quinta-feira, 1 de outubro de 2026

QUADRINHOS DO HUGO

Chegamos em Outubro. Um mês cheio de datas marcantes. 

Criação, roteiro e direção: Fabiano Caldeira 

Arte produzida com IA 


quarta-feira, 30 de setembro de 2026

QUADRINHOS DO HUGO

Como é bom um cafezinho ☕️❤️

Criação, roteiro e direção: Fabiano Caldeira

Arte produzida com IA 

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

QUADRINHOS DO HUGO

A semana começou. Você tá pronto? Eu tô. 

Criação, roteiro e direção: Fabiano Caldeira

Arte produzida com IA 

sábado, 26 de setembro de 2026

EU REVI O FILME ECOS DO ALÉM

Ontem, assisti ao filme Ecos do Além, uma produção de 1999 protagonizada por Kevin Bacon. Quem é das antigas, como eu, sabe muito bem quem é Kevin Bacon, pois o ator teve toda sua juventude nas telas e, na minha opinião, seu talento amadureceu de forma excelente, sem precisar se tornar mais um mito brutamontes dos filmes carregados de ação mentirosa, os quais vibrávamos de assitir porque era muito divertido ver um cara saltar de um lugar bem alto e conseguir cair em cima de uma asa delta ou um balão, além das clássicas cenas em que o brutão dava conta sozinho de uns dez caras com o dobro de sua massa corporal. 

Eu me lembro do Bacon como um personagem qualquer no primeiro filme da franquia Sexta-Feira 13 (Friday13th), em 1980, ganhando um pouco de foco apenas para morrer enquanto fazia amor com a namorada. O primeiro filme dessa franquia não mostrava quem matava o povo. O emblemático Jason Voorhees só teve seu protagonismo a partir do segundo, mas este é um assunto para outra postagem, talvez. Foi em 1984 que ele ganhou notoriedade ao protagonizar o clássico Footloose, Ritmo Louco (Footloose), onde seu personagem afrontava as leis de uma cidade pequena que visavam proibir músicas dançantes. O filme é um grande clássico do cinema e eu virei o tiozão autoritário que não gosta desses eventos. Ah, Ah! 

A partir daí, sua carreira deslanchou feito água saindo da torneira. Hoje, se você der uma "gugada", verá muita coisa que ele fez. Entre elas, destaco Linha Mortal (Flatliners, 1990), O Ataque Dos Vermes Malditos (Tremors, 1990), Sobre Meninos E Lobos (Mystic River, 2003) e X-Men Primeira Classe (X-Men: First Class, 2011).

Focando no filme de ontem, Ecos do Além traz terror, suspense e drama. Um filmaço que valeu muito a pena ver de novo. A história começa bobinha, com ele trocando uma ideia com a irmã de sua esposa, à toa em sua casa, conversando amenidades, até que ele se submete a uma sessão de hipnose. O clima era descontraído, então via-se que era difícil levar a sério esse negócio, mas alguma coisa aconteceu e tinha conexão com as falas do menininho no começo do filme. O filho dele, por ser muito criança, conseguia essa conexão, mas Tom (personagem de Bacon) começou a obtê-la com frequência após a hipnose. 

ATENÇÃO - SPOILERS

A questão vai ganhando densidade ao poucos, até nos depararmos com Tom insanamente quebrando a casa inteira em busca do corpo de Samantha, uma jovem muito bonita e supostamente lerda que virou alvo do tédio de dois rapazes mimados do baralho que quiseram se aproveitar dela. Um deles era filho do proprietário daquela casa. 

Diante da resistência, em meio ao desespero por se ver livre deles, Samantha foi morta, depois envolvida pelo saco plástico que lhe tirou a vida e escondida no porão. Tom a encontrou após quebrar uma parede que considerou suspeita. As conexões que ele vinha tendo não o deixavam em paz. O filme retratou a evolução desse tormento de maneira bem competente.

Em determinada circunstância, a história sobre o desaparecimento dela é contada para nós. Assistimos a uma situação indesejável onde podemos refletir quão perigosos podem se tornar adolescentes ociosos do sexo masculino naquela fase em que precisam se autoafirmar como machos predadores. A gente logo percebe o tédio em um deles, a malícia no olhar do outro, a ideia errada em comum acordo para fazer da coitada mero objeto de diversão, alguma coisa com que pudessem passar o tempo. 

Por que ela? Óbvio! Samantha era linda, educada e vulnerável. Esses escrotos sabem com quem podem mexer. A beleza chamava atenção. Pele branca, delicada, os óculos realçando a ingenuidade, as feições de menina-mulher. 

Belíssima

Se fossse uma feiona de dois dentes para fora, nariz batatudo e cabelo desgrenhado, é claro que não teria o mesmo efeito. O cinema daquela época sabia das coisas. É por esse detalhe que tenho até medo de um remake dessa história.

A lerdeza citada era subjetiva, ficando a cargo de quem assiste tirar suas conclusões. Prefiro entender que ela possuía um leve espectro de lentidão, vez que não era tão criança, mas foi muito fácil tapeá-la e levá-la ao porão. 

Samantha no porão, pouco antes e morrer

No fim da trama, o espírito dela aparece em paz e vai embora, sumindo feito fantasma que era, no momento em que um carro trafegou pela rua. Meu coração ficou apertado e os olhos suaram.

A gente também questiona o pai de um deles, disposto a acabar com Tom para livrar o filho da cadeia. Esse pai agiu certo ou errado? Devemos relevar a atitude dele? É compreensível, pelo papel dele, querer agir para livrar o filho do destino cruel. Mas, a que preço? Acabar com outra vida? O amor pelo filho deve estar acima das leis? A sociedade entende quem prefere enxergar o próprio filho como um ser a ser protegido, em vez do crimininoso que deve ser punido? 

A família de Samantha vivia arrasada há meses pela ausência total de notícias. Não sei o que é pior: passar meses e meses pensando em todas as hipóteses possíveis ou descobrir que a pessoa tão querida que vivia com você nunca mais voltará para casa porque foi morta ao recusar ser o passatempo de dois marmanjos desocupados. A primeira situação é muito cruel, mas a segunda, eu vou te falar... A segunda é para jogar a pá de cal. Não na cova de Samantha, mas na da família.

Caso alguém tenha interesse, assisti dublado no YouTube. Super fácil de encontrar. Parece que também está no Prime. Até quando, a gente nunca sabe. Fica a dica.

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

QUADRINHOS DO HUGO

SEXTOU!

Esse é o sextou do Hugo, daddy gay solteiro, curtindo a vida adoidado.
Esse é o sextou do Caótico, daddy hétero, casado e pai de família, no supermercado.
E o seu, como está sendo?

Criação, roteiro e direção: Fabiano Caldeira
Arte produzida com IA

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

RICK, DA DUPLA RICK & RENNER, COMOVEU GERAL

Fomos surpreendidos, neste dia 22 de Setembro de 2026, pela triste notícia da queda de um helicóptero em local de mata no Estado de Santa Cararina. As cinco pessoas morreram. Entre elas, o cantor sertanejo Rick, da dupla Rick & Renner, uma das queridinhas do público que também amava Zezé di Camrgo & Luciano, Edson & Udson, Rio Negro & Solimões, Gian & Giovanni, Leandro & Leonardo etc.

Muitos se lembraram do passamento da cantora Marília Mendonça, também por desastre áereo, em 05 de Novembro de 2021. Ela, no auge da carreira, com um filho muito pequeno que hoje nem deve ter lembranças da mãe.

Eu estava no hospital quando soube que encontraram os corpos sem vida. Enquanto amargava infinitas horas em um local de espera (o que resta aos acompanhantes: esperar), consegui criar uma pequena homenagem ao cantor.  Algo só possível por causa da arte produzida pela IA, direto do meu celular. Não era o que  eu queria, eu tinha pedido uma pessoa diferente em cada quadrinho, cada qual em sua profissão diferenciada, a letra da música seria como um radiozinho tocando, mas, por algum motivo que desconheço, ela me deu esta página somente com o Hugo. É claro que tentei mais vezes, utilizei outras IAs, mas a arte que prevaleceu acabou sendo esta. 

Apesar do grisalho que não deveria existir, achei boa a página cujo objetivo era só para postar nas redes sociais. Então, não foi o que tive em mente, mas serviu, consegui meus likes, views, engajamento, deu tudo certo.


Dois Dia Depois, Velório Fechado

A mulher do Rick quis o velório para a família, deixou claro que é fechado e que o público já teve bastante do Rick durante a carreira. Muito bem, é um direito dela, a gente sabe como a imprensa é nociva e hoje em dia isso se estende também aos influencers da Internet, mas tem uma coisa.

Existe o povo que não quer documentar para ganhar nada, é uma galera que realmente curtia o trabalho do cantor, ouvia feliz as músicas de Rick & Renner no churrasco de domingo, no aniversário em família do sábado à noite, na viagem, no ônibus, namorando na lanchonete da esquina. Esse é o verdadeiro público do cantor que, vamos combinar, estava no ostracismo em relação à carreira musical faz tempo e ninguém nem sabia onde morava. Mesmo assim, esse povo sofrido, em nome de um passado, estava disposto a dar seu tempo em uma despedida, tamanho o carinho que guardavam no coração. A imprensa e os influencers vão continuar ganhando a grana, os likes, os views, o engajamento, mas os fãs têm que entender o direito da família que é real, é compreensivo, mas me faz pensar.

A esposa e os familiares desfrutaram do cidadão o quanto puderam, uma vida particular inteira, cada qual com sua história, umas mais felizes e outras nem tão participativas assim, pois sabemos bem como a imprensa fez o favor de não encontrar nenhum arqueólogo capaz de escavar os podres de ninguém, mantendo o artista como o homem da família do comercial de magarina, apaixonado pela honradinha perfeita, um homem que deu a entender que veio do nada e fez dinheiro honestamente, conquistando o povo com suas belas canções, letras maravilhosas. Então eu penso que essa mulher deveria engolir um pouco o egoísmo em nome do próprio histórico popular do marido que gostaria, sim, da presença desse povo, pois é um reconhecimento à carreira de todo artista.

Não é o fim do mundo os desconhecidos não irem ao velório do cantor. Amanhã já terão esquecido e tudo certo, vida que segue. É, no entanto, uma pena em relação à família que acabou deixando, no fim das contas, a impressão de discriminação social. Sim. Porque eu duvido que algum amigo empresário ou que tem boas condições foi impedido. O problema são os pobres. Isso jamais foi dito por ela e por ninguém da família, mas certas coisas não precisam sequer de um "A" para serem compreendidas.

Esse "clima" me faz pensar agora que talvez não demoraremos para ver aquele tradicional rolo de herança vindo à tona por aí. Espero que não.

terça-feira, 22 de setembro de 2026

ACOMPANHANTE NO HOSPITAL

Estou no hospital, acompanhando alguém muito importante para mim que está operando. Mal dormi à noite, com medo de perder hora. Acordei super cedo e agora estou lutando para não ser derrubado pelo sono na sala de espera. E tudo parece ter se tornado pior do que realmente é. 

A espera está durando uma eternidade. O tempo não passa. Já tentei ler um livro, mas é abrir na página e o sono vem. Guardei, peguei o celular de novo, mas é difícil.

Tinha um pai e uma filha de uns 7, 8 anos atrás de mim, até agora, e menina não calava a boca nunca. Ela sempre botava um pensamento boca afora. Nem o pai dava bola. 

Aliás, acho que o pai nem tinha língua. Vai ver, foi por isso que vieram. A língua dele deve ter ficado presa dentro da xavasca da mulher. Só pode. Ela deve estar operando. A mulher da xavasca linguaruda.

Tem uma outra que fez questão de sentar bem ao meu lado. Ser gostoso tem desses incômodos. Saiu um pouco, voltou, está aqui. Se eu mexer os olhos, vejo o que tem celular no dela, a carinha, os cabelos. 

Fiz isso quando fui mijar. Olhei bem para ela e para o pai sem língua daquela menina que não parava de falar atrás de mim.

Pai e filha saíram porque foram chamados. No lugar deles, sentou outra mulher com seu celular. 

Volta e meia estão chamando os acompanhantes. 

Dos pacientes? Não, do job. É claro que é dos pacientes. Estou num hospital, caindo de sono porque não dormi direito.

Tudo me perturba. Não o hospital. O ambiente hospitalar é de boa, mas, quando você tem que lutar contra o sono, tudo incomoda.

Agora tem um gay sem noção falando com uma mulher cheia de assunto pelo celular. O volume do aparelho dele está no máximo e o som é muito ruim, parece uma caixa cheia de abelhas furiosas. 

Estão falando mal de todo mundo. E ele aconselha, fala um monte de coisas para ela. Parece um sábio, só que não. É fofoqueiro mesmo. Tem que gastar a língua na fofoca, já que na rosca de um homem ele não é a fim. 

Como eu sei? Homem que gosta de abocanhar rosca de outro homem não costuma gastar a língua fofocando com a amiga. Isso é coisa de gay passivo e solitário que não tem ninguém porque é cheio de preconceitos. 

Agora ele fala de Deus, Jesus. Ai, santa!

Impressionante como tem uns gays que ficam usando o catolicismo como um tipo de virtude maior, uma espécie de escudo de pureza, sei lá. 

E um enfermeiro super gracinha que pediu o resultado do dopler com ultrassonografia, mas, quando eu entreguei o papel, ele falou que não era aquele. Mas era. Estava escrito na folha, mas acho que ele não viu. 

Por fim, falou que não tinha problema, que o médico puxaria pelo sistema. Ué, mas se o médico pode fazer isso, por que ele atravessou o hospital inteiro só para me pedir o documento? Que doido. 

Bom, chega de escrever. Estou com sono e espero sair daqui logo. São onze horas e estou aqui desde às cinco e meia. 

Chegamos antes do Sol, antes de vários funcionários do hospital. Só quero ir logo para casa e poder dormir.

domingo, 20 de setembro de 2026

QUADRINHOS DO HUGO

Depois de um sábado pra lá de animado, veio o domingo. Bom dia. Feliz domingo a todos.

Criação, roteiro e direção: Fabiano Caldeira

Arte produzida com IA

sábado, 19 de setembro de 2026

QUADRINHOS DO HUGO

Sábado, Sol, piscina e caipirinha. Hugo não quer outra vida. 
É pra isso que eu trabalho. Ah, Ah!

Criação, roteiro e direção: 
Fabiano Caldeira 
Artes produzidas com IA.

Confira as versões com IAs diferentes:

GEMINI

MANUS

CHAT GPT - 1 de 2

CHAT GPT - 2 de 2

Bom fim de semana pra vocês. Um abraço!

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

QUADRINHOS DO HUGO

Sextou!! 🤩😎😂

Atrasei hoje a página de quadrinhos, mas me lembrei que não trabalho pra ninguém, então tá tudo certo.

Pra quem acha que mexer com IA é fácil, fiquei mais de 2 horas pelejando para sair esse resultado que ainda não é o que eu queria, mas está bem próximo. 

Ainda é um bom dia, então que seja bom. Feliz sexta-feira pra você.                

❤️☕️

Criação, roteiro e direção: Fabiano Caldeira

Arte produzida com IA

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

QUADRINHOS DO HUGO

E Hugo segue na continuidade da vida que impõe sua rotina de repetição, consistência e movimento. 

Desejo que você tenha uma feliz quinta-feira, seja qual for o horário em que estiver vendo estes quadrinhos, pois ainda é um bom dia.

Criação, roteiro e direção: Fabiano Caldeira 

Arte produzida com IA



quarta-feira, 16 de setembro de 2026

QUADRINHOS DO HUGO

Hugo trazendo uma reflexão existencial. 

Feliz quarta-feira pra você. Ainda é um bom dia. 

Criação, roteiro e direção: Fabiano Caldeira

Arte produzida com IA  

terça-feira, 15 de setembro de 2026

QUADRINHOS BARBADOS

A vida pede repetição e continuidade. 

Bom dia, que nesta terça-feira você continue seguindo em frente.

Criação, roteiro e direção: Fabiano Caldeira

Arte produzida com IA

terça-feira, 1 de setembro de 2026

QUADRINHOS BARBADOS

A gente não pode bobear, né? 
Setembro chegou, eu quis ser rápido em bolar alguma coisa, mas desenhar e pintar é um processo que demora. 
Tive a grande ideia de pedir para a IA produzir tudo. Não foi nada bom. 
A IA é ótima, mas ela carece de esboço, argumentos, direcionamento, observação em detalhes. 
Agora, pacientemente dirigida, a arte está aí. Vamos aos créditos, pois a Internet pede que se dê.

Criação, roteiro e direção: Fabiano Caldeira 
Arte produzida por inteligência artificial

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

QUADRINHOS BARBADOS

Aqui, tudo tem minha autoria. É claro! É visível quão aquém está em relação ao cenário e ao espetáculo de cores que a IA fornece. Criação, roteiro, direção artística e arte, tudo produzido por mim. Eu não gosto de colocar créditos, pois acho que é óbvio para quem vê, mas nesta época atual é necessário.

A página abaixo é a primeira versão, feita em 2022, exprimindo uma dor muito forte por conta de amizades perdidas em divergências políticas. Achei que fosse enlouquecer, mas sobrevivi e fiquei mais forte a ponto de não me importar com muita coisa nem ninguém na Internet. Eu não devia ter levado aquelas coisas tão a sério, mas o ser humano, às vezes, precisa passar pelas turbulências daquele caminho para aprender a não ir por ali.

Se peceberam, a cabeça do personagem careca está diferente. Acrescentei um boné, agora, pois fica mais fácil de "arrumar" o material antigo e reagrupá-lo junto às coisas recentes que pretendo postar por aí. Um boné foi mais fácil do que produzir uma estética perfeita de cabeça. Um abraço.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

MAGRELA

Marcelo não queria ficar dentro de casa.
Morando em frente à praça, olhou o céu azul e sentiu o Sol. "Vai lá", ele pareceu lhe dizer.
O menino de treze anos então pegou sua magrela azul calcinha e foi até a praça. 
Ao dar as primeiras pedaladas, parou em frente a uma menina esguia.
"Bike irada! Deixa eu dar uma volta", ela já foi pegando nas manoplas da direção da bicicleta.
Marcelo, dizia não e re-re-dizia. Ela parecia não escutar.
Ele começou a estapear aquelas mãos. 
A menina começou a gritar e a chorar.
As mãos dela se soltaram e ele pedalou bem rápido, parando longe dali, em um outro lugar. 
Um garoto da sua idade o reconheceu. Era Wendel. Um colega de escola.
"E aí, mano?", ele puxou papo. "Bike 'da hora'!
"Ganhei de níver."
"Parece nova. Olha o pneu cabeludo. Parece até minha cueca cheia de pentelhos."
"Faz uma semana."
"Deixa eu dar uma volta?"
Marcelo lhe entregou a magrela.
Wendel pedalou para longe, saiu das vistas dele e parou em frente àquela menina que ainda estava na praça. 
"Oi, Rosana", ele logo foi se exibindo. "Quer dar uma volta nela?"
Ela fez que sim com a cabeça e sorriu. 
"Então me dá um beijo", ele pediu.
O beijo aconteceu. 
Um instante mágico para ele. É claro que ela não sabia. 
Ele lhe entregou a bicicleta e ficou olhando ela pedalar ao seu redor, sem a menor pressa, com todo o tempo do mundo para continuar ali com ela. 
Imagem gerada por IA sob minha direção artística

domingo, 16 de agosto de 2026

EPIFANIA CAÓTICA

Situações indesejáveis têm o seu valor. Foi por uma delas que reestruturei meu emocional. 
Entrei numa noia de pensar que talvez eu pudesse gostar de mulher, se experimentasse. 
Já rolaram beijos e carinhos, isso há certo tempo, mas algo além, uma coisa mais íntima, nunca. 
Medo? Não.  
Medo de quê? De gostar?
É claro que não!
É incômodo. 
Acho mulher gostosa, atraente, mas me falta o querer pegar, querer tocar, apalpar, sentir a pele, o cheiro, o gosto.
Mas, e se eu me permitisse?
E se algum dia eu deixasse uma mulher tentar algo comigo?
Se eu desse carta branca a ela?
De repente, eu posso ser bissexual e não sei.
De repente, eu posso me dar bem com uma mulher.
Então, em um belo dia de domingo, após uma longa caminhada que deveria ter sido mais curta, eis que vou descansar no belo shopping de costume. 
Domingo em um shopping é sinônimo de aglomeração, muvuca, gente amontoada rindo, tossindo e peidando em torno de você. 
Gritos, crianças com liberdade demais, pets que deveriam ter ficado em casa. 
Paciência. Muita paciência. 
Acho que, andando pelas ruas e avenidas, eu estava mais em paz. 
Achei uma poltrona individual para me sentar. E a que estava à minha frente, a um metro e meio de distância, também ganhou alguém: um homem beirando os trinta, talvez, já com trinta e poucos anos. Pele branca como a minha (o tal do caucasiano) e pelos escuros.
Era barbudo o filho do cão. 
Olhei um pouco, sem ele notar. 
Aquela barba rente à pele, os fios não eram grandes, mas eram bem cheios e escuros. Meu coração acelerou. Nossa! 
O jeito era pegar meu celular, ficar focado no aparelho. 
Acabei dando uma olhada naquelas pernas tão comuns, abertas, trajando apenas uma bermuda sóbria, daquelas estilo pai. 
Vi aquela região onde as coxas saem pela bermuda. 
Senti calor. A respiração mudou. 
Por mais que eu colasse meus olhos na tela do celular, o pensamento insistia em reproduzir aquela imagem. 
E pensar que ele estava ali, a um metro e meio. Todo arreganhado.
Barbudo safado!
Eu queria ficar olhando, mas não acho isso certo. A esposa chegou sei lá de onde. Uma moça esguia com carrinho de criança. 
A voz dele era grossa, tinha um modo arrojado de falar.
Putz! Eu e esse cara sozinhos e pelados!
Eu ficava a imaginar.
O incômodo ficou insuportável. 
Tive que me levantar e sair a esmo. 
Andar pelos corredores de um shopping é se distrair indo para lugar nenhum.
Eu queria descansar mais um pouco, mas aquele cidadão estava tirando minha paz.
Então aquela minha noia se desfez. Eu percebi que jamais sentiria o mesmo por uma mulher.
Imagens do site Pexels, editada para este post

sábado, 8 de agosto de 2026

QUADRINHOS DO HUGO

Criação, roteiro e direção artística: Fabiano Caldeira
Arte produzida com auxílio de inteligência artificial (OpenAI)

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

ESSA VIDA

As mudanças acontecem. E aí,  você pode escolher sentir e ressentir ou apenas ir em frente, sem pensar muito no assunto.

O problema é que você quer pensar. Você quer pegar tudo e remoer até ficar sem forças e não aguentar mais nada, apenas deitar e dormir. 

Você quer mudar o que não pode ser mudado, mas não adianta ser apenas a sua vontade. Por mais que você queira acordar do pesadelo e continuar sua vidinha de sempre, o tempo logo mostra que depois daquela curva as coisas estão bem diferentes. 

E quando foi que essa mudança começou? Você quer saber,  você reflete, puxa na memória, mas o momento exato da virada de chave não vem. Ela já virou, trancou a porta e o melhor a fazer é ir. 

Tem certas coisas na vida que precisam ir. A gente não entende, mas é necessário. A gente não entende e pode nunca entender. A gente pode nunca entender e nunca concordar. Mas a gente vai continuar porque ninguém sabe o dia o fim. Enquanto ele não chega, não tem jeito, a gente vive. 

E de que jeito é melhor viver? Raciocinar a respeito é bobagem. Pura perda de tempo. 

Os segundos que se passam, os minutos, as horas não voltam. Jamais.

O que você ganha idealizando como deveria ser isto ou aquilo? Você não ganha nada, você perde. Perde o seu tempo se apegando ao que não deve.

A vida é uma sucessão de acontecimentos e você não tem que entender nem reagir idealmente a todos eles. Você vai apenas viver. 

Viver é sair da inércia, é fazer algo do seu dia, do seu momento. 

E você pode errar, você pode fazer coisas terríveis. 

Você tem que entender que faz parte da vida. 

É ruim? É. Mas não há como fugir disso. 

Enquanto estivermos vivos, vamos passar por um monte de coisas e teremos, muita vezes, sentimentos maravilhosos e outros dolorodos. 

A vida é assim. É desse jeito para você,  para eles e para mim. 

Um abraço e fique bem.

QUADRINHOS DO HUGO

Chegamos em Outubro. Um mês cheio de datas marcantes.  Criação, roteiro e direção: Fabiano Caldeira  Arte produzida com IA