quinta-feira, 6 de agosto de 2026

CRÔNICA: ESSA VIDA

As mudanças acontecem. E aí,  você pode escolher sentir e ressentir ou apenas ir em frente, sem pensar muito no assunto.

O problema é que você quer pensar. Você quer pegar tudo e remoer até ficar sem forças e não aguentar mais nada, apenas deitar e dormir. 

Você quer mudar o que não pode ser mudado, mas não adianta ser apenas a sua vontade. Por mais que você queira acordar do pesadelo e continuar sua vidinha de sempre, o tempo logo mostra que depois daquela curva as coisas estão bem diferentes. 

E quando foi que essa mudança começou? Você quer saber,  você reflete, puxa na memória, mas o momento exato da virada de chave não vem. Ela já virou, trancou a porta e o melhor a fazer é ir. 

Tem certas coisas na vida que precisam ir. A gente não entende, mas é necessário. A gente não entende e pode nunca entender. A gente pode nunca entender e nunca concordar. Mas a gente vai continuar porque ninguém sabe o dia o fim. Enquanto ele não chega, não tem jeito, a gente vive. 

E de que jeito é melhor viver? Raciocinar a respeito é bobagem. Pura perda de tempo. 

Os segundos que se passam, os minutos, as horas não voltam. Jamais.

O que você ganha idealizando como deveria ser isto ou aquilo? Você não ganha nada, você perde. Perde o seu tempo se apegando ao que não deve.

A vida é uma sucessão de acontecimentos e você não tem que entender nem reagir idealmente a todos eles. Você vai apenas viver. 

Viver é sair da inércia, é fazer algo do seu dia, do seu momento. 

E você pode errar, você pode fazer coisas terríveis. 

Você tem que entender que faz parte da vida. 

É ruim? É. Mas não há como fugir disso. 

Enquanto estivermos vivos, vamos passar por um monte de coisas e teremos, muita vezes, sentimentos maravilhosos e outros dolorodos. 

A vida é assim. É desse jeito para você,  para eles e para mim. 

Um abraço e fique bem.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

DEZ ANOS NA AMAZON

Esperando o sono no sofá, com a TV ligada e o celular em mãos, meu cérebro teve uma imensa vontade de, de repente, saber qual foi meu ebook mais lido durante todo esse tempo de publicação na Amazon e quantas páginas foram lidas nesse período, somando todos os títulos.

Eu que já estava capengando, tive um súbito estímulo mental. Acessei o KDP (Kinddle Direct Publishing), fui na área do fornecimento dos relatórios e configurei como "tempo vitalício", então me dei conta de os primeiros relatórios são de 20 de Junho de 2016. Já se passaram dez anos!

Como assim, 10 anos de Amazon e eu não enriqueci, não ganhei cadeira na ABL, categoria hot brasileiro, não fui entrevistado pelo Pedro Bial?! 

Nem a Tatiana Feltrin, a booktuber gigante no YouTube, sabe da minha existência! Como pode?

Só por causa disso, vou espairecer um pouco em uma caminhada, jogar o cabelo que nem usa shampoo ao vento empoeirado de Ribeirão e ficar horas fornecendo gratuitamente a minha presença pelas ruas, até desmontar de cansaço no shopping que me considera tão anônimo e insignificante quanto todo o resto desse mundo digital e literário. 

O melhor é na volta, sabe? Já está de noite, então eu volto é de Mercedes! 

O motorista para bem na minha frente, ele mesmo abre a porta e eu entro. Eu, bem! A bicha fina cada vez mais roliça com dois quilos de poeira e um pouco de suor seco na pele. 

Eu falo "boa noite", olhando bem para o sorriso dúbio que ele me dá, então me acomodo do jeito que eu quero, pois naquele horário nem tem tantos passageiros no ônibus. Tá bom pra você?

Deixando a zoeira de lado, compartilho os números de páginas lidas nestes dez anos de Amazon.

203.769 até ontem, antes de dormir.

43 ebooks. Vários estão arquivados. Entre eles: Política Apocalíptica, Inverno Poético, Rita & Orestes - Amor na Terceira Idade, a primeia versão de As Cobras Não Amam.

TOP 7 - os sete ebookss mais lidos. Páginas lidas. 

Quarentena Ardente - 42.536

O Caseiro Na Minha Sauna - 31.365

O Deleite Da Madrugada 2 - 23.368

O Deleite DA Madrugada - 19.863

Ex-Padrasto - 18.168

Ex-Padrasto, Parte III - 14.680

Ex-Padrasto, Parte II - 10.818

Caso queira conhecer meus ebooks, tem um link direto para o meu perfil na Amazon clicando aqui
Um abraço, tudo de bom!

quinta-feira, 30 de julho de 2026

TABACARIA - ÁLVARO DE CAMPOS

Pesquisando umas coisas no Google, tive a oportunidade de conhecer a fundo esta poesia bem conhecida do Álvaro de Campos, que é um dos pseudônimos de Fernando Pessôa. 

Confesso que não a conhecia. A visão que eu tinha, de poesia, são aqueles versinhos que rimam. 

Sei que a poesia é uma expressão do intimismo de cada um. Ela nem precisa ter rima, mas cresci aborvendo tais características, por isso me impressionou a expressividade longa, diferente e profunda (na minha opinião) do texto que compartilho agora, escrito há mais de 98 anos.

TABACARIA

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
 
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
 
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
 
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
 
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
 
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim…
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas –
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
 
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
 
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
 
(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno – não concebo bem o quê –
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
 
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente
 
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
 
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
 
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
 
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
 
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
 
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
 
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
 
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

Álvaro de Campos, 15/01/1928

Para quem gosta da versão em áudio, eis a do Carlos Eduardo Valente, dono de um canal com vasto catálogo de audiobooks. Tem muito conteúdo bom.

Um abraço, até a próxima postagem.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

24 HORAS PARA MORRER


Esse filme me surpreendeu positivamente. O titulo original é Oxygen e o motivo é óbvio: a trama toda gira em torno da esposa burguesa de um figurão endinheirado que é capturada e enterrada viva. Se o maridão pagar um milhão de dólares ao sequestrador, ela é libertada. Então existe uma luta contra o tempo para resgatá-la com vida.
Fiquei simplesmente vidrado na presença do psicopata sequestrador. Para mim, soou como um desconhecido, pois não me lembro dele em filmes conhecidos, porém, pesquisando no Google, percebo que ele fez obras que assisti há certo tempo.
Adrien Brody, segundo o Google, é reconhecido historicamente como o homem mais jovem a ter ganhado o Oscar de melhor ator, prêmio que ele conquistou aos 29 anos de idade. E na sua filmografia se destacam:
- O Pianista (2002), que lhe rendeu o Oscar
- O Brutalista (2024), que lhe rendeu outro Oscar
- King Kong (2005), fez par romântico com a Naomi Watts, filme dirigido por Peter Jackson que, apesar de ser um remake pouco valorizado no Brasil, fez a alegria do cinema lá fora, considerado como uma das maiores bilheterias de sucesso à época.
- Peaky Blinders (4a. tempoerada), como Lucas Changretta, o grande rival mafioso de Thomas Shelby. A série tem longos episódios em todas as muitas temporadas. Lembro que depois da terceira, perdi o interesse.
Voltando a este filme de 1999, ele tem uma hora e meia de duração e, tal como a época, possui a imagem no padrão das TVs de antigamente que não eram tão retangulares, então a imagem que assisti foi quase que quadrada. Não é um problema, mas acho bom avisar a quem possa se interessar. O som da dublagem e a imagem também não são os super mega blaster definidos de hoje em dia, mas são bons. Eu vi tranquilamente, sem problema algum. Fiquei até bastante confortável em relação ao som, que não tem aquele problema de ter que aumentar e abaixar o volume uma porção de vezes, como infelizmente ocorre nas produções novas, pois parece que virou um padrão colocarem sons autíssimos na sonoplastia e muito baixo nas vozes, nos diálogos. Esse filme não tem isso. As tomadas de cena, os figurinos e os penteados também estão superdatados. Você verá carangas que eram consideradas carrões naquela época. É sempre bom avisar.
Vi no YouTube.

SPOILERS - PARE AQUI, SE NÃO QUER SABER MAIS

O grande barato desse filme é justamente a falta de um mistério maior. Desde o começo, a gente vê o que acontece, a mulher sendo enterrada viva e o cara falando que, se o maridão pagar o resgate em tempo, ela poderá ser libertada. Então, a gente não apenas sabe, mas participa desse enterro vivo dela. E isso vai gerando uma revolta à medida que o tempo passa e ele simplesmente tira onda com a cara de todo mundo da polícia.
É feito todo um plano para pegá-lo no momento em que o marido paga o resgate, mas o que parecia ser a estratégia perfeita é totalmente previsível a ele que é muito perspicaz e previu os agentes à paisana. Então ele passa a mão no dinheiro e não abre o bico, não quer nem saber de contar onde está enterrada a mulher.
Há uma perseguição. 
Com muito esforço, ele é pego. 
É aí que a coisa só melhora.
O filme faz de propósito. Sério. Você começa a ter uma raiva descomunal por ele, pois o tempo urge e as coisas não evoluem porque ele simplesmente brinca com todo mundo. 
Uma investigadora é o principal alvo dele que descobre o lado sadomasoquista dela. A mulher tem um "amigo" oculto que a tortura. Ela gosta. Ele expõe isso e acaba com o casamento dela. Ele faz mil exigências, ela cede em tudo o que ele pede e, mesmo assim, ela ainda se ferra nas mãos dele.
Há um momento em que ele finalmente dá uma localização. Uma equipe é mandada para o local e começa a escavar. A gente fica ali, acompanhando, pensando, "anda logo, que povo bunda mole". Quando finalmente encontram o caixão, ao abri-lo, descobrem que quem está lá dentro é a cachorra da mulher. Estou falando de um pet de verdade, mas o psicopata ri e diz que a mulher era uma cadela mesmo.
Eu não vou contar o fim, só digo que a virada de chave é bem simples e acontece rápido. 
O filme é previsível, sim, parece baixo orçamento, mas é gostoso de ver. A gente se sente como se estivesse ao lado, acompanhando tudo. E a gente quer acompanhar, a gente fica numa afobação, a gente tem vontade de entrar naquela sala de interrogatório e enchê-lo de porradas. Essa é a graça da história. Os personagens parecem de verdade e esse cara é muito, mas muito ordinário. 
Não sei se para quem me leu até aqui, se o filme terá o mesmo impacto, pois eu vi no miguelão, praticamente sem saber de quase nada, então foi muito bom.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

FICOU NA LEMBRANÇA


Um dia, vi um homem que me chamou a atenção por ter uma barba cheia, escura, da cor dos seus cabelos um tanto bagunçados, precisando de corte. Os braços eram delineados e o corpo magro sugeria certa força por baixo daquela roupa suja após o dia todo de trabalho.

Esse homem chegava de bicicleta, abrindo o portão da casa ao lado. Antes de entrar totalmente, olhou na minha direção. Uma expressão de poucos amigos. Parecia zangado. O olhar era intenso. Nunca esqueci. Eu, um menino de poucos anos, sentado na calçada de casa, segurando um toco de gesso ao lado de uma boneca de pano, nada fiz.

Cerca de dez anos depois, eu ainda me lembrava daquele dia, do momento em que ele chegou, abriu o pequeno portão de sua casa e me olhou um segundo antes de entrar. Só que agora eu poderia ir até ele e puxar assunto. Talvez ficássemos amigos, embora eu quisesse mais. Eu queria era saber se, na sua intimidade, havia um certo órgão masculino. Conferiria seu formato, sua textura, seu cheiro. Se pudesse, gostaria de saboreá-lo. Que gosto teria um barbudo suado do trabalho como ele? Como era o gosto dele?

Sabia que esse encontro jamais aconteceria. Agora que eu tinha idade, eu queria. Por isso, o busquei em tantos outros homens. Nunca o encontrei.

Hoje, sinto o peso da idade. Não o da velhice, que ainda me trará outra perspectiva da vida. É o da maturidade, da vivência, de ter me tornado um catálogo de cores personalizadas de acordo com cada experiência.

Não me lembro muito do que se passou ao longo da minha existência. Das relações amorosas, eu carrego o que me é conveniente.

Quase cinquenta anos depois, com meus cabelos brancos, fingindo que não noto os vincos chegando aos poucos no meu pescoço, eu não consigo esquecer. A memória é cristalina: aquele homem barbudo chegando de bicicleta, entrando após um dia de trabalho e me olhando por um segundo. Cara de zangado. O que ele faria a mim, se pudesse, naquele momento? Não tenho coragem de confessar o que tenho imaginado. Só sei que teria gostado.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

UMA POESIA NADA FOFA

Daniel é um blogueiro que me convida a esfriar o corpo no chuveiro. O único que me fez ir na 'fotinha' de avatar e maximizá-la, várias vezes, para ver melhor a paisagem. Como muitos escritores, ele gosta de poesia. Sua poesia mais recente (hoje) se chama O Santo Bateu. 

Quando eu a li, fiquei pensando sobre como a poesia costuma ser um retrato de algo que há em nós ou da forma como absorvemos as coisas. É nessas horas que vejo como minha alma é desprovida de certas qualidades, pois eu simplesmente não me vejo na situação descrita e sequer me convido a me colocar no lugar do autor, nem de brincadeira.

Estou envelhecendo e começando a entender certos preceitos psicológicos que antes eu repudiava. Entre eles, o entendimento de que não podemos nos colocar no lugar do outro, pois o lugar do outro é somente do outro. Agora compreendo a dimensão, pois a vida é uma cebola, ela é cheia de camadas.

Para terminar, coloco uma versão minha (nada agradável, mas real) da poesia dele. Recomendo que leia a dele primeiro

Às seis da manhã,
até os raios de sol
bocejavam atrás das árvores.
E eu, obrigado a ir tirar sangue,
lembro que  até os vampiros
o colhem à noite.

No mercedão que nunca terei,
aquele que é de todo mundo
e de ninguém ao mesmo tempo,
sentei ao lado de uma mulher
que resolveu conversar.

É doença pra lá
doença pra cá
doença que era dela
doença que era dos outros
doença que poderia ser minha
Joguei pedra na cruz, só podia.

Depois reclamou do SUS,
mas o Lula é um coitado
O pobrema é o crime
e o hômi-secsual
Mas Gzuis tá vendo tudo
Esse povo vai ver depois
E eu pensando: depois quando?
A dona tá viajando.

Fiquei me perguntando:
Quem sou eu
nessa imensidão,
apenas mais um
xexelento na fila do pão.

O ponto dela chegou.
Graças a Deus!

Antes de descer,
deixou um beijo no meu rosto
e sorriu:
— Nosso santo bateu.
Isso é energia boa.
Também sorri e só pensei:
-- Isso é só paciência, boba.

Olhei para o chão
Averiguei meu saco,
se já batia lá,
e o ônibus seguiu.

E eu descobri
que de manhã
o meu destino
me dá uma passagem
para o inferno,
só para lembrar
que uma desconhecida
pode me atormentar
por alguns quilômetros,
para começar bem o dia.

terça-feira, 14 de julho de 2026

CANIBAIS [THE GREEN INFERNO]


De Eli Roth, diretor de O Albergue, esse filme mostra gente jovem, fútil e endinheirada querendo dar um rumo à própria vida, mas um tanto perdida no rolê. As patricinhas começam a notar um aglomerado de ativistas protestando. Algo no estilo "salvem os indígenas", "salvem a floresta amazônica", "salvem o planeta". Daí surge o nome de uma organização que se diz independente para a imprensa noticiar, e a oposição mostra todo o poder da sua opressão; enfim, o espetáculo que o sistema adora.

Uma delas fica curiosa e é incentivada por um dos ativistas líderes do movimento. Ela não sabe, mas será usada por eles em uma missão sul-americana. Quando a "ficha cai", ela está correndo risco de morte, mas escapa por um triz, graças aos celulares transmitindo suas lives em meio aos berros de quem a identifica como aquela deusa do capitalismo que deve permanecer com os fios de cabelo intocáveis, ou um monte de gente vai parar na vala.

O plano de afugentar os garimpeiros daquele lugar (reserva ecológica?) dá certo, os ativistas posam de heróis e, ao voltarem para casa, o pequeno avião cai em uma mata fechada na Amazônia peruana. Mais precisamente, uma região de difícil acesso e habitada por indígenas canibais. Quem não morreu com a queda da aeronave é capturado por esse pessoal. Um a um, os prisioneiros acabam perdendo a vida durante as tentativas de fuga.

A gente vai vendo o horror dos acontecimentos. O ser humano vendo o próprio ser humano como cardápio apetitoso. Não tem essa de pensar na família de cada um e ficar com peninha. Caiu na rede, é peixe. Simples assim. Ali não tem moralismos, afetuosidade e, muito menos, direitos humanos. A tal da mocinha, filha de não sei quem, naquele local, era só mais um filé prestes a ser saboreado, mas...

AGORA COMEÇAM OS SPOILERS

Ironicamente, ela é a única que sobrevive. Em toda sociedade existem os corruptíveis. Naquele povoado não era diferente. Um curumim proporcionou a fuga da madame, justo quando ela já estava sendo preparada para o banquete. A propina foi um apito que podia ser utilizado como se fosse uma flauta. Mexendo os dedos, o som ficava diferente.

Mas a maracutaia logo foi descoberta, o que dificultou bastante o sossego da subornadora, a ponto de se ver com os canibais em seu encalço e, do outro lado, bloqueando sua rota, uma onça que poderia atacá-la. O que você faria? Bem, entre os canibais e a onça, ela escolheu encarar o felino que, por sinal, acabou não fazendo nada. Se bobear, o animal é que deve ter ficado com receio dela.

A perseguição não acaba ali. De tanto correr, ela chega em uma área de confronto onde um pessoal "gente boa" luta contra os indígenas. Não prestei atenção se aquele povo eram garimpeiros que queriam tomar as terras ou se foram enviados para resgatar os ativistas, ou os dois. O fato é que eles estavam lá, prestes a executá-la, então a bonita levanta o poderoso celular de todos os reinos e grita que é americana.

Ao ser acolhida, no momento de irem embora, alguém pergunta se havia mais ativistas vivos para o resgate. Havia, sim. Mas ela disse que não. O sobrevivente era um dos ativistas. Ele se masturbou enquanto os amigos sofriam. Ele não media esforços para que os companheiros morressem antes dele, alegando ser a lei da sobrevivência. Vemos a cena clichê do cidadão, ainda preso, se esgoelando para a aeronave ouvi-lo, mas o esforço sendo em vão, pois logo ela se distancia até sumir de vista.

O filme termina com um depoimento da bonita na grande mídia. Ela aproveitou a ocasião para denunciar a farsa desses movimentos que lutam por nobres causas, mas usam e manipulam todo mundo porque lucram com isso? Não.

Ela mentiu incrivelmente sobre tudo. Os garimpeiros ficaram como os únicos vilões da história, pois todos os parceiros morreram pela queda do avião e ela foi resgatada pelos indígenas que foram quase como seus súditos, tamanha bondade a deles em cuidar dela. Você sabe por que ela fez isso. Eu também.

Como diz um verso da música do Biquini Cavadão:

"Bem-vindo ao mundo adulto
Não creia em ingenuidades
Amigos sempre fomos, negócios sempre à parte
Você que descobriu tudo isso um pouco tarde"

sábado, 11 de julho de 2026

AMIGO, PERO NO MUCHO

Minhas redes sociais são basicamente para conhecidos, familiares ou não, que achariam estranho se eu não tivesse um perfil. Como eu ficaria sabendo do aniversário de um ou do passamento de outro? 

Pois é. Pela rede social, eu escolhi não ir a comemorações e escolhi comparecer a velórios.

Ninguém me enche a paciência em um velório. É super agradável. Eu fico até entusiasmado, empolgado. Já aconteceu de sentir vontade de rir. Alguma vezes, eu disfarcei. Em uma ou outra, acho que perceberam alguma coisa. 

Festas são chatas. A última vez em que fui, tive que ficar conversando com uma pessoa remanescente da era jurássica e que não estava nem um pouco a fim de se enturmar. Se alguém a procurasse, ótimo. Até rolava um bate-papo. Mas ninguém se aproximava. Então, por eeducação, terminei o rolê falando o clássico "vai lá em casa uma hora". 

Eu e minha boca.

Não passou nem uma semana, olha o cidadão aparecendo para uma visita totalmente surpresa na minha casa. 

Não atendi. 

Pedi perdão a Deus e me comprometi a nunca mais dizer essas coisas. A gente quer ser cordial e acaba desencadeando esse tipo de situação.
 
Quando alguém te fala "vai lá em casa", é só um meio bonito de dizer "estou indo embora". Não é para você visitar o ser.

Uma vez, há certo tempo, rolava uma conversa entre um povo conhecido, então alguém se convidou e eu logo falei: "Não recebo ninguém na minha casa. Sei lá. Eu não gosto". Soou grosseiro, estúpido, mas também libertador. Devem ter falado muito mal de mim pelas costas, mas não me arrancou pedaço.

Não sou tão recluso quanto gostaria. Algumas pessoas realmente vêm me ver às vezes, mas é gente bem próxima, de um convívio presencial natural. 

Nem sempre eu fui assim. 

Eu gostava de receber amigos, toda pessoa que viesse gastar um pouco de seu tempo comigo. Eu era do tipo que sempre tinha alguma coisinha para comer. Achava falta de educação não oferecer nada. 

O tempo passou e muita coisa aconteceu. As pessoas não vêm mais aonde você mora porque querem conversar. Para isso existe a Internet, o WhatsApp, as redes sociais. Elas vêm na sua casa porque estão ociosas, desocupadas e querem saber como você está vivendo, sob quais condições, em que lugar etc.
Nos dias de hoje, quem precisa realmente falar com você vai te mandar mensagens. Quem está ferrado vai dar um jeito de ir até você. Corre!

terça-feira, 7 de julho de 2026

BRINCANDO COM A DONA CHICA

Ela colocou essas imagens e pediu para criarmos qualquer coisa inspirada no que vemos.

Foi superfácil. Confesso que me inspirei em causas humanitárias. Vejam só o que escrevi.










Uma torre na inundação

Penso nas pessoas malas

Que eu poderia jogar nessas águas

Para alimentar um tubarão


Para ir ao blog do Dona Chica, clique aqui

sábado, 4 de julho de 2026

ELA

Ainda sinto o gosto dela. É estranho! 

Ela sempre foi minha amiga, a pessoa que me conhecia mais do que um membro da minha família. E eu achando que sabia de cada contorno da sua alma... 

Noite calma, brisa agradável, sugerindo um cobertor na hora de dormir. 

A luz baixa da sala realçava as afinidades das nossas sombras enquanto a gente conversava amenidades. Eu estava encostado na bancada da cozinha e ela parada à minha frente falava, falava e falava. 

Como não percebi o brilho nos seus olhos? Havia algo de diferente neles. Atribuí ao clima, a qualquer tipo de coisa que me viesse na cabeça. Nunca imaginei aquela energia. 

Ela parou de falar no meio de uma frase e, antes que eu pudesse perguntar se estava tudo bem, vi que a ínfima distância entre nós havia desaparecido. Suas mãos agarraram a gola da minha camisa e me puxaram com uma autoridade que me deixou assustado. O beijo não soou como uma tentativa. Pareceu uma reivindicação. 

Minha mente bugou! Nunca achei que passaríamos da camada de bons amigos. Senti forte as batidas do meu coração. 

O choque inicial deu lugar ao instinto natural. Minhas mãos se firmaram em sua cintura e eu correspondi ao que classifico como o beijo da descoberta: quando o sentimento está aprisionado por anos e, na primeira oportunidade, ele se liberta.

Quando ela se afastou, vi a realização plena em seu olhar baixo, envergonhado. O peso do que tinha acabado de ocorrer a deixou desconcertada. 

Vi o rubor tomando conta da sua carinha, o constrangimento ocupando o lugar da coragem que a tinha dominado segundos antes.

Seu olhar se voltou para mim. O silêncio permaneceu. Contente, achei que seria bom sorrir. Esbocei um ar de satisfação. Fui discreto, eu acho.

Ela ficou me olhando como se visse um fantasma. Então saiu às pressas. Não pude dizer sequer uma palavra.

Agora estou parado no meio da sala. A brisa exaurindo o calor que tinha tomado conta do meu corpo, o fluxo de energia subitamente gostoso. 

Ela foi embora. A minha melhor amiga junto com a namorada que eu gostaria. 

Eu não sabia de nada, eu não consegui fazer nada, mas... 

Droga! Como eu queria que ela tivesse ficado. 

domingo, 28 de junho de 2026

DOMINGO NO ESCURO

Droga! A luz acabou justo quando eu estava olhando a influencer explicar o ponto do leite talhado para fazer um bom queijo caseiro. Achei que logo voltaria. Faz meia hora que a escuridão está me abraçando. E ela aumenta de intensidade, cada vez mais, pois é finalzinho de tarde, a noite está chegando.

Estou com comida no fogão. 

E o que isso tem a ver? O fogão é a gás. 

O fogão é a gás, mas preciso de luz para verificar o ponto dos alimentos.

Apanho o celular, procuro contatos em outros lugares da cidade. O primeiro é um senhor acadêmico 'funça'. Muito inteligente, blogueiro e dono de canal no Youtube, mora num bairro de gente metida, bem longe daqui. O que eu quero? Saber se tem luz lá.

Passa um tempo, ele não responde. Comendo a mulher? Não creio. Ele adora uma boa cerva. Deve ter desmaiado. Deve estar babando espuma da última loirinha que consumiu. 

Procuro outro contato, um escritor como eu, focado em universos fantásticos, lutas e jogos de poder. Mesmo se exercitando ao ar livre (vaidoso que só), a resposta veio logo. Lá, tudo ok. Mandou até um vídeo de um povo reunido na rua preparada para um evento. 

Festa junina? Provavelmente. 

Por que meu corpo reage mal a essas aglomerações? Antigamente não era assim. 

Fiquei olhando aquilo. Melhor esta escuridão do que a luz daquele monte de gente.

Passou um tempo e chegou a resposta do senhor acadêmico. Lá também estava ok. Então tá. O foco é apenas nestas ruas. 

Olhando pelo lado bom, uma questão pouco abrangente pode ser mais fácil de ser resolvida. Ou não. Quem sabe, por ser considerado algo menor, acabam procastinando. Procuro não pensar sobre isso. 

Acabo me distraindo no celular. Quando me levanto para ver o estado da carne no forno, decidido a usar a lanterna do meu dispositivo, a luz rertorna. Veio fraca, um fio, depois se estabilizou.

Meia hora sem luz. O que aconteceu? Não se sabe. 

É domingo. Não tem jornal na TV para informar. 

Hoje em dia, as 'infos' pipocam na Internet. Sigo perfis de alguns portais de notícias. Alguns são locais. Então vou dar um olhada e não vejo nada.

Preguiça... 

Não vou não, ficar garimpando em busca do que deveria ser fácil de encontrar. Talvez a noticia venha daqui a pouco. Costuma ser assim. Ou talvez nem venha, ninguém está nem aí. Sabe por quê? 

Por que o que importa de verdade é o jogo do Brasil amanhã. [irônico]

sexta-feira, 26 de junho de 2026

AUTORRESPEITO [DESABAFO]

Hoje eu quero desabafar sobre uma coisa. Tentarei ser cuidadoso. É uma questão de respeito. 

Criar conteúdo na internet não é mais uma atividade qualquer para mim, mas, sim, um exercício constante da minha própria energia. Após tantos anos, finalmente venho conquistando um ínfimo de espaço e as pessoas talvez não se dão conta de que faço isso através de muito investimento no meu tempo, estudos e, sobretudo, tentativas e erros. Por isso venho me sentindo em uma posição delicada quando percebo pessoas que também possuem um talento inegável se aproximarem com o objetivo de estabelecer uma conexão.

Eu entendo a luta, pois sei como é árdua a batalha, mas, ultimamente, tenho sentido um desconforto quando essas interações que deveriam ser genuínas se revelam estratégicas em busca de um favor.

Não é sobre egoísmo ou falta de vontade de colaborar, é sobre a preservação do quanto me  consome e me exige qualquer coisa que eu faço. 

Quando alguém me faz sentir querido e até especial e depois eu descubro que tudo não passa de estratégias em busca de divulgação para si mesmo ou para terceiros, tudo muda, pois deixa de ser um diálogo entre pares, entre dois criadores que compartilham suas vivências e passa a ser uma transação, um negócio. A sensação é de que, por trás do “oi” e do elogio a mim, existe um cálculo sobre o alcance que eu posso proporcionar e isso é muito ruim.

O que eu procuro, ao me conectar com outros criadores, é troca intelectual, sentimental e daí, quem sabe, talvez surjam parcerias orgânicas que façam sentido. Mas quando vejo a estratégia por trás da amizade, uma espécie de pedido de ajuda como cartão de visitas, o valor que dou para aquela pessoa se perde. 

Não quero papinhos de amizade, nem consumo do meu conteúdo para depois eu ter que servir como trampolim. 

Minha régua para novos contatos se tornou bastante pragmática. Por isso, quando percebo esse padrão, escolho me afastar. Não por grosseria, mas por autopreservação. 

Bloquear o contato ou encerrar a conversa é, para mim, a forma mais clara de dizer: “eu respeito o seu talento, mas não quero que nossa relação seja pautada pelo que posso te oferecer”

Eu prefiro a solidão da minha mesa, dos meus dias, a ter contato com pessoas que me veem como ponte ou como alguém que deve corresponder às suas expectativas. 

Busco, acima de tudo, conexões que cresçam a partir de interesses comuns e afinidade, não da conveniência de um clique ou de um compartilhamento. É uma postura rígida, eu sei, mas é a única que mantém o meu processo criativo e a minha saúde mental em paz.

Espero que a pessoa a quem me refiro tenha entendido. Os demais perceberão, com o passar do tempo, de quem se trata. Acho indelicado e desnecessário expor identidades. 

Um abraço a todos os que leram minhas considerações. 

Obrigado pelo tempo de vocês aqui. De coração.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

MÔNICA, A FOFA

Compartilho uma pequena história em que a Mônica se vê em apuros com uma dessas poltronas superfofas (ou seria um pufe?) que parecem tudo, menos um lugar para se sentar. Eu ri. Ah, Ah.
A HQ integra a edição n° 100 da revista Mônica publicada pela editora Abril em Agoto de 1978. Contém apenas 68 páginas no total, o formatinho era um pouquinho mais comprido e custava oito cruzeiros. Cr$ 8,00. Pretendo colocar mais historinhas dessa revista, em outros momentos. Edições como esta estão sendo postadas na Internet. Eu só agradeço.

sábado, 20 de junho de 2026

HAPPY HOUR DO AZARÃO

Quinta-feira, fui fazer uma caminhada, apesar de já ter tido lerê em casa. 

Combinei com o amigo blogueiro um happy hour que para ele é costumeiro.

Falamos sobre futebol, Lula, Bolsonaro, o que fazemos na Internet.

Foi um bom momento. Um dia a gente o repete.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

A BOSTA DO PSICOPATA AMERICANO

Um belo homem acorda e começa a se preparar para mais um dia. Ele é um executivo de sucesso e mostra para nós como é sua rotina, como faz a barba, quais produtos utiliza, então vemos os cuidados que ele mantém para sua pele. No trabalho, vemos o quão querido ele é pela sua secretária capacho que lhe cai em adoração enquanto ele acaba sem dó nem piedade com sua autoestima. A gente vê a rotina no dia dele, a importância e a seriedade de sua ocupação, as reuniões com os colegas de profissão invejosos e poderosos, no maior estilo amigão de negócios para o que der e vier, mas todos disputando sua ascenção empresarial, então o papo é sempre muito agradável, mas é um querendo ser melhor que o outro. Bom, pelo menos, essa é a concepção que o personagem mostra para nós que vamos assistindo-o, até chegar o momento em que ele para em frente a um mendigo, finge empatia e o mata na maior crueldade. Não poupa nem o cão de rua que sente a morte de seu dono. Pois é, o que esse homem tem de vaidoso, de bom gosto e de conhecedor das boas coisas da vida, ele também tem de meticuloso e cruel. Você nunca o vê tocado por uma emoção carinhosa, afetuosa, desprovida de interesses. Ele não se comove, não agradece, não retribui. Isso fica bem evidente quando ele está com as putas. Ah, o filme tem cenas fortes.

Esse filme é basicamente isso. A gente acompanha o asseamento impecável e o bom gosto contrastando com uma sede de poder inescrupulosa que o levou a cometer um deslize: matar aquele que na sua cabeça era seu rival. Ele só precisava de um simples motivo. E ter "tomado seu lugar" no restaurante onde só a nata da high society entra passou a ser esse motivo.

A gente acompanha o quanto ele vai se enrolando para se safar da investigação em busca do assassino que era ele, mas era óbvio que não se entregaria assim tão fácil. 

Seu temperamento é explosivo. Não do modo que o faz gritar, espernear, atrair a atenção de um monte de gente. A explosão se dá pelo desejo de matar. Às vezes, ele manipula. Outrora, vai no calor da emoção. Tudo depende de com quem está lidando.

Chega uma hora em que o filme vira uma matança desenfreada. Ele realmente fica louco e comete um crime atrás do outro. Vale tudo para não ser pego.

Então, após muitas mortes, muito sangue e muita sola de sapato correndo lá e cá, ele consegue se refugiar em seu castelo e dormir.

Ao acordar, prossegue com toda aquela rotina, só que a gente agora tem a impressão de que aquela será a última vez que ele toma aquele belo banho e desfruta de todos os cosméticos e rituais para se vestir com elegância, pois a gente espera que ele seja pego, assim que botar seus pés na empresa. 

A gente tem a sensação de que ele também pensa isso.

Então, a gente vai acompanhando o trajetória e, assim como ele, a gente não vai entendendo algumas coisas, principalmente a falta de alarde. A gente estranha o "vazio" que veio. E daí, ele tem que ir a uma reunião onde sabe que vai lidar com os caras de sempre e novamente a gente vê a ausência de qualquer conflito.

E o filme termina assim. Exatamente sem esclarecer coisa alguma. Você não sabe se ele delirou ou se algo realmente aconteceu e resolveram abafar por algum motivo. 

Cheguei a pesquisar no Google a interpretação dessa bosta, pois eu simplesmente não sabia se tinha entendido, mas eu vi que sim, eu tinha entendido. O filme é assim mesmo. Termina propositalmente assim. Nem a gente sabe se aquilo foi real ou não, ou o quanto teve de acontecimento.

Eu odeio filmes assim. Odeio qualquer tipo de história assim. Acho uma covardia para com quem está ali, envolvido na trama, esperando por um desfecho que tenha a ver, em vez de um simples delírio, surto ou loucura. Isso é muito covarde.

Christian Bale é o protagonista.

É claro!

Ti-nha-que-ser!

Eu não o conhecia antes de fazer o Batman (trilogia Nolan). Naquela época, para mim, ele era uma novidade e eu não curti nenhum pouco. Achei ele um ator sem expressão, uma verdadeira geleira. Essa trilogia Nolan é um saco. Só o segundo filme prestou. O segundo, sim, foi digno de prêmios. Mas o primeiro e o terceiro foram um lixo. O primeiro, o pior de todos! Você dorme, sonha horrores, acorda, vai tomar seu café da manhã, vai cagar e Bruce Wayne ainda está em processo de preparação para se tornar o Batman. Puta que pariu! E olha que nem sou um viciado em adrenalina, nem faço parte desse povo que quer tudo dinâmico.

Então, finalmente vi esse merda protagonizar um filme qualquer. Confesso que gostei da atuação dele. Ele mudou no meu conceito. Mas o filme serviu só para isso, apenas para me mostrar que o cara é bom ator. Mas, ainda assim, aquela cara de pastel dele me incomoda. É a mesma cara do Tom Cruise. Parece que está sempre cheirando peido. Do Tom Cruise, o percebi um excelente ator no filme Entrevista Com O Vampiro, mas vamos e convenhamos que ele estava bem diferente na pele do personagem, né? O único filme dele que realmente me agradou. O resto é sempre aquela cara, aquele jeito.

Williem Dafoe fez o investigador. Eu gosto dele. Na verdade, eu gosto de qualquer ator que não sejam Tom Cruise e Cristian Bale. Não, nesse filme o Tom Cruise não dá as caras. Graças a Deus! Mas descobri que o rival do Bale no filme era o Jared Leto. Putz! Esse Jared Leto é mesmo um camaleão! Não o reconheci. Acho muito interessante a capacidade que ele tem de compor seus personagens. Rapaz, fiquei pasmo agora...

Meu companheiro fica puto comigo, porque escolho o filme no miguelão, sem ficar tão interessado em sinopses, atores, nada. Se eu tivesse me atentado a saber mais sobre a produção, um pouco antes de botar para ver, eu não teria ficado surpreso. Ah, Ah!

Ontem, à tardezinha, vi também As Cores Do Mal: Preto, e gostei. Super indico. Quem sabe, eu fale em algum outro post, ou não. 

quinta-feira, 11 de junho de 2026

ANIVERSÁRIO DO PATO DONALD - PARTE 2


Esta é a segunda e última parte sobre a revista Pato Donald n° 2432, publlicada pela editora Abril em Junho de 2014, contendo 52 páginas no total, incluindo capa e contracapa, com preço de três reais e cinquenta centavos. A gente era feliz e não sabia. Hoje, doze anos após, as 52 páginas desse padrão de gibi custam no mínimo quase nove reais. Ah, Ah! 

Após aquela aventura de aniversário bem legal que mostrei na postagem anterior, há uma bela página com texto de Marcelo Alencar em comemoração ao aniversário do pato. É com muito prazer que compartilho as palavras dele aqui.

Uma historinha bem simples vem a seguir. Donald quer sossego no sofá, em plena tarde, mas seus sobrinhos não deixam. O Prof. Pardal empresta para ele um par de fone de ouvido que já vem com sons relaxantes da natureza. Isso me lembrou muito dos canais de sons relaxantes do YouTube, mas essa historinha certamente foi concebida antes dessa moda existir. 

Donald faz uso dos fones. Ele dorme tanto, mas tanto, que acorda todo feliz no dia seguinte e resolve devolver os fones para o Pardal, mas pensa em encomendar os seus. A graça é que ele saberá mais tarde algumas coisas desagradáveis que aconteceram enquanto dormia.

E finalmente chega a hora da aventura que faz jus à capa da revista. É Copa do Mundo, Donald, os sobrinhos e Patinhas estão no Brasil, assistindo aos jogos, direto no Estádio do Rio de Janeiro, torcendo pela seleção de Patópolis. A partida acaba na maior alegria. Em breve, o time enfrentaria outra seleção fictícia. 

Uma pena a história não ter mencionado de que estádio se tratava. Sequer houve um estádio de futebol desenhado, reconhecidamente. Acredito que seja para evitar conflitos a respeito do uso indevido de imagens, pois, hoje em dia, tudo virou uma espécie de marca com direitos reservados. 

Durante uma entrevista, o craque da vez acaba pasando mal após ingerir um suco fabricado por uma das empresas do Patinhas. Esse mal-estar tem a atuação dele comprometida para o próximo jogo. Após umas possibilidades facilmente descartadas pelo treinador do time, o mesmo fala para Patinhas sobre um craque que jogou pela seleção, há muitos anos. Esse craque não atua mais no futebol, mas ele tem um filho, o Zico, que herdou seu talento. Seria uma boa ideia encontrar o rapaz. A possibilidade de Patópolis ganhar o próximo jogo com ele atuando seria muito grande.

Patinhas encarregou Donald para encontrar Zico. Donald e os sobrinhos foram para a Amazônia, pois descobriram que era em algum lugar naquela área que residia a família do antigo jogador. A viagem teve que ser feita de carro. Em um momento, quando estavam chegando perto, saíram um pouco para descansar. Ao voltarem, perceberam que alguém tinha roubado os pneus. Ao colocar outros, Donald percebeu que o carro não dava a partida, então descobriu que o motor também tinha sido levado. Os patos resolveram pedir carona. Quem os abrigou ficou feliz da vida, pois eles acabaram organizando a maior bagunça que aquela família havia feito no interior do trailer

De onde tiraram a ideia de que no Brasil as famílias andam com trailers como se fossem suas moradias? A gente não tem essa cultura.

Desceram em um ponto e lá encontraram um senhor que já tinha entrado em contato com Patinhas e combinado o esquema de levá-los em seu barco. Fiquei olhando e pensando se aquilo se tratava de uma chalana. Digamos que sim.

Lá vai uma chalana, bem longe se vai...

Então pararam em um ponto onde os meninos resolveram catar mangas direto da mangueira. Nesse ínterim, alguém colocou a embarcação no meio do rio, para ser levada pela correnteza. Sorte que a habilidade de um dos sobrinhos (em subir numa palmeira que estava próxima ao barco) conseguiu impedir que a correnteza levasse o único meio de transporte que eles tinham ali.

Voltaram a fazer o percurso, até chegarem numa aldeia. Havia um pessoal jovem jogando bola. Normal. No Brasil, eu me surpreenderia se estivessem fazendo algo mais produtivo. Entre eles estava o tal do Zico, filho do ex-jogador patopolense. O pai, acostumado com a presença de olheiros, notou Donald e não ficou nada contente. Era nítido o ressentimento do senhor que não desejava o mesmo destino de craque de seleção ao seu filho. Nunca ficou óbvio por qual motivo ele mantinha esse rancor, mas o fato é que ele não queria esse tipo de envolvimento para o filho que, por sua vez, estava doido para realizar esse sonho. Imagine só, começar a carreira em um jogo decisivo de Copa de Mundo. Melhor oportunidade não haveria.

Achei estranho isso. Pai e filho são patopolenses, mas viviam no Brasil desde que o pai se afastou dos jogos. Mas, pensando bem, Patópolis nem é um país. É uma cidade que fica no Estado de Calisota: região fictícia que junta os nomes Califórnia e Minnesota. Sendo uma cidade e não um país, como disputam Copa do Mundo? Eh, Eh!

Diante daquela situação em que o pai batia o pé em não autorizar nada, o filho sugeriu que o pato passasse pelo desafio que era familiar a eles, mas completamente desconhecido ao Donald. Se o pato vencesse uma das provas do desafio, Zico jogaria na seleção.

Donald não teve escolha, teve que topar. Seu adversário era o Muque-Açu, um cidadão fortão, bem conhecido por todos. Donald parecia um filhote ao lado dele. 

A primeira missão era capturar um tucano, algo muito simples para os nativos, mas complicado demais para os patos. Após pesquisar no manual dos esconteiros mirins, descobriram um meio de atrair o bicho, imitando um tipo de mico que ele detesta. Donald começou a fazer isso, mas a imitação estava pouco convincente, só que um tucano então apareceu, nervoso, batendo com tudo na cabeça do pato jogando-o ao chão, atordoado. Um dos sobrinhos aproveitou o rasante da ave e a capturou com uma rede.

Todo feliz, Donald, pegou a rede com o tucano e correu para mostrar que o havia capturado primeiro, mas alguém colocou um galho seco no caminho, fazendo o pato tropeçar, cair e largar a rede. A ave escapou. O fortão levou a melhor nessa primeira prova. 

A segunda missão consistia em trazer uma sucuri viva. Tenso, hein? Como assim? E não é que o fortão logo achou uma e ficou no maior malabarismo ao dominá-la? E Donald não sabia, mas estava sendo "filmado" por outra que não perdeu tempo em dar o bote. Sendo muito grande, ela rapidamente o devorou. O sobrinhos, aterrorizados, não sabiam o que fazer. Uma providência deveria ser tomada logo ou prerderiam o tio para sempre. Um deles, em vez de ficar pensando e consultando isto e aquilo, resolveu ser prático: apanhou um pedaço de galho seco e fez dele um porrete contra a cabeça da sucuri, fazendo-a perder a consciência. Haja força no muque do patinho para conseguir essa proeza.

O outro abriu a boca do animal, assim Donald conseguiu sair. Com muito sacrifício, os patos se uniram para carregar a imensa serpente. No meio do percurso, alguém joga uma aranha bem na frente do Donald que tem a reação impulsiva de pular dentro do rio. Isso fez com que os patos chegassem atrasados ao local, pois o Muque-Açu já stava lá e mostrou que tinha dado até um nó no animal.

Ainda havia a última prova. A chance que Donald precisava se agarrar não foi nada fácil. A missão era levar um hipopótamo-pigmeu até um lugar conhecido como morro do papaya. Muque-açu ergueu o hipopótamo como se fosse um reles saco de arroz Tio João. Já Donald não conseguia mover sequer um ínfimo músculo do animal.

Pesquisando novamente, os sobrinhos descobriram uma fórmula fácil de fazer, com elementos da natureza, que proporcionava uma força descomunal. Mais que depressa, prepararam e deram para o Donald tomar. Foi tiro e queda. O hipopótamo virou peso pena para o pato que correu bastante ao longo do percurso, mas se atrapalhou ao obedecer uma placa com indicação falsa. Alguém havia trocado a direção dela. O pato logo percebeu e corrigiu a rota, mas o efeito da poção era temporário, de apenas quatro minutos, então, de repente, o animal voltou a ficar pesado e caiu em cima dele que não teve outra alternativa a não ser desisitr.

O ex-jogador ficou feliz pelo pato ter perdido todas as etapas. Conforme o combinado, seu filho não iria para o jogo da Copa no Rio. Zico mostra para o pai o celular de um dos garotos da aldeia. Ele registrou imagens que evidenciaram os sabotamentos contra o Donald. Algumas pessoas pegaram o sabotador, que era uma pessoa do time rival da próxima partida. Isso deveria tornar o resultado do desafio inválido, mas o ex-jogador preferiu manter o resultado. Donald continuava sendo o perdedor.

Os patos desolados pela irredutibilidade do homem voltaram para a chalana daquele senhor. Em seguida, a história já mostra Donald de volta ao estádio no Rio, chegando perto de Patinhas e informando que havia fracassado. A tristeza, o medo e a preocupação eram visíveis. Na sua cabeça, o tio iria espernear, ofender, xingar, fazer um escândalo, pois por sua causa a seleção de Patópolis perderia a Copa do Mundo. Tudo sua culpa. Incompetnente. Incapaz de trazer uma simples pessoa para jogar bola.

Antes de começar a contar tudo o que ele e os sobrinhos passaram, Zico apareceu e já estava até caracterizado, pronto para a partida. A explicação foi rápida: o rapaz contrariou o pai. Simples assim.

O último quadrinho mostra a partida de futebol evoluindo, Zico marcando mais um gol, segundo o narrador. A vitória da seleção patopolense estava cada vez mais próxima.

Essa aventura de 30 páginas com os patos na copa do Mundo no Rio encerra a revista. Os desenhos são muito bons, adorei o estilo, as cores, mas eu não engoli essa história de hipopótamo. No canal do Youtube, uma pessoa viu a versão em vídeo e comentou que Carl Barks, o aclamado pai dos patos, também fez isso em alguma de suas histórias. Desconheço, mas acredito. Porém, os trabalhos de Barks são muito antigos, de uma época sem Internet para se pesquisar facilmente as coisas. Na cabeça dele, haveria esse animal no Brasil. Na época dos primórdios de Barks, o povo dos istêites resumia o Brasil em selva, bichos e índios. Então, tudo bem Barks ter cometido essa falha há trocentos anos, na época de Gzuis. Mas, uma arte contemporânea fazer isso? Quero acreditar que tenha sido uma forma de homenagear Barks. Só assim para engolir.

Também não gostei da sucuri ter engolido o Donald. Achei um horror desnecessário e pouco crível, até para uma historinha boba de ficção. A cobra engole ele e depois o pato sai vivinho? Ahhh! 

No primeiro impacto, eu gostei da aventura. Agora que estou contando aqui é que reparei em alguns detalhes que poderiam torná-la melhor. Como é uma produção italiana (ou dinamarquesa), dou um desconto. Não dá para alguém de fora retratar com fidelidade outro país. No geral, para os jovens que são o verdadeiro público dessas produções, achei bem legal.

A revista Pato Donald (assim como Mickey, Minnie, Pateta e Tio Patinhas) costumava trazer uma página dedicada aos leitores que mandavam recadinhos, perguntas, sugestões, elogios. Desta vez, a edição não teve, pois não houve espaço. Às vezes acontecia isso, de as histórias comportarem as 50 páginas. Isso é muito bom, faz valer cada centavo. 

Um abraço. Até a próxima postagem.

CRÔNICA: ESSA VIDA

As mudanças acontecem. E aí,  você pode escolher sentir e ressentir ou apenas ir em frente, sem pensar muito no assunto. O problema é que vo...