sábado, 11 de julho de 2026

AMIGO, PERO NO MUCHO

Minhas redes sociais são basicamente para conhecidos, familiares ou não, que achariam estranho se eu não tivesse um perfil. Como eu ficaria sabendo do aniversário de um ou do passamento de outro? 

Pois é. Pela rede social, eu escolhi não ir a comemorações e escolhi comparecer a velórios.

Ninguém me enche a paciência em um velório. É super agradável. Eu fico até entusiasmado, empolgado. Já aconteceu de sentir vontade de rir. Alguma vezes, eu disfarcei. Em uma ou outra, acho que perceberam alguma coisa. 

Festas são chatas. A última vez em que fui, tive que ficar conversando com uma pessoa remanescente da era jurássica e que não estava nem um pouco a fim de se enturmar. Se alguém a procurasse, ótimo. Até rolava um bate-papo. Mas ninguém se aproximava. Então, por eeducação, terminei o rolê falando o clássico "vai lá em casa uma hora". 

Eu e minha boca.

Não passou nem uma semana, olha o cidadão aparecendo para uma visita totalmente surpresa na minha casa. 

Não atendi. 

Pedi perdão a Deus e me comprometi a nunca mais dizer essas coisas. A gente quer ser cordial e acaba desencadeando esse tipo de situação.
 
Quando alguém te fala "vai lá em casa", é só um meio bonito de dizer "estou indo embora". Não é para você visitar o ser.

Uma vez, há certo tempo, rolava uma conversa entre um povo conhecido, então alguém se convidou e eu logo falei: "Não recebo ninguém na minha casa. Sei lá. Eu não gosto". Soou grosseiro, estúpido, mas também libertador. Devem ter falado muito mal de mim pelas costas, mas não me arrancou pedaço.

Não sou tão recluso quanto gostaria. Algumas pessoas realmente vêm me ver às vezes, mas é gente bem próxima, de um convívio presencial natural. 

Nem sempre eu fui assim. 

Eu gostava de receber amigos, toda pessoa que viesse gastar um pouco de seu tempo comigo. Eu era do tipo que sempre tinha alguma coisinha para comer. Achava falta de educação não oferecer nada. 

O tempo passou e muita coisa aconteceu. As pessoas não vêm mais aonde você mora porque querem conversar. Para isso existe a Internet, o WhatsApp, as redes sociais. Elas vêm na sua casa porque estão ociosas, desocupadas e querem saber como você está vivendo, sob quais condições, em que lugar etc.
Nos dias de hoje, quem precisa realmente falar com você vai te mandar mensagens. Quem está ferrado vai dar um jeito de ir até você. Corre!

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