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terça-feira, 4 de agosto de 2026

DEZ ANOS NA AMAZON

Esperando o sono no sofá, com a TV ligada e o celular em mãos, meu cérebro teve uma imensa vontade de, de repente, saber qual foi meu ebook mais lido durante todo esse tempo de publicação na Amazon e quantas páginas foram lidas nesse período, somando todos os títulos.

Eu que já estava capengando, tive um súbito estímulo mental. Acessei o KDP (Kinddle Direct Publishing), fui na área do fornecimento dos relatórios e configurei como "tempo vitalício", então me dei conta de os primeiros relatórios são de 20 de Junho de 2016. Já se passaram dez anos!

Como assim, 10 anos de Amazon e eu não enriqueci, não ganhei cadeira na ABL, categoria hot brasileiro, não fui entrevistado pelo Pedro Bial?! 

Nem a Tatiana Feltrin, a booktuber gigante no YouTube, sabe da minha existência! Como pode?

Só por causa disso, vou espairecer um pouco em uma caminhada, jogar o cabelo que nem usa shampoo ao vento empoeirado de Ribeirão e ficar horas fornecendo gratuitamente a minha presença pelas ruas, até desmontar de cansaço no shopping que me considera tão anônimo e insignificante quanto todo o resto desse mundo digital e literário. 

O melhor é na volta, sabe? Já está de noite, então eu volto é de Mercedes! 

O motorista para bem na minha frente, ele mesmo abre a porta e eu entro. Eu, bem! A bicha fina cada vez mais roliça com dois quilos de poeira e um pouco de suor seco na pele. 

Eu falo "boa noite", olhando bem para o sorriso dúbio que ele me dá, então me acomodo do jeito que eu quero, pois naquele horário nem tem tantos passageiros no ônibus. Tá bom pra você?

Deixando a zoeira de lado, compartilho os números de páginas lidas nestes dez anos de Amazon.

203.769 até ontem, antes de dormir.

43 ebooks. Vários estão arquivados. Entre eles: Política Apocalíptica, Inverno Poético, Rita & Orestes - Amor na Terceira Idade, a primeia versão de As Cobras Não Amam.

TOP 7 - os sete ebookss mais lidos. Páginas lidas. 

Quarentena Ardente - 42.536

O Caseiro Na Minha Sauna - 31.365

O Deleite Da Madrugada 2 - 23.368

O Deleite DA Madrugada - 19.863

Ex-Padrasto - 18.168

Ex-Padrasto, Parte III - 14.680

Ex-Padrasto, Parte II - 10.818

Caso queira conhecer meus ebooks, tem um link direto para o meu perfil na Amazon clicando aqui
Um abraço, tudo de bom!

quinta-feira, 16 de julho de 2026

UMA POESIA NADA FOFA

Daniel é um blogueiro que me convida a esfriar o corpo no chuveiro. O único que me fez ir na 'fotinha' de avatar e maximizá-la, várias vezes, para ver melhor a paisagem. Como muitos escritores, ele gosta de poesia. Sua poesia mais recente (hoje) se chama O Santo Bateu. 

Quando eu a li, fiquei pensando sobre como a poesia costuma ser um retrato de algo que há em nós ou da forma como absorvemos as coisas. É nessas horas que vejo como minha alma é desprovida de certas qualidades, pois eu simplesmente não me vejo na situação descrita e sequer me convido a me colocar no lugar do autor, nem de brincadeira.

Estou envelhecendo e começando a entender certos preceitos psicológicos que antes eu repudiava. Entre eles, o entendimento de que não podemos nos colocar no lugar do outro, pois o lugar do outro é somente do outro. Agora compreendo a dimensão, pois a vida é uma cebola, ela é cheia de camadas.

Para terminar, coloco uma versão minha (nada agradável, mas real) da poesia dele. Recomendo que leia a dele primeiro

Às seis da manhã,
até os raios de sol
bocejavam atrás das árvores.
E eu, obrigado a ir tirar sangue,
lembro que  até os vampiros
o colhem à noite.

No mercedão que nunca terei,
aquele que é de todo mundo
e de ninguém ao mesmo tempo,
sentei ao lado de uma mulher
que resolveu conversar.

É doença pra lá
doença pra cá
doença que era dela
doença que era dos outros
doença que poderia ser minha
Joguei pedra na cruz, só podia.

Depois reclamou do SUS,
mas o Lula é um coitado
O pobrema é o crime
e o hômi-secsual
Mas Gzuis tá vendo tudo
Esse povo vai ver depois
E eu pensando: depois quando?
A dona tá viajando.

Fiquei me perguntando:
Quem sou eu
nessa imensidão,
apenas mais um
xexelento na fila do pão.

O ponto dela chegou.
Graças a Deus!

Antes de descer,
deixou um beijo no meu rosto
e sorriu:
— Nosso santo bateu.
Isso é energia boa.
Também sorri e só pensei:
-- Isso é só paciência, boba.

Olhei para o chão
Averiguei meu saco,
se já batia lá,
e o ônibus seguiu.

E eu descobri
que de manhã
o meu destino
me dá uma passagem
para o inferno,
só para lembrar
que uma desconhecida
pode me atormentar
por alguns quilômetros,
para começar bem o dia.

quarta-feira, 27 de maio de 2026

SAUDADES

Saudades.

Pode ser de coisas boas. Pode ser de coisas ruins. As saudades são sempre sobre algo que já se foi, não pertencem mais ao nosso tempo. Se elas ainda estivessem, seriam presentes. 

E nem todos os presentes são bons, não é mesmo? É...

Saudades de um tempo em que era fácil pensar no futuro. Eu era jovem, olhava para a vida como se ela fosse uma estrada grande a ser percorrida. E eu estava ali, tão longe de onde alcançava a minha vista. Dava até preguiça. Era confortável. Eu tinha muito tempo. 

Esse é o olhar que eu tenho hoje, lembrando um passado que nunca existiu.

É. Porque, quando eu era jovem e tinha todo esse percurso pela frente, eu já vivia questões internas conflituosas, seja por cobranças ou pela não aceitação de certas coisas. Então a realidade do meu passado nunca me ofereceu uma estrada longeva e uma atmosfera pacífica, esperando a minha vontade em transitar por ela. 

Se eu tivesse que vislumbrar a estrada real diante de mim naqueles tempos, diria que foi um lugar estranho, onde me senti pouco à vontade, angustiado, receoso. Me botavam em uma estrada indesejada, repleta de percevejos, borrachudos, aranhas peçonhentas, ratos e serpentes. Eu não queria ficar ali, mas era ali que me mandavam ficar.

A estrada que escolhi era ruim. Assim me diziam. Uma estrada limpa, clara, plana, com vista para um campinho e um lago com gansos e patos, galinha e marrecos, cães e gatos. 

Essa estrada era uma ilusão. Tudo fruto da minha imaginação. A estrada de verdade era aquela, a trevosa, a sinistra, a que me fazia ver gente brigando, se estapeando, desejos quebrados, enterrados. Mortos, não pelo impacto, mas pela dor. A dor da inanição. A dor da desolação que ninguém vê. E quando vê, não se importa.

Aquela era a estrada. A outra, não era nada.

Então, hoje, para mim, é fácil ter saudades do que já se foi. Porque seleciono as saudades de um tempo que nunca existiu, não daquele que passou.


Eu me inspirei subitamente após ler o post do Luciano Otaciano 

Muito obrigado, Luciano, pela inspiração. As palavras vieram da minha alma.

domingo, 24 de maio de 2026

PAPO DE ESCRITOR, SOBRE MEUS EBOOKS ATUALMENTE

Na Amazon, existe uma diferença entre os ebooks que as pessoas pegam e os que elas leem.

Sou autor de mais de vinte ebooks lá, e percebo ser comum alguém baixar, por exemplo, Contos de Bebê Reborn e não ler. Assim como é normal ver nos relartórios um mundo de páginas lidas de Ex-Padrasto

Mas, se ninguém pegou esse ebook, como pode haver tantas páginas lidas?

As pessoas pegaram em uma determinada ocasião e deixaram o coitado na fila. Então, em um belo dia, elas leram. 

Um fator que colabora com esse tipo situação é a promoção do ebook gratuito. A única ferramenta decente que a Amazon nos fornece para pescarmos alguns leitores. Lembro que uma vez baixaram quase duzentos ebooks meus, agora não me lembro o título, era um dos contos eróticos. Do número impressionante de aquisições em 24 horas, apenas 1% das pessoas leram logo. Os outros 99% vieram picadinhos, pedacinhos pe-que-ni-ni-nhos, em épocas diferentes.

Eu já tinha me acostumado a ver os relatórios e ter sempre um número de páginas lidas nos títulos: O Caseiro Na Minha Sauna, Quarentena Ardente, O Deleite da Madrugada 1 e 2.

Então resolvi melhorar minha escrita e proporcionar maior qualidade nas histórias. Escrevi coisas onde o foco não era só foda, tesão e libido. Alguns desses títulos, eu confesso, achei que me projetariam de maneira mais digna e interessante nesse meio, mas a verdade é que estão mofando. Em comparação aos títulos eróticos, é como se nem existissem.

Arrependido? Não. Eu, hoje, escrevo melhor que ontem. Isso é notório e custa um tempo bem maior do que pensei. O que eu sinto é o mesmo que muito autores de ebooks que também não são lidos. Sou mais um na multidão. Meus livros são invisíveis, não despertam interesse e não há muito o que fazer. Mesmo quando coloco grátis, ninguém pega. 

Hoje, vi o relatório exibindo mais páginas lidas de Ex-Padrasto e Aquela Manhã Especial. Este último, um conto nenhum pouco criativo, só para haver uma continuidade de título, já que também existe o Aquela Noite Especial. Nada constou sobre O Caminhante da Madrugada, nem sobre Contos de Bebê Reborn, A Tempestade Lá Dentro, Viúvo No Carnaval

Ah, mais eu vi que alguém se interessou pelo Calcinha Preta de Renda. Alguém o pegou. Quando será que vai ler? 

As pessoas não querem saber em mergulhar nas camadas do comportamento de um ser humano. Refletir sobre a condição existencial de alguém, em como isso bate em si mesmas. 

Elas preferem o oba-oba do carnal, ainda que mal-feito.

Não faz muito tempo, vi um movimento de youtubers falando horrores sobre os livros eróticos. Um dos fatores que favoreceu o deboche eram as capas. Lembrei que O Deleite da Madrugada mostrava dois homens de cueca se pegando. Caí na burrada de trocar as capas por outras que considerei mais elegantes. Desde então, ninguém nunca mais pegou esse título. Quem pegou não teve vontade de ler. Ele simplesmente não aparece mais nos relatórios. 

Para você ver como a capa é importante. Ex-Padrasto não tem nada de ato íntimo consumado, mas muita gente pega o primeiro ebook por causa do tiozão quase mostrando o bilau na capa. A sensação é que ele vai pular da tela e se esfregar na sua cara. Sim, é vulgar, é isto, é aquilo, mas, se não fosse essa capa, as pessoas não pegariam e não leriam.

Bom, é isso. A intenção não é me queixar de nada, apenas conversar um pouco sobre como é esse cenário. Muita gente cagando regras nos youtubes da vida, mas só você -- somente você que escreve -- sabe o que deve fazer em relação à sua trajetória. Não adianta eu vir aqui e dizer coisas que podem ajudar. De repente, o que funciona para mim não funcionará jamais para você.

Um abraço, até o próximo post.


segunda-feira, 23 de março de 2026

CONTO: O QUE É A VIDA

Lua cheia de romantismo. 
Léia e João ouviam rock em um bar.
Amigos vieram, bateram papo e se foram.
Os dois tinham algo importante a tratar.

João, homem lindo, gostoso.
Na cama, o fodão.
Um cavalheiro antes e depois do gozo. 

Os olhos dela brilhavam.
O sorriso bobo de quem se encantava até com a espuma desaparecendo em meio à cerveja. 

A música da Pitty soava mais bela:
-- Eu vou equalizar você...

Ela já sabia o que sairia dos lábios gostosos dele. 
Estava preparada.
Ele relutava. 
Era a tal da timidez.

Aproveitaram ao máximo aquele momento, então ela tomou a iniciativa.
Viu que ele não conseguiria.
João a olhava e a fala não saía.
Já tinham conversado muito sobre todos, sobre tudo, mas aquele assunto específico o mantinha calado.

-- Mas, hoje, estamos aqui por um motivo especial -- ela começou.
-- Eu sei. É que... eu não encontro as palavras certas.
-- Essa sua vergonha ainda vai te colocar em maus lençóis, meu bem. Só fala!

Ele riu de nervoso.
Parecia tão fácil. 
Ela ainda sorria e procurava transmitir confiança no olhar. 
Bebia a cerveja que já era pouca no copo.
João também bebeu. Goles e goles. 
Então se encheu de coragem e falou:
-- A gente vinha falando em casamento, Léia. 
-- "Você" falou em casamento. Por mim, morariamos junto. Toda vez que você vai, eu fico doida para você voltar. 
-- O casamento é o certo. Tudo documentado. É bom até para você, caso eu morra.
-- Você não vai morrer. Você vai é me matar... de amor.

Eles riram. 
Cúmplices do sentimento.

Ela tomou a iniciativa:
-- É sobre isso que você quer falar?
-- É, sim. 
Aquele era o momento. 
João sabia que não dava para enrolar mais.
De uma só vez, ele declarou:
-- Está tudo terminado entre nós.
Por um momento, ela riu. Achou que fosse brincadeira. 

Só ela riu.

João estava mais do que sério, estava triste. 
Seus olhos se avermelharam. Uma raiva começou a crescer para não dar vazão ao choro.
Gritou com Léia, afirmou que se casaria, sim, mas não com ela.

Tinha outra mulher. Sempre teve. 

Alice era o oposto dela: filha de fazendeiros, não precisava trabalhar e se dedicava à religião cristã. 
Usava roupas sóbrias, recatadas, abominava músicas profanas e tatuagens.

João gostava mesmo era de Léia, mas assumir de vez Alice era um bom negócio.  

A conversa terminou com ele saindo correndo. Se ficasse ali, desabaria em pranto, e homem como ele não chora. 

Léia foi ao casamento e fez questão de dar os parabéns aos noivos. 
Esqueceu tudo o que tinha vivido com João. 
Apenas desejou felicidades. 

Todo mundo reparou na roupa triste. 
O que chamou mais a atenção foram as tatuagens.
As pessoas murmuravam. 
Algumas se mostravam curiosas. Outras, incomodadas.

Como essa gótica se atreve a estar na Igreja?

Léia foi embora mais leve. Deixou o peso que vinha carregando nas costas. 
João, agora, viveria tudo o que uma mulher dissimulada era capaz de fazer. 
Não era o que Léia desejava. 
Mas ela sentia.

Queria estar enganada.
Que coisa é a vida.


* * *

Este conto é como perfume francês: pequeno e intenso.

Inspirado em um vídeo que vi com muito gosto no Blog do Neófito. O significado das tatuagens, o preconceito e a discriminação acerca delas. 

Focando na condição da mulher, como se uma tatuada se resumisse a algo ruim.

A outra que se passa por pura, religiosa, toda meiga e carinhosa pode ser tão indesejável e até perigosa como atribuem à tatuada.

-- Pelo menos, a tatuada já mostra logo quem é. -- Algo assim nos dizeres sábios e filosóficos desse meu amigo.

Segue o vídeo:

POIS É

Criação, roteiro e direção artística: Fabiano Caldeira Arte produzida com auxílio de inteligência artificial (OpenAI)