 

Festas são chatas. A última vez em que fui, tive que ficar conversando com uma pessoa remanescente da era jurássica e que não estava nem um pouco a fim de se enturmar. Se alguém a procurasse, ótimo. Até rolava um bate-papo. Mas ninguém se aproximava. Então, por eeducação, terminei o rolê falando o clássico "vai lá em casa uma hora". 

Eu e minha boca.

Não passou nem uma semana, olha o cidadão aparecendo para uma visita totalmente surpresa na minha casa. 

Não atendi. 

Pedi perdão a Deus e me comprometi a nunca mais dizer essas coisas. A gente quer ser cordial e acaba desencadeando esse tipo de situação.
 
Quando alguém te fala "vai lá em casa", é só um meio bonito de dizer "estou indo embora". Não é para você visitar o ser.

Uma vez, há certo tempo, rolava uma conversa entre um povo conhecido, então alguém se convidou e eu logo falei: "Não recebo ninguém na minha casa. Sei lá. Eu não gosto". Soou grosseiro, estúpido, mas também libertador. Devem ter falado muito mal de mim pelas costas, mas não me arrancou pedaço.

Não sou tão recluso quanto gostaria. Algumas pessoas realmente vêm me ver às vezes, mas é gente bem próxima, de um convívio presencial natural. 

Nem sempre eu fui assim. 

Eu gostava de receber amigos, toda pessoa que viesse gastar um pouco de seu tempo comigo. Eu era do tipo que sempre tinha alguma coisinha para comer. Achava falta de educação não oferecer nada. 

O tempo passou e muita coisa aconteceu. As pessoas não vêm mais aonde você mora porque querem conversar. Para isso existe a Internet, o WhatsApp, as redes sociais. Elas vêm na sua casa porque estão ociosas, desocupadas e querem saber como você está vivendo, sob quais condições, em que lugar etc.
Nos dias de hoje, quem precisa realmente falar com você vai te mandar mensagens. Quem está ferrado vai dar um jeito de ir até você. Corre!

terça-feira, 7 de julho de 2026

BRINCANDO COM A DONA CHICA

Ela colocou essas imagens e pediu para criarmos qualquer coisa inspirada no que vemos.

Foi superfácil. Confesso que me inspirei em causas humanitárias. Vejam só o que escrevi.










Uma torre na inundação

Penso nas pessoas malas

Que eu poderia jogar nessas águas

Para alimentar um tubarão


Para ir ao blog do Dona Chica, clique aqui

sábado, 4 de julho de 2026

ELA

Ainda sinto o gosto dela. É estranho! 

Ela sempre foi minha amiga, a pessoa que me conhecia mais do que um membro da minha família. E eu achando que sabia de cada contorno da sua alma... 

Noite calma, brisa agradável, sugerindo um cobertor na hora de dormir. 

A luz baixa da sala realçava as afinidades das nossas sombras enquanto a gente conversava amenidades. Eu estava encostado na bancada da cozinha e ela parada à minha frente falava, falava e falava. 

Como não percebi o brilho nos seus olhos? Havia algo de diferente neles. Atribuí ao clima, a qualquer tipo de coisa que me viesse na cabeça. Nunca imaginei aquela energia. 

Ela parou de falar no meio de uma frase e, antes que eu pudesse perguntar se estava tudo bem, vi que a ínfima distância entre nós havia desaparecido. Suas mãos agarraram a gola da minha camisa e me puxaram com uma autoridade que me deixou assustado. O beijo não soou como uma tentativa. Pareceu uma reivindicação. 

Minha mente bugou! Nunca achei que passaríamos da camada de bons amigos. Senti forte as batidas do meu coração. 

O choque inicial deu lugar ao instinto natural. Minhas mãos se firmaram em sua cintura e eu correspondi ao que classifico como o beijo da descoberta: quando o sentimento está aprisionado por anos e, na primeira oportunidade, ele se liberta.

Quando ela se afastou, vi a realização plena em seu olhar baixo, envergonhado. O peso do que tinha acabado de ocorrer a deixou desconcertada. 

Vi o rubor tomando conta da sua carinha, o constrangimento ocupando o lugar da coragem que a tinha dominado segundos antes.

Seu olhar se voltou para mim. O silêncio permaneceu. Contente, achei que seria bom sorrir. Esbocei um ar de satisfação. Fui discreto, eu acho.

Ela ficou me olhando como se visse um fantasma. Então saiu às pressas. Não pude dizer sequer uma palavra.

Agora estou parado no meio da sala. A brisa exaurindo o calor que tinha tomado conta do meu corpo, o fluxo de energia subitamente gostoso. 

Ela foi embora. A minha melhor amiga junto com a namorada que eu gostaria. 

Eu não sabia de nada, eu não consegui fazer nada, mas... 

Droga! Como eu queria que ela tivesse ficado. 

domingo, 28 de junho de 2026

DOMINGO NO ESCURO

Droga! A luz acabou justo quando eu estava olhando a influencer explicar o ponto do leite talhado para fazer um bom queijo caseiro. Achei que logo voltaria. Faz meia hora que a escuridão está me abraçando. E ela aumenta de intensidade, cada vez mais, pois é finalzinho de tarde, a noite está chegando.

Estou com comida no fogão. 

E o que isso tem a ver? O fogão é a gás. 

O fogão é a gás, mas preciso de luz para verificar o ponto dos alimentos.

Apanho o celular, procuro contatos em outros lugares da cidade. O primeiro é um senhor acadêmico 'funça'. Muito inteligente, blogueiro e dono de canal no Youtube, mora num bairro de gente metida, bem longe daqui. O que eu quero? Saber se tem luz lá.

Passa um tempo, ele não responde. Comendo a mulher? Não creio. Ele adora uma boa cerva. Deve ter desmaiado. Deve estar babando espuma da última loirinha que consumiu. 

Procuro outro contato, um escritor como eu, focado em universos fantásticos, lutas e jogos de poder. Mesmo se exercitando ao ar livre (vaidoso que só), a resposta veio logo. Lá, tudo ok. Mandou até um vídeo de um povo reunido na rua preparada para um evento. 

Festa junina? Provavelmente. 

Por que meu corpo reage mal a essas aglomerações? Antigamente não era assim. 

Fiquei olhando aquilo. Melhor esta escuridão do que a luz daquele monte de gente.

Passou um tempo e chegou a resposta do senhor acadêmico. Lá também estava ok. Então tá. O foco é apenas nestas ruas. 

Olhando pelo lado bom, uma questão pouco abrangente pode ser mais fácil de ser resolvida. Ou não. Quem sabe, por ser considerado algo menor, acabam procastinando. Procuro não pensar sobre isso. 

Acabo me distraindo no celular. Quando me levanto para ver o estado da carne no forno, decidido a usar a lanterna do meu dispositivo, a luz rertorna. Veio fraca, um fio, depois se estabilizou.

Meia hora sem luz. O que aconteceu? Não se sabe. 

É domingo. Não tem jornal na TV para informar. 

Hoje em dia, as 'infos' pipocam na Internet. Sigo perfis de alguns portais de notícias. Alguns são locais. Então vou dar um olhada e não vejo nada.

Preguiça... 

Não vou não, ficar garimpando em busca do que deveria ser fácil de encontrar. Talvez a noticia venha daqui a pouco. Costuma ser assim. Ou talvez nem venha, ninguém está nem aí. Sabe por quê? 

Por que o que importa de verdade é o jogo do Brasil amanhã. [irônico]

sexta-feira, 26 de junho de 2026

AUTORRESPEITO [DESABAFO]

Hoje eu quero desabafar sobre uma coisa. Tentarei ser cuidadoso. É uma questão de respeito. 

Criar conteúdo na internet não é mais uma atividade qualquer para mim, mas, sim, um exercício constante da minha própria energia. Após tantos anos, finalmente venho conquistando um ínfimo de espaço e as pessoas talvez não se dão conta de que faço isso através de muito investimento no meu tempo, estudos e, sobretudo, tentativas e erros. Por isso venho me sentindo em uma posição delicada quando percebo pessoas que também possuem um talento inegável se aproximarem com o objetivo de estabelecer uma conexão.

Eu entendo a luta, pois sei como é árdua a batalha, mas, ultimamente, tenho sentido um desconforto quando essas interações que deveriam ser genuínas se revelam estratégicas em busca de um favor.

Não é sobre egoísmo ou falta de vontade de colaborar, é sobre a preservação do quanto me  consome e me exige qualquer coisa que eu faço. 

Quando alguém me faz sentir querido e até especial e depois eu descubro que tudo não passa de estratégias em busca de divulgação para si mesmo ou para terceiros, tudo muda, pois deixa de ser um diálogo entre pares, entre dois criadores que compartilham suas vivências e passa a ser uma transação, um negócio. A sensação é de que, por trás do “oi” e do elogio a mim, existe um cálculo sobre o alcance que eu posso proporcionar e isso é muito ruim.

O que eu procuro, ao me conectar com outros criadores, é troca intelectual, sentimental e daí, quem sabe, talvez surjam parcerias orgânicas que façam sentido. Mas quando vejo a estratégia por trás da amizade, uma espécie de pedido de ajuda como cartão de visitas, o valor que dou para aquela pessoa se perde. 

Não quero papinhos de amizade, nem consumo do meu conteúdo para depois eu ter que servir como trampolim. 

Minha régua para novos contatos se tornou bastante pragmática. Por isso, quando percebo esse padrão, escolho me afastar. Não por grosseria, mas por autopreservação. 

Bloquear o contato ou encerrar a conversa é, para mim, a forma mais clara de dizer: “eu respeito o seu talento, mas não quero que nossa relação seja pautada pelo que posso te oferecer”

Eu prefiro a solidão da minha mesa, dos meus dias, a ter contato com pessoas que me veem como ponte ou como alguém que deve corresponder às suas expectativas. 

Busco, acima de tudo, conexões que cresçam a partir de interesses comuns e afinidade, não da conveniência de um clique ou de um compartilhamento. É uma postura rígida, eu sei, mas é a única que mantém o meu processo criativo e a minha saúde mental em paz.

Espero que a pessoa a quem me refiro tenha entendido. Os demais perceberão, com o passar do tempo, de quem se trata. Acho indelicado e desnecessário expor identidades. 

Um abraço a todos os que leram minhas considerações. 

Obrigado pelo tempo de vocês aqui. De coração.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

MÔNICA, A FOFA

Compartilho uma pequena história em que a Mônica se vê em apuros com uma dessas poltronas superfofas (ou seria um pufe?) que parecem tudo, menos um lugar para se sentar. Eu ri. Ah, Ah.
A HQ integra a edição n° 100 da revista Mônica publicada pela editora Abril em Agoto de 1978. Contém apenas 68 páginas no total, o formatinho era um pouquinho mais comprido e custava oito cruzeiros. Cr$ 8,00. Pretendo colocar mais historinhas dessa revista, em outros momentos. Edições como esta estão sendo postadas na Internet. Eu só agradeço.

CANIBAIS [THE GREEN INFERNO]

De Eli Roth, diretor de O Albergue, esse filme mostra gente jovem, fútil e endinheirada querendo dar um rumo à própria vida, mas um tanto pe...