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sexta-feira, 24 de julho de 2026

24 HORAS PARA MORRER


Esse filme me surpreendeu positivamente. O titulo original é Oxygen e o motivo é óbvio: a trama toda gira em torno da esposa burguesa de um figurão endinheirado que é capturada e enterrada viva. Se o maridão pagar um milhão de dólares ao sequestrador, ela é libertada. Então existe uma luta contra o tempo para resgatá-la com vida.
Fiquei simplesmente vidrado na presença do psicopata sequestrador. Para mim, soou como um desconhecido, pois não me lembro dele em filmes conhecidos, porém, pesquisando no Google, percebo que ele fez obras que assisti há certo tempo.
Adrien Brody, segundo o Google, é reconhecido historicamente como o homem mais jovem a ter ganhado o Oscar de melhor ator, prêmio que ele conquistou aos 29 anos de idade. E na sua filmografia se destacam:
- O Pianista (2002), que lhe rendeu o Oscar
- O Brutalista (2024), que lhe rendeu outro Oscar
- King Kong (2005), fez par romântico com a Naomi Watts, filme dirigido por Peter Jackson que, apesar de ser um remake pouco valorizado no Brasil, fez a alegria do cinema lá fora, considerado como uma das maiores bilheterias de sucesso à época.
- Peaky Blinders (4a. tempoerada), como Lucas Changretta, o grande rival mafioso de Thomas Shelby. A série tem longos episódios em todas as muitas temporadas. Lembro que depois da terceira, perdi o interesse.
Voltando a este filme de 1999, ele tem uma hora e meia de duração e, tal como a época, possui a imagem no padrão das TVs de antigamente que não eram tão retangulares, então a imagem que assisti foi quase que quadrada. Não é um problema, mas acho bom avisar a quem possa se interessar. O som da dublagem e a imagem também não são os super mega blaster definidos de hoje em dia, mas são bons. Eu vi tranquilamente, sem problema algum. Fiquei até bastante confortável em relação ao som, que não tem aquele problema de ter que aumentar e abaixar o volume uma porção de vezes, como infelizmente ocorre nas produções novas, pois parece que virou um padrão colocarem sons autíssimos na sonoplastia e muito baixo nas vozes, nos diálogos. Esse filme não tem isso. As tomadas de cena, os figurinos e os penteados também estão superdatados. Você verá carangas que eram consideradas carrões naquela época. É sempre bom avisar.
Vi no YouTube.

SPOILERS - PARE AQUI, SE NÃO QUER SABER MAIS

O grande barato desse filme é justamente a falta de um mistério maior. Desde o começo, a gente vê o que acontece, a mulher sendo enterrada viva e o cara falando que, se o maridão pagar o resgate em tempo, ela poderá ser libertada. Então, a gente não apenas sabe, mas participa desse enterro vivo dela. E isso vai gerando uma revolta à medida que o tempo passa e ele simplesmente tira onda com a cara de todo mundo da polícia.
É feito todo um plano para pegá-lo no momento em que o marido paga o resgate, mas o que parecia ser a estratégia perfeita é totalmente previsível a ele que é muito perspicaz e previu os agentes à paisana. Então ele passa a mão no dinheiro e não abre o bico, não quer nem saber de contar onde está enterrada a mulher.
Há uma perseguição. 
Com muito esforço, ele é pego. 
É aí que a coisa só melhora.
O filme faz de propósito. Sério. Você começa a ter uma raiva descomunal por ele, pois o tempo urge e as coisas não evoluem porque ele simplesmente brinca com todo mundo. 
Uma investigadora é o principal alvo dele que descobre o lado sadomasoquista dela. A mulher tem um "amigo" oculto que a tortura. Ela gosta. Ele expõe isso e acaba com o casamento dela. Ele faz mil exigências, ela cede em tudo o que ele pede e, mesmo assim, ela ainda se ferra nas mãos dele.
Há um momento em que ele finalmente dá uma localização. Uma equipe é mandada para o local e começa a escavar. A gente fica ali, acompanhando, pensando, "anda logo, que povo bunda mole". Quando finalmente encontram o caixão, ao abri-lo, descobrem que quem está lá dentro é a cachorra da mulher. Estou falando de um pet de verdade, mas o psicopata ri e diz que a mulher era uma cadela mesmo.
Eu não vou contar o fim, só digo que a virada de chave é bem simples e acontece rápido. 
O filme é previsível, sim, parece baixo orçamento, mas é gostoso de ver. A gente se sente como se estivesse ao lado, acompanhando tudo. E a gente quer acompanhar, a gente fica numa afobação, a gente tem vontade de entrar naquela sala de interrogatório e enchê-lo de porradas. Essa é a graça da história. Os personagens parecem de verdade e esse cara é muito, mas muito ordinário. 
Não sei se para quem me leu até aqui, se o filme terá o mesmo impacto, pois eu vi no miguelão, praticamente sem saber de quase nada, então foi muito bom.

terça-feira, 14 de julho de 2026

CANIBAIS [THE GREEN INFERNO]


De Eli Roth, diretor de O Albergue, esse filme mostra gente jovem, fútil e endinheirada querendo dar um rumo à própria vida, mas um tanto perdida no rolê. As patricinhas começam a notar um aglomerado de ativistas protestando. Algo no estilo "salvem os indígenas", "salvem a floresta amazônica", "salvem o planeta". Daí surge o nome de uma organização que se diz independente para a imprensa noticiar, e a oposição mostra todo o poder da sua opressão; enfim, o espetáculo que o sistema adora.

Uma delas fica curiosa e é incentivada por um dos ativistas líderes do movimento. Ela não sabe, mas será usada por eles em uma missão sul-americana. Quando a "ficha cai", ela está correndo risco de morte, mas escapa por um triz, graças aos celulares transmitindo suas lives em meio aos berros de quem a identifica como aquela deusa do capitalismo que deve permanecer com os fios de cabelo intocáveis, ou um monte de gente vai parar na vala.

O plano de afugentar os garimpeiros daquele lugar (reserva ecológica?) dá certo, os ativistas posam de heróis e, ao voltarem para casa, o pequeno avião cai em uma mata fechada na Amazônia peruana. Mais precisamente, uma região de difícil acesso e habitada por indígenas canibais. Quem não morreu com a queda da aeronave é capturado por esse pessoal. Um a um, os prisioneiros acabam perdendo a vida durante as tentativas de fuga.

A gente vai vendo o horror dos acontecimentos. O ser humano vendo o próprio ser humano como cardápio apetitoso. Não tem essa de pensar na família de cada um e ficar com peninha. Caiu na rede, é peixe. Simples assim. Ali não tem moralismos, afetuosidade e, muito menos, direitos humanos. A tal da mocinha, filha de não sei quem, naquele local, era só mais um filé prestes a ser saboreado, mas...

AGORA COMEÇAM OS SPOILERS

Ironicamente, ela é a única que sobrevive. Em toda sociedade existem os corruptíveis. Naquele povoado não era diferente. Um curumim proporcionou a fuga da madame, justo quando ela já estava sendo preparada para o banquete. A propina foi um apito que podia ser utilizado como se fosse uma flauta. Mexendo os dedos, o som ficava diferente.

Mas a maracutaia logo foi descoberta, o que dificultou bastante o sossego da subornadora, a ponto de se ver com os canibais em seu encalço e, do outro lado, bloqueando sua rota, uma onça que poderia atacá-la. O que você faria? Bem, entre os canibais e a onça, ela escolheu encarar o felino que, por sinal, acabou não fazendo nada. Se bobear, o animal é que deve ter ficado com receio dela.

A perseguição não acaba ali. De tanto correr, ela chega em uma área de confronto onde um pessoal "gente boa" luta contra os indígenas. Não prestei atenção se aquele povo eram garimpeiros que queriam tomar as terras ou se foram enviados para resgatar os ativistas, ou os dois. O fato é que eles estavam lá, prestes a executá-la, então a bonita levanta o poderoso celular de todos os reinos e grita que é americana.

Ao ser acolhida, no momento de irem embora, alguém pergunta se havia mais ativistas vivos para o resgate. Havia, sim. Mas ela disse que não. O sobrevivente era um dos ativistas. Ele se masturbou enquanto os amigos sofriam. Ele não media esforços para que os companheiros morressem antes dele, alegando ser a lei da sobrevivência. Vemos a cena clichê do cidadão, ainda preso, se esgoelando para a aeronave ouvi-lo, mas o esforço sendo em vão, pois logo ela se distancia até sumir de vista.

O filme termina com um depoimento da bonita na grande mídia. Ela aproveitou a ocasião para denunciar a farsa desses movimentos que lutam por nobres causas, mas usam e manipulam todo mundo porque lucram com isso? Não.

Ela mentiu incrivelmente sobre tudo. Os garimpeiros ficaram como os únicos vilões da história, pois todos os parceiros morreram pela queda do avião e ela foi resgatada pelos indígenas que foram quase como seus súditos, tamanha bondade a deles em cuidar dela. Você sabe por que ela fez isso. Eu também.

Como diz um verso da música do Biquini Cavadão:

"Bem-vindo ao mundo adulto
Não creia em ingenuidades
Amigos sempre fomos, negócios sempre à parte
Você que descobriu tudo isso um pouco tarde"

segunda-feira, 15 de junho de 2026

A BOSTA DO PSICOPATA AMERICANO

Um belo homem acorda e começa a se preparar para mais um dia. Ele é um executivo de sucesso e mostra para nós como é sua rotina, como faz a barba, quais produtos utiliza, então vemos os cuidados que ele mantém para sua pele. No trabalho, vemos o quão querido ele é pela sua secretária capacho que lhe cai em adoração enquanto ele acaba sem dó nem piedade com sua autoestima. A gente vê a rotina no dia dele, a importância e a seriedade de sua ocupação, as reuniões com os colegas de profissão invejosos e poderosos, no maior estilo amigão de negócios para o que der e vier, mas todos disputando sua ascenção empresarial, então o papo é sempre muito agradável, mas é um querendo ser melhor que o outro. Bom, pelo menos, essa é a concepção que o personagem mostra para nós que vamos assistindo-o, até chegar o momento em que ele para em frente a um mendigo, finge empatia e o mata na maior crueldade. Não poupa nem o cão de rua que sente a morte de seu dono. Pois é, o que esse homem tem de vaidoso, de bom gosto e de conhecedor das boas coisas da vida, ele também tem de meticuloso e cruel. Você nunca o vê tocado por uma emoção carinhosa, afetuosa, desprovida de interesses. Ele não se comove, não agradece, não retribui. Isso fica bem evidente quando ele está com as putas. Ah, o filme tem cenas fortes.

Esse filme é basicamente isso. A gente acompanha o asseamento impecável e o bom gosto contrastando com uma sede de poder inescrupulosa que o levou a cometer um deslize: matar aquele que na sua cabeça era seu rival. Ele só precisava de um simples motivo. E ter "tomado seu lugar" no restaurante onde só a nata da high society entra passou a ser esse motivo.

A gente acompanha o quanto ele vai se enrolando para se safar da investigação em busca do assassino que era ele, mas era óbvio que não se entregaria assim tão fácil. 

Seu temperamento é explosivo. Não do modo que o faz gritar, espernear, atrair a atenção de um monte de gente. A explosão se dá pelo desejo de matar. Às vezes, ele manipula. Outrora, vai no calor da emoção. Tudo depende de com quem está lidando.

Chega uma hora em que o filme vira uma matança desenfreada. Ele realmente fica louco e comete um crime atrás do outro. Vale tudo para não ser pego.

Então, após muitas mortes, muito sangue e muita sola de sapato correndo lá e cá, ele consegue se refugiar em seu castelo e dormir.

Ao acordar, prossegue com toda aquela rotina, só que a gente agora tem a impressão de que aquela será a última vez que ele toma aquele belo banho e desfruta de todos os cosméticos e rituais para se vestir com elegância, pois a gente espera que ele seja pego, assim que botar seus pés na empresa. 

A gente tem a sensação de que ele também pensa isso.

Então, a gente vai acompanhando o trajetória e, assim como ele, a gente não vai entendendo algumas coisas, principalmente a falta de alarde. A gente estranha o "vazio" que veio. E daí, ele tem que ir a uma reunião onde sabe que vai lidar com os caras de sempre e novamente a gente vê a ausência de qualquer conflito.

E o filme termina assim. Exatamente sem esclarecer coisa alguma. Você não sabe se ele delirou ou se algo realmente aconteceu e resolveram abafar por algum motivo. 

Cheguei a pesquisar no Google a interpretação dessa bosta, pois eu simplesmente não sabia se tinha entendido, mas eu vi que sim, eu tinha entendido. O filme é assim mesmo. Termina propositalmente assim. Nem a gente sabe se aquilo foi real ou não, ou o quanto teve de acontecimento.

Eu odeio filmes assim. Odeio qualquer tipo de história assim. Acho uma covardia para com quem está ali, envolvido na trama, esperando por um desfecho que tenha a ver, em vez de um simples delírio, surto ou loucura. Isso é muito covarde.

Christian Bale é o protagonista.

É claro!

Ti-nha-que-ser!

Eu não o conhecia antes de fazer o Batman (trilogia Nolan). Naquela época, para mim, ele era uma novidade e eu não curti nenhum pouco. Achei ele um ator sem expressão, uma verdadeira geleira. Essa trilogia Nolan é um saco. Só o segundo filme prestou. O segundo, sim, foi digno de prêmios. Mas o primeiro e o terceiro foram um lixo. O primeiro, o pior de todos! Você dorme, sonha horrores, acorda, vai tomar seu café da manhã, vai cagar e Bruce Wayne ainda está em processo de preparação para se tornar o Batman. Puta que pariu! E olha que nem sou um viciado em adrenalina, nem faço parte desse povo que quer tudo dinâmico.

Então, finalmente vi esse merda protagonizar um filme qualquer. Confesso que gostei da atuação dele. Ele mudou no meu conceito. Mas o filme serviu só para isso, apenas para me mostrar que o cara é bom ator. Mas, ainda assim, aquela cara de pastel dele me incomoda. É a mesma cara do Tom Cruise. Parece que está sempre cheirando peido. Do Tom Cruise, o percebi um excelente ator no filme Entrevista Com O Vampiro, mas vamos e convenhamos que ele estava bem diferente na pele do personagem, né? O único filme dele que realmente me agradou. O resto é sempre aquela cara, aquele jeito.

Williem Dafoe fez o investigador. Eu gosto dele. Na verdade, eu gosto de qualquer ator que não sejam Tom Cruise e Cristian Bale. Não, nesse filme o Tom Cruise não dá as caras. Graças a Deus! Mas descobri que o rival do Bale no filme era o Jared Leto. Putz! Esse Jared Leto é mesmo um camaleão! Não o reconheci. Acho muito interessante a capacidade que ele tem de compor seus personagens. Rapaz, fiquei pasmo agora...

Meu companheiro fica puto comigo, porque escolho o filme no miguelão, sem ficar tão interessado em sinopses, atores, nada. Se eu tivesse me atentado a saber mais sobre a produção, um pouco antes de botar para ver, eu não teria ficado surpreso. Ah, Ah!

Ontem, à tardezinha, vi também As Cores Do Mal: Preto, e gostei. Super indico. Quem sabe, eu fale em algum outro post, ou não. 

sábado, 3 de janeiro de 2026

FILME | A ÙLTIMA PARADA DO ARIZONA

Minha primeira postagem do ano não será para comentar como foi a virada do calendário, nem focar em algo existencial, como gosto de compartilhar. Quero apenas indicar este filme que assisti na Netflix. Falo onde vi, pois acho que assim ajudo aquela pessoa que se interessa, mas entendo que ninguém saberá como encontrar essa produção no futuro, vez que os filmes andam pulando de um streaming para outro, assim a gente perde a noção e fica até com preguiça de procurar. Mas, vamos lá. Hoje, eu vi na Netflix. 

A imagem acima diz tudo sobre o que você vai encontrar na trama inteira. Esse clima aí. O ator que está rendendo a atendente merece um prêmio. Dá medo e ranço ao mesmo tempo, só de olhar para a cara dele.

Houve um assalto a banco. A dupla precisou abastecer o carro em um desses postos de beira de estrada - uma paisagem árida, hostil, largada, com um calor infernal daqueles de fazer suar e feder a gente, do jeito que costuma ser aqui em Ribeirão Preto. Na lanchonete do local, eles fazem a atendente e um vendedor de refém. 

O barato da situação é que vai chegando mais gente ao longo da história. E esse povo fica ali, mas não faz ideia do que está ocorrendo. Tornam-se reféns sem saber. Mas há um clima tenso, permanente, e uma hora a coisa vem à tona, então eu gargalhei alto quando um por um dos clientes foi revelando cada qual a sua arma. Sim. Todo mundo tinha uma arma de fogo para chamar de sua, até um frágil casal de velhinhos. Ah, Ah!

Prefiro não contar mais nada. É um filme que achei uma delícia de assitir. Peca no fim, como vem sendo com muita coisa, ultimamente, mas achei tudo muito divertido. Valeu a pena ter assistido. Só uma hora e meia grudado em frente à TV.

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

MASKGIRL, UMA SÉRIE BOMBA

Um amigo blogueiro me indicou a série MASKGIRL, da Netflix. Pela referência coreana, fiquei curioso, pois vi Round 6 e gostei, vi o filme Meus 84 Metros Quadrados e gostei, então pensei que a série poderia ser, no mínimo, razoável. Por que não assistir? Lembrando o saudoso personagem Rolando Lero, da Escolinha do Professor Raimundo, eu digo: "Assisti-a-a".

Ah...

Sete episódios de uma hora cada, mas cada um parece que tem três. Os dois primeiros episódios são ruins. Mostram uma mulher que gostaria de ser artista musical, mas cresceu complexada com sua aparência, então ela é mais uma no meio de um grupo que cumpre seu expediente em frente a uma tela de computador, obedecendo ordens de um superior. Ela tem suas "amizadinhas", mas ninguém a nota tanto assim, a ponto de obter uma consideração especial. A que lhe parecia melhor amiga era uma gorda nanica (só faltou a roupa azul e a logomarca Ultragás) cuja aparência também não era lá grande coisa, ainda tinha a língua comprida, adorava uma fofoca e um veneninho - normal em um local de trabalho, principalmente no Brasil (falou o cara que há muitos anos não sabe o que é isso).

A complexada tem um segredo: após o trabalho, à noite, ela faz apresentações em uma plataforma adulta para idiotas. Sim, para idiotas, pois qual plataforma adulta considera o nude como uma infração, a ponto de penalizar o tal do canal? Os idiotas ficam ali, vendo a pessoa dançar, se insinuar, à medida que eles depositam seus pix. Eu disse pix, não picas. Lá não tem pix, mas vocês entenderam o que eu quis dizer. Então eles depositam seus pix em troca de performances sexuais para suas picas, mas nudes não são permitidos. Ahhh... 

O segredo é que ela usa uma máscara que lhe cobre todo o rosto. Então ela é conhecida como a garota mascarada, por isso o nome MaskGirl. O corpo é maravilhoso, leva os homens à loucura. Mas é isso, precisa colocar um travesseiro na hora de um rala e rola. E sim, ela é feiona mesmo! Eu achei. Até Michael Myers correria dela na noite de Halloween.

Os dois episódios giram em torno disso, de uma paixão que ela tem pelo seu gerente e de um encontro presencial com um suposto fã. O cara joga um lero, eles ficam bebendo um drinque em um bar. Se fosse no Brasil, iriam parar no hospital e a série acabaria aí, mas lá é uma pátria séria, então eles foram é para um motel. Ela espera o cidadão pagar a diária da suíte, que ficou cara, entra com ele na suítre e depois faz a linha "Meu Deus, o que eu estou fazendo aqui? Como você é mal, por ter me trazido aqui! Logo eu, tão inocente! Quer saber? Vou embora!". Parece que aprendeu direitinho com as 'do job' daqui.

Do lado de fora, um leitão punheteiro nerd, que era seu colega de trabalho e sabia seu segredo (nunca subestime a inteligência que um punheteiro crônico tem envolvendo imagens e sexo), a procurava, desesperado, pois a "bonita" (neste caso, sempre entre aspas, tá?) não sabia que seu príncipe-sapo estava detonando ela nas redes sociais. Para ela, ele jogou o maior chaveco dizendo que era linda, um princesa, que seria maravilhoso ficar com ela, mas ele postava o oposto nas redes (escondido dela, é lógico). 

Lá dentro, a "bonita" quer ir embora, então o príncipe-sapo fica desesperado, pois ele quer molhar seu biscoito, já que a noite lhe custou tão caro. "Ki ki foi, kirida? Tá achando que é Brasil?". Há uma briga entre os dois e ele acaba batendo a cabeça na pia e fica morto no chão. Bem na hora em que chega o punheteiro leitão.

Ela se manda e o leitão descobre que o cara não está morto de verdade. Puto que estava pelo flagrante deplorável em torno de sua amada, Shrek Coreano teve um acesso de ira e esquartejou o príncipe-sapo. 

A partir daí, a coisa só piora. Shrek Coreano se revela igual ao príncipe-sapo. Ele quer molhar seu biscoito gordo e ensebado na caverninha de Feiona, mas ela quase morre de nojo diante da possibilidade. Resultado: ela acaba matando ele e se manda dali. Ela dá um jeito de sumir do mapa, só que, antes, ainda quando está nas cenas finais com o Shrek Coreano, ela mostra que fez uma série de plásticas para mudar radicalmente sua face.

O terceiro episódio mantém um suspense sobre como ficou a aparência nova da MaskGirl feiona, que não era mais MaskGirl nem feiona, mas a gente não vê nunca como ficou a garota, porque resolveram focar na mãe do Shrek Coreano e um tempo desperdiçado sobre a convivência dela com o filho.

A mãe, com sangue no zóio, descobre a má sorte de seu filho, também que ele era o maior punheteiro da Coreia e, puta da vida, resolve fazer jutiça com as próprias mãos. A gente vai vendo ela arrumando pistas e indo em busca da agora misteriosa ex-MaskGirl Feiona. Perde-se muito tempo nisso, mantendo o suspense para a gente, até que finalmente nos deparamos com a personagem -- a atriz não tinha nada a ver com a anterior, o que eu considerei péssimo, mas aposto que a machaiada hétero até babou pela cabeça de baixo!

Houve um confronto entre ela, sua companheira lésbica e a mãe de Shrek Coreano. A mãe matou a lésbica e a Ex-MaskGirl, agora linda de morrer, matou a mãe de Shrek Coreano. A meu ver, a história deveria ter acabado aí. Foi ruim, mas valeu pelo suspense e os momentos de plot twist. Mas faltavam três episódios ainda, ou seja, quase uma eternidade. 

Parei no episódio seguinte, quando a história simplesmente foi descontinuada do tempo atual porque alguém nessa produção cretina achou que a gente queria conhecer a infância besta da feiona. Não! Isso não importava nenhum pouco. Aliás, isso vem sendo comum em séries de hoje em dia. Parece que eles não têm história, então eles metem, de repente, como foi o passado deste ou daquele personagem e ficam enrolando naquele tempo, sendo que aquilo não nos interessa em nada, é só enrolação. Assisti ao episódio, quase inteiro, mas não aguentei mais e resolvi abandoná-la. Infelizmente, a coisa só piorava a cada episodio. Se alguém quiser meter o louco de curioso, assista só os três episódios. Mas já aviso que é uma bomba. Muito chato.

sexta-feira, 26 de setembro de 2025

WANDINHA, DA NETFLIX


Vi a série Wandinha, da Netflix. 2 Temporadas com 8 episódios cada.
Gostei de ambas. Cada uma traz uma situação com começo,  meio e fim, então você pode ver apenas a primeira (ou a segunda) e tudo bem. 
Apesar dos tempos em que vivemos, onde existe um cerceamento ferrenho contra impactos, gatilhos e muita coisa, tornando muito difícil algumas coisas peculiares se tornarem divertidas, essa franquia conseguiu realmente tirar leite de pedra e trouxe entretenimento do bom, principalmente pela originalidade em que colocaram esse núcleo que sempre se resumiu a uma família monstro em um microuniverso onde convivem com vizinhos que os acham bizarros. Conseguiram elevar a família a um patamar melhor, colocando uma porção de acontecimentos em um lugar onde eles não são os únicos esquisitos, 
Não digo que a série é melhor que os dois filmes tão famosos no passado, estrelados por Anjelica Houston  Raúl Juliá e Christina Ricci. Digo que a série é tão boa e icônica quanto. 
Uma terceira temporada foi anunciada. Espero que não demorem nem façam a palhaçada de fracioná-la, como aconteceu em Round 6. De qualquer maneira, eu só quero dizer que para mim valeu muito a pena ter visto. 

quarta-feira, 9 de julho de 2025

THE MOUSE TRAP - O PODRÃO DO MICKEY

Dias desses, estava procurando filmes no You Tube e dei de cara com uma produção trasheira do Mickey, intitulada "The Mouse Trap".

Sério?!

É. O que acontece é que a versão do Mickey de 1928 está em domínio público. Isso quer dizer que o personagem pode ser utilizado sem pedir autorização à Disney, o que dá margem para a criatividade correr solta, principalmente a provocativa.

"The Mouse Trap" é um filme de 2024 no estilo slasher (matança estúpida). No começo, a produção já deixa bem claro que a Disney não tem nada a ver, que é uma equipe independente e blá-blá-blá. Depois de tudo esclarecido, a história começa mostrando um cenário diverttido para jovens e bastante cansativo para as funcionárias exaustas que queriam ir embora, mas, um pouco antes do final de expediente, vem o patrão informar que precisarão ficar mais algumas horas, por causa de uma turma que alugou o espaço para uma festinha. A contragosto, elas ficam. Na verdade, só uma acaba ficando. A outra dá um jeito de se ausentar, na maior malandragem. A turma que alugou o espaço chega e a trama vai deslanchando.

Para minha surpresa, a imagem do filme apareceu muito boa para mim. A dublagem, idem, só que há muitos palavrões, então digo logo para que tirem as crianças de perto, pois muitas palavras cabeludas são pronunciadas sem poupar a quem vê. Eu gostei, achei interessante (por se tratar do Mickey), pois o gênero trash/slasher costuma ter meu apreço. É claro que o Mickey é um homem vestido com uma fantasia. Poderiam ter trabalhado um pouco isso, para o entendimento melhor (ao telespectador) acerca do personagem, como foi com a trasheira do Ursinho Pooh, por exemplo, onde ficou claro que o personagem era o resultado de uma experiência genética mal-sucedida, por isso foi abandonado no bosque, assim como seus amigos. Mas isso, quem sabe, talvez eu comente em um outro post -- ou não.

Clique aqui para ver o filme no YT

sexta-feira, 16 de maio de 2025

O JARDINEIRO e CASSANDRA [SPOILERS]


Essas duas séries que vi há pouco na Netflix tem algo em comum: feitas como mero entretenimento leve para quem quer esperar o sono, relaxar em frente a TV, sem ter que raciocinar tanto diante da história contada. Ambas possuem pouquíssimos episódios e ambas nadam de braçada no clichê.

O JARDINEIRO é uma produção espanhola que conta a história de Elmer, um cara novo e estranho que vive em um casarão com sua mãe ex-atriz, bonitona, gostosona e com o dedo podre. 

Elmer não possui sentimentos -- isso mesmo, ele não sente desejos, não se comove com os outros, não tem capacidade de empatia, apenas sente uma coisa: incômodo com a presença de outros humanos, principalmente quando se trata de um grupo. Do entendimento que eu tive, a mãe se aproveitou disso para fazer dele um matador de aluguel. 

A partir daqui tem spoilers

A casa tem um imenso jardim, adivinhe para quê. É fácil, este é um dos clichês. O outro clichê: ele se apaixona pela pessoa que deveria matar: uma ruiva bonita, também nova, mas nota-se que já sabe das coisas. Enquanto ele é o cabação virgem, ela é experiente até demais na anatomia masculina. O outro clichê: ele, completamente apaixonado e devaneando uma vida juntos, a flagra com outro. O outro clichê: a mãe dele ficar doida de raiva porque está perdendo seu lugar e também porque ele precisa matar a garota para a mãe receber a grana combinada que serviria para solucionar seus problemas, pois ela tem uma história. Outro clichê: a mãe vingativa que passa a ter o papel de vilã. Outro clichê: dois investigdores desacreditados que se empenham em pegá-lo para se tornarem honrados.

Apesar dos clichês, o que para mim não é nenhum problema, desde que seja uma boa trama, eu gostei da série. As últimas cenas me fizeram dar gargalhadas de tanto rir. Isso mesmo. A situação foi toda resolvida, embora ficou uma promessa de segunda temporada. Será? Série divertida, no sentido que é agradável ver.

💓💓💓

CASSANDRA é uma produção alemã sobre uma família que se muda para uma casa totalmente automatizada por uma inteligência artificial chamada Cassandra, que tem rosto de governanta balzaquiana e conservadora e conta com monitores espalhados por todo o interior da casa, além de um robô do tamanho de um ser humano. Esse robô perambula pela casa, cheio de funcionalidades, até bate punheta. É, isso ficou meio que dado a entender em um ponto da coisa toda, assim como deu a entender que o cara não era gostoso só de roupa (mas calma, é uma série para toda a família, esses detalhes a gente capta, não são tão explícitos).

Vamos aos spoilers e clichês

A rebelião da IA contra os humanos.

NÃÃÃO!! JURA?! COMO É QUE EU NUNCA PENSEI...? 

-- Mas a diferença está nos detalhes -- alguém pode alegar. Só que não! 

Não há nada que salve essa série que é clichê em cima de clichê. É toda clichê a cada minuto. A máquina querendo sacanear a mulher, para ocupar o lugar dela na família, primeiro pregando peças, depois botando os filhos contra ela, depois o marido, depois fazendo todo mundo pensar que ela é louca, hospital psiquiátrico, familia descobre tudo, a máquina prende todos e põe o terror etc. Não é difícil imaginar o desfecho, pois é esse mesmo que você já imaginou.

Tentaram dar uma diferenciada ao alternar a realidade presente com o passado em que vemos que Cassandra realmente existiu, foi a mulher de um cara que a corneava à vontade, pois Cassandra era feia, chata, sem graça e ainda achava que o marido deveria se submeter às suas convenções. Até nisso a gente vê clichê. O homem como o perverso, traidor, egoísta e malvado. Ela, a pobre coitada que vai pirando aos poucos e isso justifica sua maldade. 

Vemos uma Cassandra má, mas o cara também não era flor que se cheire. Tem uma pegada envolvendo os filhos dela com o marido, que prefiro nem comentar: se apostaram como um diferencial, achei foi irrelevante, um desperdício. 

No fim, acho que é assim que eu vejo essa série: um completo e desnecessário desperdício. Há coisas que não "colam", por exemplo: ela automatizava as portas e as luzes, mas as pessoas volta e meia passavam por uma porta, em algum lugar, sem precisar que ela as abrisse. Isso porque ela operava de forma onipresente e onipotente o tempo todo. "Heloow!" A mulher saiu do hospício e conseguiu entrar na casa pelo meio mais clichê sem ser notada. Ah, Ah! Sem falar no homem-banana tão comum de ser retratado atualmente. O baita do homenzarrão inteligente e cheio de testosterona que fica bobo e não sabe o que fazer para defender seus filhos, a ponto de a esposa dada como louca ter que sair lá da PQP para vir salvar todo mundo. Aiin...

💓💓💓

Um filme dos anos 80, chamado A MALDIÇÃO DE SAMANTHA, consegue ser melhor que isso aí. Em uma era onde nem se imaginava a Internet, quanto mais inteligência artificial, o rapaz nerd com pinta de cientista e tarado na vizinha loura, muito bonita e visivelmente mais experiente que ele faz dela um experimento pós-morte, pois a garota é morta acidentalmente pelo pai violento, então o rapaz consegue ressuscitá-la por meio de um negócio, tipo um chip da época, não me lembro muito bem, e ele faz dela uma andróide. Samantha volta à vida, só que se torna, literalmente, uma loura de matar! Ah, Ah! 

Esse filme era uma das bombas que os EUA produziam para a garotada, antigamente, mas funcionou bem para o Brasil, sendo exibido várias vezes na TV, até que o politicamente correto fez o filme desaparecer. Os motivos são óbvios: esses trashes possuíam poucos recursos de efeitos, mas distribuíam matança, sangue e cenas horríveis de como a pessoa vai morrendo. 

Hoje em dia, com esse povo algodão-doce, sei não... Quando foi que a nossa sociedade se tornou... "isso"?

Bom, aí está a experiência que tive com essas duas séries. Já sabe qual eu mais gostei, né? As duas podem ser assistidas sem medo. Elas divertem e tal, então, caso alguém queira e realmente as veja, depois me diga o que achou, qual gostou mais. Um abraço.

quarta-feira, 14 de maio de 2025

PRISON BREAK [COM SPOILERS]

Na postagem anterior, citei PRISON BREAK, uma série que considero muito boa e indico para quem gosta de ação, aventura e suspense envolvendo bandidos confinados em um presídio -- um mais complicado que o outro; tem fuga e novas encrencas longe dali.

A primeira temporada estreou nos EUA em 2005, a quinta e última em 2017. Especulam uma sexta, o que considero inviável. Não há mais história. A quinta já forçou um pouco demais a imaginação ao colocar os caras enfrentando terroristas no oriente médio. Também há rumores de remake. Faz muito tempo que venho percebendo que muitos desses remakes não prestam, pelo motivo óbvio de que estamos em outros tempos: muita coisa escrota, indecente e que proporcionam gatilhos seria retirada, o que considero péssimo. Somos adultos. Se você não pode com esses conteúdos, não veja, bote sua fralda pampers, pegue sua chupetinha e fique vendo o pintinho amarelinho. 

A série não é perfeita. Existem algumas situações em que você para e pensa: "Mas, por quê? Isso poderia ter sido assim e assado", mas ela cumpre bem a missão do entretenimento. 

Apesar de alguns itens que podem acionar gatilhos, eu acho que dá para a família toda ver numa boa. Quando eu era criança, via filmes de terror com bebês matando gente, monstros em parque de diversões, a trasheira de palhaços assassinos e o pau torando na band, de madrugada, será que isso explica minha homosexualidade? Acho que não. Mas se alguém acha que ver filmes pornôs hétero ajuda na heterosexualidade, saibam que na adolescência eu só via pornô hétero, porque nele os caras parece que têm um desejo real. No pornô gay, a impressão que tenho é que nem todo ativo gostaria mesmo de estar ali, naquele papel. Às vezes exageram nas caras e bocas (ou simplesmente não têm nenhuma emoção), então fica tudo artificial. Deve ser por isso que, ultimamente, os filmecos caseiros andam tendo mais aceitação. O cara dá uma pegada no do parceiro sem saber que está sendo filmado, ou sabe, mas nem liga, só quer saber da pica. É muito mais autêntico. Os pornôs héteros que eu assistia também tinham essa coisa de que parecia que os homens sentiam desejo de verdade, por isso valia muito a pena.

Mas, voltando à série, é visível a passagem de tempo a partir da terceira temporada, pois alguns personagens engordaram, outros envelheceram e não houve truque de câmera nem filtro tecnológico capaz de dar um jeito competente nisso. 

1a. Temporada - A história começa mostrando Michael sendo preso. Ele confessa que foi de propósito, pois a intenção era salvar o irmão gostosão com cara de mal e corpo do diabo, condenado à cadeira elétrica. Michael é um estrategista superinteligente de mão cheia. Ele bola um plano, não só para tirar o irmão da cadeira elétrica, mas também para fugir do presídio junto com o pessoal que se empenhar em ajudá-lo. Spoiler: na fuga, tem um presidiário versão Faustão (anos 90), que jura que vai fugir também. É meio que óbvio que ele não consegue, mas o momento prende a nossa atenção, queremos ver se o Faustão vai mesmo conseguir fugir da cadeia, isso rende algumas risadas. Fiquei com pena do velhote que nadou e morreu na praia. Eu gostava dele.

2a. Temporada - São procurados por todos os EUA. O foco está em pegar um a um. Spoiler: há uma peneirada e uma turma vai se ferrar no Panamá.

3a. Temporada - O presídio do Panamá faz com que a penitenciária de Fox River de onde saíram seja um berçário. A situação em Sona, no Panamá, é caótica em todos os sentidos. O inferno deve ser aquilo. Spoiler: gostei muito do negão que comandava a porra toda, foi uma pena ele ter morrido, poderiam ter explorado mais do ator. Ele era excelente!

4a. Temporada - Uma organização poderosa que surgiu na temporada anterior fica em evidência agora, pois o foco está em um negócio misterioso que visa controlar o mundo inteiro. Michael, seu irmão gostosão com pinta de ator pornô e os "amigos" precisam desmantelar essa organização e recuperar o artefato poderoso. Spoiler: atores visivelmente modificados pelo tempo, roteiro cheio de lenga-lenga para justificar a falta de impacto, de matança e de doideira. Já não é a mesma coisa.

5a. Temporada - Michael e a turma vivem uma aventura no Iêmen, um país árabe, e lá eles lidam com o terrorismo. Muita ação, violência e pancadaria, talvez para compensar a água de salsicha que foi a quarta temporada. Spoiler: os primeiros episódios parecem até um remake da primeira temporada, só que feito um pouco diferente, pra não dar muito na cara. O demais episódios, da metade pra frente, conseguem dar uma identidade nova, mas a gente já está cansado, por isso a revelação de que o doido psicótico, estuprador e pedófilo tem um filho já barbado e com pelos no saco não causa impacto -- na verdade, achei bem indesejável, um desperdício ao ator bonitão que poderia ter ganhado um destino melhor.

Foi uma série incrível, mas já estava na hora de acabar. Não creio ser uma boa ideia insistirem em nova temporada. Se querem lucrar em cima desse mote, que façam outra série que traga alguns easter eggies desta.

segunda-feira, 28 de abril de 2025

ABORRESCÊNCIA, DA NETFLIX

Estava curtindo uma longa série com meu companheiro, chamada PRISON BREAK [se eu não esquecer, em breve pretendo falar sobre ela], quando a internet começou a mostrar muitas postagens em tudo que foi lugar, sobre o lançamento da Netflix: "Adolescência". 

Teve quem focou na toxicidade do menino, no intuito de comparar o comportamento dele em relação ao da vítima; 

teve quem focou no grande drama dos filhos estarem dentro de casa com os pais e, ao mesmo tempo, imersos em mundo mundo completamente desconhecido na Internet, fazendo sabe-se lá o quê; 

houve quem preferiu abordar como envelhecemos neste universo digital, sendo que a maneira como utilizamos simples emojis [aqueles desenhos de carinhas e corações e foguinho etc.] é discrepante ao entendimento que a molecada está atribuindo a cada uma daquelas figurinhas, que agora compreendo que não são tão inofensivas assim. Eu vivo curtindo com coraçõezinhos vermelhos as postagens dos amigos em rede social. Eu achava fofo, que queria dizer que gostei muito, uma epécie de apoio moral e tal. Descobri que, aos olhos da molecada, eu sou a putona-mor da Internet, pois fico ali de sorrisinhos e insinuções para todo mundo;

e vi posts reflexivos sobre bullying e até sobre racismo. 

Quando finalmente terminamos toda PRISON BREAK, resolvemos ver "Adolescência". 

Foi como sair da água e se lambrecar no óleo.

Esse drama de 4 episódios poderia ter sido resumido em apenas 1. Muita encheção de linguiça para uma pauta óbvia e cheia de causas as quais foram jogadas apenas para que todo mundo fosse para a Internet e fizesse exatamente o que fizeram: suas considerações, reflexões, convicções, até mesmo grandes lições moralistas, de forma que enaltecesse a série por abordar tão significativos pontos. A-ham...

O único episódio que realmente teve conteúdo foi o terceiro. Vemos um guri de 13 anos que parece ter 9 e nenhum pingo de juizo, só que uma inteligência de Einsten. 

Ele engana. Negou ter cometido o crime. E você realmente acredita. Você quer acreditar. 

Vemos um pequeno psicopata mestre em dissimular. Poucos brasileiros captarão o comportamento dele, pois a sociedade está se idiotizando de uns anos para cá, graças às novelas e demais entretenimento nacional cada vez mais rasinhos, com pífio impacto e capacidade de refletir sobre a condição humana, nuances da psiquê, vez que a única condição humana que vemos é sempre relacionada ao panorama social e político -- e as pessoas achando super normal que o governo faça uma verdadeira lobotomia em tudo que é entretenimento. 

Voltando ao foco, a gente logo se situa se ele é culpado ou não. Isso é mostrado antes do terceiro episódio. O pai vê o vídeo que mostra o seu filhinho querido, o anjinho de candura que reencarnou ali, matando a menina que o menosprezou gostoso, sem dó nem piedade, porque ela também não valia nada, uma biscate que gostava de ser a tal da popular na escola e talvez, quem sabe, até adoraria jogar roleta russa com os calibres mais irados que encontrasse. Se bem que, naquela idade, nem lembro se havia calibre bom nesses ambientes escolares. Hoje tenho 47 anos e vejo esse povo todo como crianças.

Voltando de novo ao foco, o pai é um bunda mole, perdedor, fracassado, frustrado, que nem para ir ao cinema no dia do próprio aniversário prestou, porque a vontade da mulher se sobressaiu à dele, pois, para ela, valeria mais a pena ficarem todos em casa, remoendo o tragédia do filho preso, o crime que ele cometeu, a vizinhança na defensiva com eles. Ele até tentou ter um dia bom ao lado dela e da filha [irmã mais velha do pequeno Chuck em forma de gente], mas, na hora de ir ao cinema, que era o melhor momento em família, a bonita esperou todo mundo se arrumar para fazer seu drama e deixar todo mundo ainda mais triste. Uma bosta!

Não sei o que foi pior nessa produção: as causas embutidas a troco de nada, os pais que se culpavam, ou os dois terços de conteúdo completamente desnecessários. 

Vou dar um spoiler do momento final:

Quando a família dó-ré-mi voltava para casa após o homem se estressar por aí, o anjinho ligou, do pedacinho de céu onde está detido, e, após dar os parabéns ao pai, ficou querendo trocar uma ideia sem nenhum assunto. Serviu para vermos que quando o dia está uma bosta, sempre pode piorar. No meio daquele chove e não molha, nem caga e nem sai da moita, o pequeno Chuck falou que ia se declarar culpado -- o que caiu como uma bomba na consciência dos pais que, até então, queriam se enganar a respeito, mesmo o pai tendo visto o vídeo. Aquela tinha sido uma confissão a eles. O que mais restaria para se agarrarem pateticamente? Nada. 

Horas depois, todo mundo pronto para ir ao cinema, apesar do clima de velório, a mulher convence marido e filha a ficarem remoendo as agruras em casa. Enquanto as duas vão preparar algo que as engorde, o pai entra por um minuto no quarto do filho e tem uma crise de choro. Fim.

Deixando de lado esse estilo feio de contar, falando sério agora, a única cena que prestou, nessa produção inteira, foi esse final. O pai em mil pedaços, vendo-se completamente impotente diante do sistema que não terá piedade de seu filho homem. A cena do ursinho aperta o nosso coração, pois somos eternamente meninos e meninas aos olhos de nossos pais. E o seu menino, infelizmente, não terá as fases que todo menino vivenciará durante o desenvolvimento de sua vida. Ele está nas garras do sistema. 

Esse ator merecia um prêmio, não apenas por esse momento, que foi forte e disse mais que mil palavras sobre a dor de um pai ao "perder" seu filho, mas ele praticamente carregou a série nas costas.  

"Adolescência" é aquele prato requintado que poucos gostarão de apreciar. É preciso mais do que sensibilidade aguçada. É preciso QUERER apoiar a ideia. 

POIS É

Criação, roteiro e direção artística: Fabiano Caldeira Arte produzida com auxílio de inteligência artificial (OpenAI)