sábado, 3 de outubro de 2026

AS GÊMEAS

Bom dia, que este sábado pré-eleitoral seja de paz e tranquilidade para você e sua família. 

Esses quadrinhos d'AS GÊMEAS não são novos, já os postei aqui. Foram todos produzidos por mim, não tem IA em nada. 

 

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

QUADRINHOS DO HUGO

Chegamos em Outubro. Um mês cheio de datas marcantes. 

Criação, roteiro e direção: Fabiano Caldeira 

Arte produzida com IA 


quarta-feira, 30 de setembro de 2026

QUADRINHOS DO HUGO

Como é bom um cafezinho ☕️❤️

Criação, roteiro e direção: Fabiano Caldeira

Arte produzida com IA 

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

QUADRINHOS DO HUGO

A semana começou. Você tá pronto? Eu tô. 

Criação, roteiro e direção: Fabiano Caldeira

Arte produzida com IA 

sábado, 26 de setembro de 2026

EU REVI O FILME ECOS DO ALÉM

Ontem, assisti ao filme Ecos do Além, uma produção de 1999 protagonizada por Kevin Bacon. Quem é das antigas, como eu, sabe muito bem quem é Kevin Bacon, pois o ator teve toda sua juventude nas telas e, na minha opinião, seu talento amadureceu de forma excelente, sem precisar se tornar mais um mito brutamontes dos filmes carregados de ação mentirosa, os quais vibrávamos de assitir porque era muito divertido ver um cara saltar de um lugar bem alto e conseguir cair em cima de uma asa delta ou um balão, além das clássicas cenas em que o brutão dava conta sozinho de uns dez caras com o dobro de sua massa corporal. 

Eu me lembro do Bacon como um personagem qualquer no primeiro filme da franquia Sexta-Feira 13 (Friday13th), em 1980, ganhando um pouco de foco apenas para morrer enquanto fazia amor com a namorada. O primeiro filme dessa franquia não mostrava quem matava o povo. O emblemático Jason Voorhees só teve seu protagonismo a partir do segundo, mas este é um assunto para outra postagem, talvez. Foi em 1984 que ele ganhou notoriedade ao protagonizar o clássico Footloose, Ritmo Louco (Footloose), onde seu personagem afrontava as leis de uma cidade pequena que visavam proibir músicas dançantes. O filme é um grande clássico do cinema e eu virei o tiozão autoritário que não gosta desses eventos. Ah, Ah! 

A partir daí, sua carreira deslanchou feito água saindo da torneira. Hoje, se você der uma "gugada", verá muita coisa que ele fez. Entre elas, destaco Linha Mortal (Flatliners, 1990), O Ataque Dos Vermes Malditos (Tremors, 1990), Sobre Meninos E Lobos (Mystic River, 2003) e X-Men Primeira Classe (X-Men: First Class, 2011).

Focando no filme de ontem, Ecos do Além traz terror, suspense e drama. Um filmaço que valeu muito a pena ver de novo. A história começa bobinha, com ele trocando uma ideia com a irmã de sua esposa, à toa em sua casa, conversando amenidades, até que ele se submete a uma sessão de hipnose. O clima era descontraído, então via-se que era difícil levar a sério esse negócio, mas alguma coisa aconteceu e tinha conexão com as falas do menininho no começo do filme. O filho dele, por ser muito criança, conseguia essa conexão, mas Tom (personagem de Bacon) começou a obtê-la com frequência após a hipnose. 

ATENÇÃO - SPOILERS

A questão vai ganhando densidade ao poucos, até nos depararmos com Tom insanamente quebrando a casa inteira em busca do corpo de Samantha, uma jovem muito bonita e supostamente lerda que virou alvo do tédio de dois rapazes mimados do baralho que quiseram se aproveitar dela. Um deles era filho do proprietário daquela casa. 

Diante da resistência, em meio ao desespero por se ver livre deles, Samantha foi morta, depois envolvida pelo saco plástico que lhe tirou a vida e escondida no porão. Tom a encontrou após quebrar uma parede que considerou suspeita. As conexões que ele vinha tendo não o deixavam em paz. O filme retratou a evolução desse tormento de maneira bem competente.

Em determinada circunstância, a história sobre o desaparecimento dela é contada para nós. Assistimos a uma situação indesejável onde podemos refletir quão perigosos podem se tornar adolescentes ociosos do sexo masculino naquela fase em que precisam se autoafirmar como machos predadores. A gente logo percebe o tédio em um deles, a malícia no olhar do outro, a ideia errada em comum acordo para fazer da coitada mero objeto de diversão, alguma coisa com que pudessem passar o tempo. 

Por que ela? Óbvio! Samantha era linda, educada e vulnerável. Esses escrotos sabem com quem podem mexer. A beleza chamava atenção. Pele branca, delicada, os óculos realçando a ingenuidade, as feições de menina-mulher. 

Belíssima

Se fossse uma feiona de dois dentes para fora, nariz batatudo e cabelo desgrenhado, é claro que não teria o mesmo efeito. O cinema daquela época sabia das coisas. É por esse detalhe que tenho até medo de um remake dessa história.

A lerdeza citada era subjetiva, ficando a cargo de quem assiste tirar suas conclusões. Prefiro entender que ela possuía um leve espectro de lentidão, vez que não era tão criança, mas foi muito fácil tapeá-la e levá-la ao porão. 

Samantha no porão, pouco antes e morrer

No fim da trama, o espírito dela aparece em paz e vai embora, sumindo feito fantasma que era, no momento em que um carro trafegou pela rua. Meu coração ficou apertado e os olhos suaram.

A gente também questiona o pai de um deles, disposto a acabar com Tom para livrar o filho da cadeia. Esse pai agiu certo ou errado? Devemos relevar a atitude dele? É compreensível, pelo papel dele, querer agir para livrar o filho do destino cruel. Mas, a que preço? Acabar com outra vida? O amor pelo filho deve estar acima das leis? A sociedade entende quem prefere enxergar o próprio filho como um ser a ser protegido, em vez do crimininoso que deve ser punido? 

A família de Samantha vivia arrasada há meses pela ausência total de notícias. Não sei o que é pior: passar meses e meses pensando em todas as hipóteses possíveis ou descobrir que a pessoa tão querida que vivia com você nunca mais voltará para casa porque foi morta ao recusar ser o passatempo de dois marmanjos desocupados. A primeira situação é muito cruel, mas a segunda, eu vou te falar... A segunda é para jogar a pá de cal. Não na cova de Samantha, mas na da família.

Caso alguém tenha interesse, assisti dublado no YouTube. Super fácil de encontrar. Parece que também está no Prime. Até quando, a gente nunca sabe. Fica a dica.

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

QUADRINHOS DO HUGO

SEXTOU!

Esse é o sextou do Hugo, daddy gay solteiro, curtindo a vida adoidado.
Esse é o sextou do Caótico, daddy hétero, casado e pai de família, no supermercado.
E o seu, como está sendo?

Criação, roteiro e direção: Fabiano Caldeira
Arte produzida com IA

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

RICK, DA DUPLA RICK & RENNER, COMOVEU GERAL

Fomos surpreendidos, neste dia 22 de Setembro de 2026, pela triste notícia da queda de um helicóptero em local de mata no Estado de Santa Cararina. As cinco pessoas morreram. Entre elas, o cantor sertanejo Rick, da dupla Rick & Renner, uma das queridinhas do público que também amava Zezé di Camrgo & Luciano, Edson & Udson, Rio Negro & Solimões, Gian & Giovanni, Leandro & Leonardo etc.

Muitos se lembraram do passamento da cantora Marília Mendonça, também por desastre áereo, em 05 de Novembro de 2021. Ela, no auge da carreira, com um filho muito pequeno que hoje nem deve ter lembranças da mãe.

Eu estava no hospital quando soube que encontraram os corpos sem vida. Enquanto amargava infinitas horas em um local de espera (o que resta aos acompanhantes: esperar), consegui criar uma pequena homenagem ao cantor.  Algo só possível por causa da arte produzida pela IA, direto do meu celular. Não era o que  eu queria, eu tinha pedido uma pessoa diferente em cada quadrinho, cada qual em sua profissão diferenciada, a letra da música seria como um radiozinho tocando, mas, por algum motivo que desconheço, ela me deu esta página somente com o Hugo. É claro que tentei mais vezes, utilizei outras IAs, mas a arte que prevaleceu acabou sendo esta. 

Apesar do grisalho que não deveria existir, achei boa a página cujo objetivo era só para postar nas redes sociais. Então, não foi o que tive em mente, mas serviu, consegui meus likes, views, engajamento, deu tudo certo.


Dois Dia Depois, Velório Fechado

A mulher do Rick quis o velório para a família, deixou claro que é fechado e que o público já teve bastante do Rick durante a carreira. Muito bem, é um direito dela, a gente sabe como a imprensa é nociva e hoje em dia isso se estende também aos influencers da Internet, mas tem uma coisa.

Existe o povo que não quer documentar para ganhar nada, é uma galera que realmente curtia o trabalho do cantor, ouvia feliz as músicas de Rick & Renner no churrasco de domingo, no aniversário em família do sábado à noite, na viagem, no ônibus, namorando na lanchonete da esquina. Esse é o verdadeiro público do cantor que, vamos combinar, estava no ostracismo em relação à carreira musical faz tempo e ninguém nem sabia onde morava. Mesmo assim, esse povo sofrido, em nome de um passado, estava disposto a dar seu tempo em uma despedida, tamanho o carinho que guardavam no coração. A imprensa e os influencers vão continuar ganhando a grana, os likes, os views, o engajamento, mas os fãs têm que entender o direito da família que é real, é compreensivo, mas me faz pensar.

A esposa e os familiares desfrutaram do cidadão o quanto puderam, uma vida particular inteira, cada qual com sua história, umas mais felizes e outras nem tão participativas assim, pois sabemos bem como a imprensa fez o favor de não encontrar nenhum arqueólogo capaz de escavar os podres de ninguém, mantendo o artista como o homem da família do comercial de magarina, apaixonado pela honradinha perfeita, um homem que deu a entender que veio do nada e fez dinheiro honestamente, conquistando o povo com suas belas canções, letras maravilhosas. Então eu penso que essa mulher deveria engolir um pouco o egoísmo em nome do próprio histórico popular do marido que gostaria, sim, da presença desse povo, pois é um reconhecimento à carreira de todo artista.

Não é o fim do mundo os desconhecidos não irem ao velório do cantor. Amanhã já terão esquecido e tudo certo, vida que segue. É, no entanto, uma pena em relação à família que acabou deixando, no fim das contas, a impressão de discriminação social. Sim. Porque eu duvido que algum amigo empresário ou que tem boas condições foi impedido. O problema são os pobres. Isso jamais foi dito por ela e por ninguém da família, mas certas coisas não precisam sequer de um "A" para serem compreendidas.

Esse "clima" me faz pensar agora que talvez não demoraremos para ver aquele tradicional rolo de herança vindo à tona por aí. Espero que não.

terça-feira, 22 de setembro de 2026

ACOMPANHANTE NO HOSPITAL

Estou no hospital, acompanhando alguém muito importante para mim que está operando. Mal dormi à noite, com medo de perder hora. Acordei super cedo e agora estou lutando para não ser derrubado pelo sono na sala de espera. E tudo parece ter se tornado pior do que realmente é. 

A espera está durando uma eternidade. O tempo não passa. Já tentei ler um livro, mas é abrir na página e o sono vem. Guardei, peguei o celular de novo, mas é difícil.

Tinha um pai e uma filha de uns 7, 8 anos atrás de mim, até agora, e menina não calava a boca nunca. Ela sempre botava um pensamento boca afora. Nem o pai dava bola. 

Aliás, acho que o pai nem tinha língua. Vai ver, foi por isso que vieram. A língua dele deve ter ficado presa dentro da xavasca da mulher. Só pode. Ela deve estar operando. A mulher da xavasca linguaruda.

Tem uma outra que fez questão de sentar bem ao meu lado. Ser gostoso tem desses incômodos. Saiu um pouco, voltou, está aqui. Se eu mexer os olhos, vejo o que tem celular no dela, a carinha, os cabelos. 

Fiz isso quando fui mijar. Olhei bem para ela e para o pai sem língua daquela menina que não parava de falar atrás de mim.

Pai e filha saíram porque foram chamados. No lugar deles, sentou outra mulher com seu celular. 

Volta e meia estão chamando os acompanhantes. 

Dos pacientes? Não, do job. É claro que é dos pacientes. Estou num hospital, caindo de sono porque não dormi direito.

Tudo me perturba. Não o hospital. O ambiente hospitalar é de boa, mas, quando você tem que lutar contra o sono, tudo incomoda.

Agora tem um gay sem noção falando com uma mulher cheia de assunto pelo celular. O volume do aparelho dele está no máximo e o som é muito ruim, parece uma caixa cheia de abelhas furiosas. 

Estão falando mal de todo mundo. E ele aconselha, fala um monte de coisas para ela. Parece um sábio, só que não. É fofoqueiro mesmo. Tem que gastar a língua na fofoca, já que na rosca de um homem ele não é a fim. 

Como eu sei? Homem que gosta de abocanhar rosca de outro homem não costuma gastar a língua fofocando com a amiga. Isso é coisa de gay passivo e solitário que não tem ninguém porque é cheio de preconceitos. 

Agora ele fala de Deus, Jesus. Ai, santa!

Impressionante como tem uns gays que ficam usando o catolicismo como um tipo de virtude maior, uma espécie de escudo de pureza, sei lá. 

E um enfermeiro super gracinha que pediu o resultado do dopler com ultrassonografia, mas, quando eu entreguei o papel, ele falou que não era aquele. Mas era. Estava escrito na folha, mas acho que ele não viu. 

Por fim, falou que não tinha problema, que o médico puxaria pelo sistema. Ué, mas se o médico pode fazer isso, por que ele atravessou o hospital inteiro só para me pedir o documento? Que doido. 

Bom, chega de escrever. Estou com sono e espero sair daqui logo. São onze horas e estou aqui desde às cinco e meia. 

Chegamos antes do Sol, antes de vários funcionários do hospital. Só quero ir logo para casa e poder dormir.

domingo, 20 de setembro de 2026

QUADRINHOS DO HUGO

Depois de um sábado pra lá de animado, veio o domingo. Bom dia. Feliz domingo a todos.

Criação, roteiro e direção: Fabiano Caldeira

Arte produzida com IA

sábado, 19 de setembro de 2026

QUADRINHOS DO HUGO

Sábado, Sol, piscina e caipirinha. Hugo não quer outra vida. 
É pra isso que eu trabalho. Ah, Ah!

Criação, roteiro e direção: 
Fabiano Caldeira 
Artes produzidas com IA.

Confira as versões com IAs diferentes:

GEMINI

MANUS

CHAT GPT - 1 de 2

CHAT GPT - 2 de 2

Bom fim de semana pra vocês. Um abraço!

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

QUADRINHOS DO HUGO

Sextou!! 🤩😎😂

Atrasei hoje a página de quadrinhos, mas me lembrei que não trabalho pra ninguém, então tá tudo certo.

Pra quem acha que mexer com IA é fácil, fiquei mais de 2 horas pelejando para sair esse resultado que ainda não é o que eu queria, mas está bem próximo. 

Ainda é um bom dia, então que seja bom. Feliz sexta-feira pra você.                

❤️☕️

Criação, roteiro e direção: Fabiano Caldeira

Arte produzida com IA

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

QUADRINHOS DO HUGO

E Hugo segue na continuidade da vida que impõe sua rotina de repetição, consistência e movimento. 

Desejo que você tenha uma feliz quinta-feira, seja qual for o horário em que estiver vendo estes quadrinhos, pois ainda é um bom dia.

Criação, roteiro e direção: Fabiano Caldeira 

Arte produzida com IA



quarta-feira, 16 de setembro de 2026

QUADRINHOS DO HUGO

Hugo trazendo uma reflexão existencial. 

Feliz quarta-feira pra você. Ainda é um bom dia. 

Criação, roteiro e direção: Fabiano Caldeira

Arte produzida com IA  

terça-feira, 15 de setembro de 2026

QUADRINHOS BARBADOS

A vida pede repetição e continuidade. 

Bom dia, que nesta terça-feira você continue seguindo em frente.

Criação, roteiro e direção: Fabiano Caldeira

Arte produzida com IA

terça-feira, 1 de setembro de 2026

QUADRINHOS BARBADOS

A gente não pode bobear, né? 
Setembro chegou, eu quis ser rápido em bolar alguma coisa, mas desenhar e pintar é um processo que demora. 
Tive a grande ideia de pedir para a IA produzir tudo. Não foi nada bom. 
A IA é ótima, mas ela carece de esboço, argumentos, direcionamento, observação em detalhes. 
Agora, pacientemente dirigida, a arte está aí. Vamos aos créditos, pois a Internet pede que se dê.

Criação, roteiro e direção: Fabiano Caldeira 
Arte produzida por inteligência artificial

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

QUADRINHOS BARBADOS

Aqui, tudo tem minha autoria. É claro! É visível quão aquém está em relação ao cenário e ao espetáculo de cores que a IA fornece. Criação, roteiro, direção artística e arte, tudo produzido por mim. Eu não gosto de colocar créditos, pois acho que é óbvio para quem vê, mas nesta época atual é necessário.

A página abaixo é a primeira versão, feita em 2022, exprimindo uma dor muito forte por conta de amizades perdidas em divergências políticas. Achei que fosse enlouquecer, mas sobrevivi e fiquei mais forte a ponto de não me importar com muita coisa nem ninguém na Internet. Eu não devia ter levado aquelas coisas tão a sério, mas o ser humano, às vezes, precisa passar pelas turbulências daquele caminho para aprender a não ir por ali.

Se peceberam, a cabeça do personagem careca está diferente. Acrescentei um boné, agora, pois fica mais fácil de "arrumar" o material antigo e reagrupá-lo junto às coisas recentes que pretendo postar por aí. Um boné foi mais fácil do que produzir uma estética perfeita de cabeça. Um abraço.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

MAGRELA

Marcelo não queria ficar dentro de casa.
Morando em frente à praça, olhou o céu azul e sentiu o Sol. "Vai lá", ele pareceu lhe dizer.
O menino de treze anos então pegou sua magrela azul calcinha e foi até a praça. 
Ao dar as primeiras pedaladas, parou em frente a uma menina esguia.
"Bike irada! Deixa eu dar uma volta", ela já foi pegando nas manoplas da direção da bicicleta.
Marcelo, dizia não e re-re-dizia. Ela parecia não escutar.
Ele começou a estapear aquelas mãos. 
A menina começou a gritar e a chorar.
As mãos dela se soltaram e ele pedalou bem rápido, parando longe dali, em um outro lugar. 
Um garoto da sua idade o reconheceu. Era Wendel. Um colega de escola.
"E aí, mano?", ele puxou papo. "Bike 'da hora'!
"Ganhei de níver."
"Parece nova. Olha o pneu cabeludo. Parece até minha cueca cheia de pentelhos."
"Faz uma semana."
"Deixa eu dar uma volta?"
Marcelo lhe entregou a magrela.
Wendel pedalou para longe, saiu das vistas dele e parou em frente àquela menina que ainda estava na praça. 
"Oi, Rosana", ele logo foi se exibindo. "Quer dar uma volta nela?"
Ela fez que sim com a cabeça e sorriu. 
"Então me dá um beijo", ele pediu.
O beijo aconteceu. 
Um instante mágico para ele. É claro que ela não sabia. 
Ele lhe entregou a bicicleta e ficou olhando ela pedalar ao seu redor, sem a menor pressa, com todo o tempo do mundo para continuar ali com ela. 
Imagem gerada por IA sob minha direção artística

domingo, 16 de agosto de 2026

EPIFANIA CAÓTICA

Situações indesejáveis têm o seu valor. Foi por uma delas que reestruturei meu emocional. 
Entrei numa noia de pensar que talvez eu pudesse gostar de mulher, se experimentasse. 
Já rolaram beijos e carinhos, isso há certo tempo, mas algo além, uma coisa mais íntima, nunca. 
Medo? Não.  
Medo de quê? De gostar?
É claro que não!
É incômodo. 
Acho mulher gostosa, atraente, mas me falta o querer pegar, querer tocar, apalpar, sentir a pele, o cheiro, o gosto.
Mas, e se eu me permitisse?
E se algum dia eu deixasse uma mulher tentar algo comigo?
Se eu desse carta branca a ela?
De repente, eu posso ser bissexual e não sei.
De repente, eu posso me dar bem com uma mulher.
Então, em um belo dia de domingo, após uma longa caminhada que deveria ter sido mais curta, eis que vou descansar no belo shopping de costume. 
Domingo em um shopping é sinônimo de aglomeração, muvuca, gente amontoada rindo, tossindo e peidando em torno de você. 
Gritos, crianças com liberdade demais, pets que deveriam ter ficado em casa. 
Paciência. Muita paciência. 
Acho que, andando pelas ruas e avenidas, eu estava mais em paz. 
Achei uma poltrona individual para me sentar. E a que estava à minha frente, a um metro e meio de distância, também ganhou alguém: um homem beirando os trinta, talvez, já com trinta e poucos anos. Pele branca como a minha (o tal do caucasiano) e pelos escuros.
Era barbudo o filho do cão. 
Olhei um pouco, sem ele notar. 
Aquela barba rente à pele, os fios não eram grandes, mas eram bem cheios e escuros. Meu coração acelerou. Nossa! 
O jeito era pegar meu celular, ficar focado no aparelho. 
Acabei dando uma olhada naquelas pernas tão comuns, abertas, trajando apenas uma bermuda sóbria, daquelas estilo pai. 
Vi aquela região onde as coxas saem pela bermuda. 
Senti calor. A respiração mudou. 
Por mais que eu colasse meus olhos na tela do celular, o pensamento insistia em reproduzir aquela imagem. 
E pensar que ele estava ali, a um metro e meio. Todo arreganhado.
Barbudo safado!
Eu queria ficar olhando, mas não acho isso certo. A esposa chegou sei lá de onde. Uma moça esguia com carrinho de criança. 
A voz dele era grossa, tinha um modo arrojado de falar.
Putz! Eu e esse cara sozinhos e pelados!
Eu ficava a imaginar.
O incômodo ficou insuportável. 
Tive que me levantar e sair a esmo. 
Andar pelos corredores de um shopping é se distrair indo para lugar nenhum.
Eu queria descansar mais um pouco, mas aquele cidadão estava tirando minha paz.
Então aquela minha noia se desfez. Eu percebi que jamais sentiria o mesmo por uma mulher.
Imagens do site Pexels, editada para este post

sábado, 8 de agosto de 2026

QUADRINHOS DO HUGO

Criação, roteiro e direção artística: Fabiano Caldeira
Arte produzida com auxílio de inteligência artificial (OpenAI)

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

ESSA VIDA

As mudanças acontecem. E aí,  você pode escolher sentir e ressentir ou apenas ir em frente, sem pensar muito no assunto.

O problema é que você quer pensar. Você quer pegar tudo e remoer até ficar sem forças e não aguentar mais nada, apenas deitar e dormir. 

Você quer mudar o que não pode ser mudado, mas não adianta ser apenas a sua vontade. Por mais que você queira acordar do pesadelo e continuar sua vidinha de sempre, o tempo logo mostra que depois daquela curva as coisas estão bem diferentes. 

E quando foi que essa mudança começou? Você quer saber,  você reflete, puxa na memória, mas o momento exato da virada de chave não vem. Ela já virou, trancou a porta e o melhor a fazer é ir. 

Tem certas coisas na vida que precisam ir. A gente não entende, mas é necessário. A gente não entende e pode nunca entender. A gente pode nunca entender e nunca concordar. Mas a gente vai continuar porque ninguém sabe o dia o fim. Enquanto ele não chega, não tem jeito, a gente vive. 

E de que jeito é melhor viver? Raciocinar a respeito é bobagem. Pura perda de tempo. 

Os segundos que se passam, os minutos, as horas não voltam. Jamais.

O que você ganha idealizando como deveria ser isto ou aquilo? Você não ganha nada, você perde. Perde o seu tempo se apegando ao que não deve.

A vida é uma sucessão de acontecimentos e você não tem que entender nem reagir idealmente a todos eles. Você vai apenas viver. 

Viver é sair da inércia, é fazer algo do seu dia, do seu momento. 

E você pode errar, você pode fazer coisas terríveis. 

Você tem que entender que faz parte da vida. 

É ruim? É. Mas não há como fugir disso. 

Enquanto estivermos vivos, vamos passar por um monte de coisas e teremos, muita vezes, sentimentos maravilhosos e outros dolorodos. 

A vida é assim. É desse jeito para você,  para eles e para mim. 

Um abraço e fique bem.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

DEZ ANOS NA AMAZON

Esperando o sono no sofá, com a TV ligada e o celular em mãos, meu cérebro teve uma imensa vontade de, de repente, saber qual foi meu ebook mais lido durante todo esse tempo de publicação na Amazon e quantas páginas foram lidas nesse período, somando todos os títulos.

Eu que já estava capengando, tive um súbito estímulo mental. Acessei o KDP (Kinddle Direct Publishing), fui na área do fornecimento dos relatórios e configurei como "tempo vitalício", então me dei conta de os primeiros relatórios são de 20 de Junho de 2016. Já se passaram dez anos!

Como assim, 10 anos de Amazon e eu não enriqueci, não ganhei cadeira na ABL, categoria hot brasileiro, não fui entrevistado pelo Pedro Bial?! 

Nem a Tatiana Feltrin, a booktuber gigante no YouTube, sabe da minha existência! Como pode?

Só por causa disso, vou espairecer um pouco em uma caminhada, jogar o cabelo que nem usa shampoo ao vento empoeirado de Ribeirão e ficar horas fornecendo gratuitamente a minha presença pelas ruas, até desmontar de cansaço no shopping que me considera tão anônimo e insignificante quanto todo o resto desse mundo digital e literário. 

O melhor é na volta, sabe? Já está de noite, então eu volto é de Mercedes! 

O motorista para bem na minha frente, ele mesmo abre a porta e eu entro. Eu, bem! A bicha fina cada vez mais roliça com dois quilos de poeira e um pouco de suor seco na pele. 

Eu falo "boa noite", olhando bem para o sorriso dúbio que ele me dá, então me acomodo do jeito que eu quero, pois naquele horário nem tem tantos passageiros no ônibus. Tá bom pra você?

Deixando a zoeira de lado, compartilho os números de páginas lidas nestes dez anos de Amazon.

203.769 até ontem, antes de dormir.

43 ebooks. Vários estão arquivados. Entre eles: Política Apocalíptica, Inverno Poético, Rita & Orestes - Amor na Terceira Idade, a primeia versão de As Cobras Não Amam.

TOP 7 - os sete ebookss mais lidos. Páginas lidas. 

Quarentena Ardente - 42.536

O Caseiro Na Minha Sauna - 31.365

O Deleite Da Madrugada 2 - 23.368

O Deleite DA Madrugada - 19.863

Ex-Padrasto - 18.168

Ex-Padrasto, Parte III - 14.680

Ex-Padrasto, Parte II - 10.818

Caso queira conhecer meus ebooks, tem um link direto para o meu perfil na Amazon clicando aqui
Um abraço, tudo de bom!

quinta-feira, 30 de julho de 2026

TABACARIA - ÁLVARO DE CAMPOS

Pesquisando umas coisas no Google, tive a oportunidade de conhecer a fundo esta poesia bem conhecida do Álvaro de Campos, que é um dos pseudônimos de Fernando Pessôa. 

Confesso que não a conhecia. A visão que eu tinha, de poesia, são aqueles versinhos que rimam. 

Sei que a poesia é uma expressão do intimismo de cada um. Ela nem precisa ter rima, mas cresci aborvendo tais características, por isso me impressionou a expressividade longa, diferente e profunda (na minha opinião) do texto que compartilho agora, escrito há mais de 98 anos.

TABACARIA

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
 
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
 
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
 
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
 
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
 
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim…
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas –
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
 
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
 
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
 
(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno – não concebo bem o quê –
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
 
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente
 
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
 
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
 
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
 
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
 
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
 
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
 
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
 
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

Álvaro de Campos, 15/01/1928

Para quem gosta da versão em áudio, eis a do Carlos Eduardo Valente, dono de um canal com vasto catálogo de audiobooks. Tem muito conteúdo bom.

Um abraço, até a próxima postagem.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

24 HORAS PARA MORRER


Esse filme me surpreendeu positivamente. O titulo original é Oxygen e o motivo é óbvio: a trama toda gira em torno da esposa burguesa de um figurão endinheirado que é capturada e enterrada viva. Se o maridão pagar um milhão de dólares ao sequestrador, ela é libertada. Então existe uma luta contra o tempo para resgatá-la com vida.
Fiquei simplesmente vidrado na presença do psicopata sequestrador. Para mim, soou como um desconhecido, pois não me lembro dele em filmes conhecidos, porém, pesquisando no Google, percebo que ele fez obras que assisti há certo tempo.
Adrien Brody, segundo o Google, é reconhecido historicamente como o homem mais jovem a ter ganhado o Oscar de melhor ator, prêmio que ele conquistou aos 29 anos de idade. E na sua filmografia se destacam:
- O Pianista (2002), que lhe rendeu o Oscar
- O Brutalista (2024), que lhe rendeu outro Oscar
- King Kong (2005), fez par romântico com a Naomi Watts, filme dirigido por Peter Jackson que, apesar de ser um remake pouco valorizado no Brasil, fez a alegria do cinema lá fora, considerado como uma das maiores bilheterias de sucesso à época.
- Peaky Blinders (4a. tempoerada), como Lucas Changretta, o grande rival mafioso de Thomas Shelby. A série tem longos episódios em todas as muitas temporadas. Lembro que depois da terceira, perdi o interesse.
Voltando a este filme de 1999, ele tem uma hora e meia de duração e, tal como a época, possui a imagem no padrão das TVs de antigamente que não eram tão retangulares, então a imagem que assisti foi quase que quadrada. Não é um problema, mas acho bom avisar a quem possa se interessar. O som da dublagem e a imagem também não são os super mega blaster definidos de hoje em dia, mas são bons. Eu vi tranquilamente, sem problema algum. Fiquei até bastante confortável em relação ao som, que não tem aquele problema de ter que aumentar e abaixar o volume uma porção de vezes, como infelizmente ocorre nas produções novas, pois parece que virou um padrão colocarem sons autíssimos na sonoplastia e muito baixo nas vozes, nos diálogos. Esse filme não tem isso. As tomadas de cena, os figurinos e os penteados também estão superdatados. Você verá carangas que eram consideradas carrões naquela época. É sempre bom avisar.
Vi no YouTube.

SPOILERS - PARE AQUI, SE NÃO QUER SABER MAIS

O grande barato desse filme é justamente a falta de um mistério maior. Desde o começo, a gente vê o que acontece, a mulher sendo enterrada viva e o cara falando que, se o maridão pagar o resgate em tempo, ela poderá ser libertada. Então, a gente não apenas sabe, mas participa desse enterro vivo dela. E isso vai gerando uma revolta à medida que o tempo passa e ele simplesmente tira onda com a cara de todo mundo da polícia.
É feito todo um plano para pegá-lo no momento em que o marido paga o resgate, mas o que parecia ser a estratégia perfeita é totalmente previsível a ele que é muito perspicaz e previu os agentes à paisana. Então ele passa a mão no dinheiro e não abre o bico, não quer nem saber de contar onde está enterrada a mulher.
Há uma perseguição. 
Com muito esforço, ele é pego. 
É aí que a coisa só melhora.
O filme faz de propósito. Sério. Você começa a ter uma raiva descomunal por ele, pois o tempo urge e as coisas não evoluem porque ele simplesmente brinca com todo mundo. 
Uma investigadora é o principal alvo dele que descobre o lado sadomasoquista dela. A mulher tem um "amigo" oculto que a tortura. Ela gosta. Ele expõe isso e acaba com o casamento dela. Ele faz mil exigências, ela cede em tudo o que ele pede e, mesmo assim, ela ainda se ferra nas mãos dele.
Há um momento em que ele finalmente dá uma localização. Uma equipe é mandada para o local e começa a escavar. A gente fica ali, acompanhando, pensando, "anda logo, que povo bunda mole". Quando finalmente encontram o caixão, ao abri-lo, descobrem que quem está lá dentro é a cachorra da mulher. Estou falando de um pet de verdade, mas o psicopata ri e diz que a mulher era uma cadela mesmo.
Eu não vou contar o fim, só digo que a virada de chave é bem simples e acontece rápido. 
O filme é previsível, sim, parece baixo orçamento, mas é gostoso de ver. A gente se sente como se estivesse ao lado, acompanhando tudo. E a gente quer acompanhar, a gente fica numa afobação, a gente tem vontade de entrar naquela sala de interrogatório e enchê-lo de porradas. Essa é a graça da história. Os personagens parecem de verdade e esse cara é muito, mas muito ordinário. 
Não sei se para quem me leu até aqui, se o filme terá o mesmo impacto, pois eu vi no miguelão, praticamente sem saber de quase nada, então foi muito bom.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

FICOU NA LEMBRANÇA


Um dia, vi um homem que me chamou a atenção por ter uma barba cheia, escura, da cor dos seus cabelos um tanto bagunçados, precisando de corte. Os braços eram delineados e o corpo magro sugeria certa força por baixo daquela roupa suja após o dia todo de trabalho.

Esse homem chegava de bicicleta, abrindo o portão da casa ao lado. Antes de entrar totalmente, olhou na minha direção. Uma expressão de poucos amigos. Parecia zangado. O olhar era intenso. Nunca esqueci. Eu, um menino de poucos anos, sentado na calçada de casa, segurando um toco de gesso ao lado de uma boneca de pano, nada fiz.

Cerca de dez anos depois, eu ainda me lembrava daquele dia, do momento em que ele chegou, abriu o pequeno portão de sua casa e me olhou um segundo antes de entrar. Só que agora eu poderia ir até ele e puxar assunto. Talvez ficássemos amigos, embora eu quisesse mais. Eu queria era saber se, na sua intimidade, havia um certo órgão masculino. Conferiria seu formato, sua textura, seu cheiro. Se pudesse, gostaria de saboreá-lo. Que gosto teria um barbudo suado do trabalho como ele? Como era o gosto dele?

Sabia que esse encontro jamais aconteceria. Agora que eu tinha idade, eu queria. Por isso, o busquei em tantos outros homens. Nunca o encontrei.

Hoje, sinto o peso da idade. Não o da velhice, que ainda me trará outra perspectiva da vida. É o da maturidade, da vivência, de ter me tornado um catálogo de cores personalizadas de acordo com cada experiência.

Não me lembro muito do que se passou ao longo da minha existência. Das relações amorosas, eu carrego o que me é conveniente.

Quase cinquenta anos depois, com meus cabelos brancos, fingindo que não noto os vincos chegando aos poucos no meu pescoço, eu não consigo esquecer. A memória é cristalina: aquele homem barbudo chegando de bicicleta, entrando após um dia de trabalho e me olhando por um segundo. Cara de zangado. O que ele faria a mim, se pudesse, naquele momento? Não tenho coragem de confessar o que tenho imaginado. Só sei que teria gostado.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

UMA POESIA NADA FOFA

Daniel é um blogueiro que me convida a esfriar o corpo no chuveiro. O único que me fez ir na 'fotinha' de avatar e maximizá-la, várias vezes, para ver melhor a paisagem. Como muitos escritores, ele gosta de poesia. Sua poesia mais recente (hoje) se chama O Santo Bateu. 

Quando eu a li, fiquei pensando sobre como a poesia costuma ser um retrato de algo que há em nós ou da forma como absorvemos as coisas. É nessas horas que vejo como minha alma é desprovida de certas qualidades, pois eu simplesmente não me vejo na situação descrita e sequer me convido a me colocar no lugar do autor, nem de brincadeira.

Estou envelhecendo e começando a entender certos preceitos psicológicos que antes eu repudiava. Entre eles, o entendimento de que não podemos nos colocar no lugar do outro, pois o lugar do outro é somente do outro. Agora compreendo a dimensão, pois a vida é uma cebola, ela é cheia de camadas.

Para terminar, coloco uma versão minha (nada agradável, mas real) da poesia dele. Recomendo que leia a dele primeiro

Às seis da manhã,
até os raios de sol
bocejavam atrás das árvores.
E eu, obrigado a ir tirar sangue,
lembro que  até os vampiros
o colhem à noite.

No mercedão que nunca terei,
aquele que é de todo mundo
e de ninguém ao mesmo tempo,
sentei ao lado de uma mulher
que resolveu conversar.

É doença pra lá
doença pra cá
doença que era dela
doença que era dos outros
doença que poderia ser minha
Joguei pedra na cruz, só podia.

Depois reclamou do SUS,
mas o Lula é um coitado
O pobrema é o crime
e o hômi-secsual
Mas Gzuis tá vendo tudo
Esse povo vai ver depois
E eu pensando: depois quando?
A dona tá viajando.

Fiquei me perguntando:
Quem sou eu
nessa imensidão,
apenas mais um
xexelento na fila do pão.

O ponto dela chegou.
Graças a Deus!

Antes de descer,
deixou um beijo no meu rosto
e sorriu:
— Nosso santo bateu.
Isso é energia boa.
Também sorri e só pensei:
-- Isso é só paciência, boba.

Olhei para o chão
Averiguei meu saco,
se já batia lá,
e o ônibus seguiu.

E eu descobri
que de manhã
o meu destino
me dá uma passagem
para o inferno,
só para lembrar
que uma desconhecida
pode me atormentar
por alguns quilômetros,
para começar bem o dia.

terça-feira, 14 de julho de 2026

CANIBAIS [THE GREEN INFERNO]


De Eli Roth, diretor de O Albergue, esse filme mostra gente jovem, fútil e endinheirada querendo dar um rumo à própria vida, mas um tanto perdida no rolê. As patricinhas começam a notar um aglomerado de ativistas protestando. Algo no estilo "salvem os indígenas", "salvem a floresta amazônica", "salvem o planeta". Daí surge o nome de uma organização que se diz independente para a imprensa noticiar, e a oposição mostra todo o poder da sua opressão; enfim, o espetáculo que o sistema adora.

Uma delas fica curiosa e é incentivada por um dos ativistas líderes do movimento. Ela não sabe, mas será usada por eles em uma missão sul-americana. Quando a "ficha cai", ela está correndo risco de morte, mas escapa por um triz, graças aos celulares transmitindo suas lives em meio aos berros de quem a identifica como aquela deusa do capitalismo que deve permanecer com os fios de cabelo intocáveis, ou um monte de gente vai parar na vala.

O plano de afugentar os garimpeiros daquele lugar (reserva ecológica?) dá certo, os ativistas posam de heróis e, ao voltarem para casa, o pequeno avião cai em uma mata fechada na Amazônia peruana. Mais precisamente, uma região de difícil acesso e habitada por indígenas canibais. Quem não morreu com a queda da aeronave é capturado por esse pessoal. Um a um, os prisioneiros acabam perdendo a vida durante as tentativas de fuga.

A gente vai vendo o horror dos acontecimentos. O ser humano vendo o próprio ser humano como cardápio apetitoso. Não tem essa de pensar na família de cada um e ficar com peninha. Caiu na rede, é peixe. Simples assim. Ali não tem moralismos, afetuosidade e, muito menos, direitos humanos. A tal da mocinha, filha de não sei quem, naquele local, era só mais um filé prestes a ser saboreado, mas...

AGORA COMEÇAM OS SPOILERS

Ironicamente, ela é a única que sobrevive. Em toda sociedade existem os corruptíveis. Naquele povoado não era diferente. Um curumim proporcionou a fuga da madame, justo quando ela já estava sendo preparada para o banquete. A propina foi um apito que podia ser utilizado como se fosse uma flauta. Mexendo os dedos, o som ficava diferente.

Mas a maracutaia logo foi descoberta, o que dificultou bastante o sossego da subornadora, a ponto de se ver com os canibais em seu encalço e, do outro lado, bloqueando sua rota, uma onça que poderia atacá-la. O que você faria? Bem, entre os canibais e a onça, ela escolheu encarar o felino que, por sinal, acabou não fazendo nada. Se bobear, o animal é que deve ter ficado com receio dela.

A perseguição não acaba ali. De tanto correr, ela chega em uma área de confronto onde um pessoal "gente boa" luta contra os indígenas. Não prestei atenção se aquele povo eram garimpeiros que queriam tomar as terras ou se foram enviados para resgatar os ativistas, ou os dois. O fato é que eles estavam lá, prestes a executá-la, então a bonita levanta o poderoso celular de todos os reinos e grita que é americana.

Ao ser acolhida, no momento de irem embora, alguém pergunta se havia mais ativistas vivos para o resgate. Havia, sim. Mas ela disse que não. O sobrevivente era um dos ativistas. Ele se masturbou enquanto os amigos sofriam. Ele não media esforços para que os companheiros morressem antes dele, alegando ser a lei da sobrevivência. Vemos a cena clichê do cidadão, ainda preso, se esgoelando para a aeronave ouvi-lo, mas o esforço sendo em vão, pois logo ela se distancia até sumir de vista.

O filme termina com um depoimento da bonita na grande mídia. Ela aproveitou a ocasião para denunciar a farsa desses movimentos que lutam por nobres causas, mas usam e manipulam todo mundo porque lucram com isso? Não.

Ela mentiu incrivelmente sobre tudo. Os garimpeiros ficaram como os únicos vilões da história, pois todos os parceiros morreram pela queda do avião e ela foi resgatada pelos indígenas que foram quase como seus súditos, tamanha bondade a deles em cuidar dela. Você sabe por que ela fez isso. Eu também.

Como diz um verso da música do Biquini Cavadão:

"Bem-vindo ao mundo adulto
Não creia em ingenuidades
Amigos sempre fomos, negócios sempre à parte
Você que descobriu tudo isso um pouco tarde"

sábado, 11 de julho de 2026

AMIGO, PERO NO MUCHO

Minhas redes sociais são basicamente para conhecidos, familiares ou não, que achariam estranho se eu não tivesse um perfil. Como eu ficaria sabendo do aniversário de um ou do passamento de outro? 

Pois é. Pela rede social, eu escolhi não ir a comemorações e escolhi comparecer a velórios.

Ninguém me enche a paciência em um velório. É super agradável. Eu fico até entusiasmado, empolgado. Já aconteceu de sentir vontade de rir. Alguma vezes, eu disfarcei. Em uma ou outra, acho que perceberam alguma coisa. 

Festas são chatas. A última vez em que fui, tive que ficar conversando com uma pessoa remanescente da era jurássica e que não estava nem um pouco a fim de se enturmar. Se alguém a procurasse, ótimo. Até rolava um bate-papo. Mas ninguém se aproximava. Então, por eeducação, terminei o rolê falando o clássico "vai lá em casa uma hora". 

Eu e minha boca.

Não passou nem uma semana, olha o cidadão aparecendo para uma visita totalmente surpresa na minha casa. 

Não atendi. 

Pedi perdão a Deus e me comprometi a nunca mais dizer essas coisas. A gente quer ser cordial e acaba desencadeando esse tipo de situação.
 
Quando alguém te fala "vai lá em casa", é só um meio bonito de dizer "estou indo embora". Não é para você visitar o ser.

Uma vez, há certo tempo, rolava uma conversa entre um povo conhecido, então alguém se convidou e eu logo falei: "Não recebo ninguém na minha casa. Sei lá. Eu não gosto". Soou grosseiro, estúpido, mas também libertador. Devem ter falado muito mal de mim pelas costas, mas não me arrancou pedaço.

Não sou tão recluso quanto gostaria. Algumas pessoas realmente vêm me ver às vezes, mas é gente bem próxima, de um convívio presencial natural. 

Nem sempre eu fui assim. 

Eu gostava de receber amigos, toda pessoa que viesse gastar um pouco de seu tempo comigo. Eu era do tipo que sempre tinha alguma coisinha para comer. Achava falta de educação não oferecer nada. 

O tempo passou e muita coisa aconteceu. As pessoas não vêm mais aonde você mora porque querem conversar. Para isso existe a Internet, o WhatsApp, as redes sociais. Elas vêm na sua casa porque estão ociosas, desocupadas e querem saber como você está vivendo, sob quais condições, em que lugar etc.
Nos dias de hoje, quem precisa realmente falar com você vai te mandar mensagens. Quem está ferrado vai dar um jeito de ir até você. Corre!

terça-feira, 7 de julho de 2026

BRINCANDO COM A DONA CHICA

Ela colocou essas imagens e pediu para criarmos qualquer coisa inspirada no que vemos.

Foi superfácil. Confesso que me inspirei em causas humanitárias. Vejam só o que escrevi.










Uma torre na inundação

Penso nas pessoas malas

Que eu poderia jogar nessas águas

Para alimentar um tubarão


Para ir ao blog do Dona Chica, clique aqui

sábado, 4 de julho de 2026

ELA

Ainda sinto o gosto dela. É estranho! 

Ela sempre foi minha amiga, a pessoa que me conhecia mais do que um membro da minha família. E eu achando que sabia de cada contorno da sua alma... 

Noite calma, brisa agradável, sugerindo um cobertor na hora de dormir. 

A luz baixa da sala realçava as afinidades das nossas sombras enquanto a gente conversava amenidades. Eu estava encostado na bancada da cozinha e ela parada à minha frente falava, falava e falava. 

Como não percebi o brilho nos seus olhos? Havia algo de diferente neles. Atribuí ao clima, a qualquer tipo de coisa que me viesse na cabeça. Nunca imaginei aquela energia. 

Ela parou de falar no meio de uma frase e, antes que eu pudesse perguntar se estava tudo bem, vi que a ínfima distância entre nós havia desaparecido. Suas mãos agarraram a gola da minha camisa e me puxaram com uma autoridade que me deixou assustado. O beijo não soou como uma tentativa. Pareceu uma reivindicação. 

Minha mente bugou! Nunca achei que passaríamos da camada de bons amigos. Senti forte as batidas do meu coração. 

O choque inicial deu lugar ao instinto natural. Minhas mãos se firmaram em sua cintura e eu correspondi ao que classifico como o beijo da descoberta: quando o sentimento está aprisionado por anos e, na primeira oportunidade, ele se liberta.

Quando ela se afastou, vi a realização plena em seu olhar baixo, envergonhado. O peso do que tinha acabado de ocorrer a deixou desconcertada. 

Vi o rubor tomando conta da sua carinha, o constrangimento ocupando o lugar da coragem que a tinha dominado segundos antes.

Seu olhar se voltou para mim. O silêncio permaneceu. Contente, achei que seria bom sorrir. Esbocei um ar de satisfação. Fui discreto, eu acho.

Ela ficou me olhando como se visse um fantasma. Então saiu às pressas. Não pude dizer sequer uma palavra.

Agora estou parado no meio da sala. A brisa exaurindo o calor que tinha tomado conta do meu corpo, o fluxo de energia subitamente gostoso. 

Ela foi embora. A minha melhor amiga junto com a namorada que eu gostaria. 

Eu não sabia de nada, eu não consegui fazer nada, mas... 

Droga! Como eu queria que ela tivesse ficado. 

domingo, 28 de junho de 2026

DOMINGO NO ESCURO

Droga! A luz acabou justo quando eu estava olhando a influencer explicar o ponto do leite talhado para fazer um bom queijo caseiro. Achei que logo voltaria. Faz meia hora que a escuridão está me abraçando. E ela aumenta de intensidade, cada vez mais, pois é finalzinho de tarde, a noite está chegando.

Estou com comida no fogão. 

E o que isso tem a ver? O fogão é a gás. 

O fogão é a gás, mas preciso de luz para verificar o ponto dos alimentos.

Apanho o celular, procuro contatos em outros lugares da cidade. O primeiro é um senhor acadêmico 'funça'. Muito inteligente, blogueiro e dono de canal no Youtube, mora num bairro de gente metida, bem longe daqui. O que eu quero? Saber se tem luz lá.

Passa um tempo, ele não responde. Comendo a mulher? Não creio. Ele adora uma boa cerva. Deve ter desmaiado. Deve estar babando espuma da última loirinha que consumiu. 

Procuro outro contato, um escritor como eu, focado em universos fantásticos, lutas e jogos de poder. Mesmo se exercitando ao ar livre (vaidoso que só), a resposta veio logo. Lá, tudo ok. Mandou até um vídeo de um povo reunido na rua preparada para um evento. 

Festa junina? Provavelmente. 

Por que meu corpo reage mal a essas aglomerações? Antigamente não era assim. 

Fiquei olhando aquilo. Melhor esta escuridão do que a luz daquele monte de gente.

Passou um tempo e chegou a resposta do senhor acadêmico. Lá também estava ok. Então tá. O foco é apenas nestas ruas. 

Olhando pelo lado bom, uma questão pouco abrangente pode ser mais fácil de ser resolvida. Ou não. Quem sabe, por ser considerado algo menor, acabam procastinando. Procuro não pensar sobre isso. 

Acabo me distraindo no celular. Quando me levanto para ver o estado da carne no forno, decidido a usar a lanterna do meu dispositivo, a luz rertorna. Veio fraca, um fio, depois se estabilizou.

Meia hora sem luz. O que aconteceu? Não se sabe. 

É domingo. Não tem jornal na TV para informar. 

Hoje em dia, as 'infos' pipocam na Internet. Sigo perfis de alguns portais de notícias. Alguns são locais. Então vou dar um olhada e não vejo nada.

Preguiça... 

Não vou não, ficar garimpando em busca do que deveria ser fácil de encontrar. Talvez a noticia venha daqui a pouco. Costuma ser assim. Ou talvez nem venha, ninguém está nem aí. Sabe por quê? 

Por que o que importa de verdade é o jogo do Brasil amanhã. [irônico]

AS GÊMEAS

Bom dia, que este sábado pré-eleitoral seja de paz e tranquilidade para você e sua família.  Esses quadrinhos d'AS GÊMEAS não são novos,...