quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

TRECHO DE "VIÚVO NO CARNAVAL"

Definido. O "Viúvo No Carnaval" será postado na Amazon, nos primeiros dias de Março. 

Farei uma promoção de ebook gratuito para facilitar a aquisição.

Compartilho, agora, o momento final de um dos capítulos. Uma palhinha para você ter uma ideia.

Olhou para trás, em direção à porta da sala, viu a cabecinha da esposa do metalúrgico, sinalizando para que voltasse.

Não desejava voltar. Nem um pouco. 

Como não encontrou meios de se desvencilhar, obedeceu.

A vizinha, aparentemente recomposta, agora mostrava o seu semblante inchado, os olhos vermelhos, as olheiras sinistras ao redor, as rugas de expressão acentuadas tomando conta, deformando a cara. 

Ela exibia a mais profunda dor pela má sorte do filho.

As “meninas” pediram para ele se sentar. 

A esposa do metalúrgico arranjou espaço no sofá, acomodando o bebê em seus braços. 

O irmãozinho retraído não se encontrava mais ali.

Um tanto contrariado, João se sentou. 

Ele e a vizinha se olharam. Ela era digna de pena.

A mulher, sem saber por onde começar, resolveu falar:

— Você disse, agora mesmo, que gostaria de poder ajudar em alguma coisa.

— Certo — ele falou.

Ela não sabia onde enfiar a cara, mas prosseguiu:

— É em relação à dívida do meu filho, sabe? — A voz falhava, efeito do pranto intenso de há pouco, do desespero, estresse…

— Hum.

— Fala logo, mãe! — a esposa do metalúrgico se manifestou.

— Ai, meu Deus! — disse a mulher, tentando arrumar um meio melhor de se expressar, mas a cabeça não ajudava. — Querido, você vai ter que me perdoar por isso, mas é que eu estou no fundo do poço!

— Estou começando a ficar assustado — João Paulo comentou, parabenizando-se em pensamento pela paciência de Jó exercida até o momento. 

— Fala, mãe! — encorajou a filha.

Ela olhou para ele. 

Ele olhou para ela.

Ela então falou:

— Você não tem três mil reais para me emprestar?

Os olhos dele se arregalaram, a boca se abriu e o pensamento foi expelido: 

— Cacetada! Eu preciso de ar! Meu Deus! Está me faltando o ar!

Ele se levantou, saiu correndo em direção ao portão, passou por ele e se trancou em casa. 

Certificou-se de que estava bem trancado para não ter que botar a cara na rua tão cedo.

Bola veio ao seu encontro, todo alegre, abanando o rabo. 

Ele retribuiu o carinho, mas não por muito tempo. 

Fez o que pode para corresponder ao animal.

Caminhou para a cozinha, sem a menor ideia do que fazer. 

Sua mente foi tomada por um apagão. 

Se alguém lhe perguntasse qualquer coisa: qual é o seu nome, com quem mora, em que cidade vive, não saberia responder.

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