Ontem, assisti ao filme Ecos do Além, uma produção de 1999 protagonizada por Kevin Bacon. Quem é das antigas, como eu, sabe muito bem quem é Kevin Bacon, pois o ator teve toda sua juventude nas telas e, na minha opinião, seu talento amadureceu de forma excelente, sem precisar se tornar mais um mito brutamontes dos filmes carregados de ação mentirosa, os quais vibrávamos de assitir porque era muito divertido ver um cara saltar de um lugar bem alto e conseguir cair em cima de uma asa delta ou um balão, além das clássicas cenas em que o brutão dava conta sozinho de uns dez caras com o dobro de sua massa corporal.
Eu me lembro do Bacon como um personagem qualquer no primeiro filme da franquia Sexta-Feira 13 (Friday13th), em 1980, ganhando um pouco de foco apenas para morrer enquanto fazia amor com a namorada. O primeiro filme dessa franquia não mostrava quem matava o povo. O emblemático Jason Voorhees só teve seu protagonismo a partir do segundo, mas este é um assunto para outra postagem, talvez. Foi em 1984 que ele ganhou notoriedade ao protagonizar o clássico Footloose, Ritmo Louco (Footloose), onde seu personagem afrontava as leis de uma cidade pequena que visavam proibir músicas dançantes. O filme é um grande clássico do cinema e eu virei o tiozão autoritário que não gosta desses eventos. Ah, Ah!
A partir daí, sua carreira deslanchou feito água saindo da torneira. Hoje, se você der uma "gugada", verá muita coisa que ele fez. Entre elas, destaco Linha Mortal (Flatliners, 1990), O Ataque Dos Vermes Malditos (Tremors, 1990), Sobre Meninos E Lobos (Mystic River, 2003) e X-Men Primeira Classe (X-Men: First Class, 2011).
Focando no filme de ontem, Ecos do Além traz terror, suspense e drama. Um filmaço que valeu muito a pena ver de novo. A história começa bobinha, com ele trocando uma ideia com a irmã de sua esposa, à toa em sua casa, conversando amenidades, até que ele se submete a uma sessão de hipnose. O clima era descontraído, então via-se que era difícil levar a sério esse negócio, mas alguma coisa aconteceu e tinha conexão com as falas do menininho no começo do filme. O filho dele, por ser muito criança, conseguia essa conexão, mas Tom (personagem de Bacon) começou a obtê-la com frequência após a hipnose.
ATENÇÃO - SPOILERS
A questão vai ganhando densidade ao poucos, até nos depararmos com Tom insanamente quebrando a casa inteira em busca do corpo de Samantha, uma jovem muito bonita e supostamente lerda que virou alvo do tédio de dois rapazes mimados do baralho que quiseram se aproveitar dela. Um deles era filho do proprietário daquela casa.
Diante da resistência, em meio ao desespero por se ver livre deles, Samantha foi morta, depois envolvida pelo saco plástico que lhe tirou a vida e escondida no porão. Tom a encontrou após quebrar uma parede que considerou suspeita. As conexões que ele vinha tendo não o deixavam em paz. O filme retratou a evolução desse tormento de maneira bem competente.
Em determinada circunstância, a história sobre o desaparecimento dela é contada para nós. Assistimos a uma situação indesejável onde podemos refletir quão perigosos podem se tornar adolescentes ociosos do sexo masculino naquela fase em que precisam se autoafirmar como machos predadores. A gente logo percebe o tédio em um deles, a malícia no olhar do outro, a ideia errada em comum acordo para fazer da coitada mero objeto de diversão, alguma coisa com que pudessem passar o tempo.
Por que ela? Óbvio! Samantha era linda, educada e vulnerável. Esses escrotos sabem com quem podem mexer. A beleza chamava atenção. Pele branca, delicada, os óculos realçando a ingenuidade, as feições de menina-mulher.
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| Belíssima |
Se fossse uma feiona de dois dentes para fora, nariz batatudo e cabelo desgrenhado, é claro que não teria o mesmo efeito. O cinema daquela época sabia das coisas. É por esse detalhe que tenho até medo de um remake dessa história.
A lerdeza citada era subjetiva, ficando a cargo de quem assiste tirar suas conclusões. Prefiro entender que ela possuía um leve espectro de lentidão, vez que não era tão criança, mas foi muito fácil tapeá-la e levá-la ao porão.
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| Samantha no porão, pouco antes e morrer |
No fim da trama, o espírito dela aparece em paz e vai embora, sumindo feito fantasma que era, no momento em que um carro trafegou pela rua. Meu coração ficou apertado e os olhos suaram.
A família de Samantha vivia arrasada há meses pela ausência total de notícias. Não sei o que é pior: passar meses e meses pensando em todas as hipóteses possíveis ou descobrir que a pessoa tão querida que vivia com você nunca mais voltará para casa porque foi morta ao recusar ser o passatempo de dois marmanjos desocupados. A primeira situação é muito cruel, mas a segunda, eu vou te falar... A segunda é para jogar a pá de cal. Não na cova de Samantha, mas na da família.
Caso alguém tenha interesse, assisti dublado no YouTube. Super fácil de encontrar. Parece que também está no Prime. Até quando, a gente nunca sabe. Fica a dica.




