Marcelo não queria ficar dentro de casa.
Morando em frente à praça, olhou o céu azul e sentiu o Sol. "Vai lá", ele pareceu lhe dizer.
O menino de treze anos então pegou sua magrela azul calcinha e foi até a praça.
Ao dar as primeiras pedaladas, parou em frente a uma menina esguia.
"Bike irada! Deixa eu dar uma volta", ela já foi pegando nas manoplas da direção da bicicleta.
Marcelo, dizia não e re-re-dizia. Ela parecia não escutar.
Ele começou a estapear aquelas mãos.
A menina começou a gritar e a chorar.
As mãos dela se soltaram e ele pedalou bem rápido, parando longe dali, em um outro lugar.
Um garoto da sua idade o reconheceu. Era Wendel. Um colega de escola.
"E aí, mano?", ele puxou papo. "Bike 'da hora'!
"Ganhei de níver."
"Parece nova. Olha o pneu cabeludo. Parece até minha cueca cheia de pentelhos."
"Faz uma semana."
"Deixa eu dar uma volta?"
Marcelo lhe entregou a magrela.
Wendel pedalou para longe, saiu das vistas dele e parou em frente àquela menina que ainda estava na praça.
"Oi, Rosana", ele logo foi se exibindo. "Quer dar uma volta nela?"
Ela fez que sim com a cabeça e sorriu.
"Então me dá um beijo", ele pediu.
O beijo aconteceu.
Um instante mágico para ele. É claro que ela não sabia.
Ele lhe entregou a bicicleta e ficou olhando ela pedalar ao seu redor, sem a menor pressa, com todo o tempo do mundo para continuar ali com ela.
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