sexta-feira, 26 de junho de 2026

AUTORRESPEITO [DESABAFO]

Hoje eu quero desabafar sobre uma coisa. Tentarei ser cuidadoso. É uma questão de respeito. 

Criar conteúdo na internet não é mais uma atividade qualquer para mim, mas, sim, um exercício constante da minha própria energia. Após tantos anos, finalmente venho conquistando um ínfimo de espaço e as pessoas talvez não se dão conta de que faço isso através de muito investimento no meu tempo, estudos e, sobretudo, tentativas e erros. Por isso venho me sentindo em uma posição delicada quando percebo pessoas que também possuem um talento inegável se aproximarem com o objetivo de estabelecer uma conexão.

Eu entendo a luta, pois sei como é árdua a batalha, mas, ultimamente, tenho sentido um desconforto quando essas interações que deveriam ser genuínas se revelam estratégicas em busca de um favor.

Não é sobre egoísmo ou falta de vontade de colaborar, é sobre a preservação do quanto me  consome e me exige qualquer coisa que eu faço. 

Quando alguém me faz sentir querido e até especial e depois eu descubro que tudo não passa de estratégias em busca de divulgação para si mesmo ou para terceiros, tudo muda, pois deixa de ser um diálogo entre pares, entre dois criadores que compartilham suas vivências e passa a ser uma transação, um negócio. A sensação é de que, por trás do “oi” e do elogio a mim, existe um cálculo sobre o alcance que eu posso proporcionar e isso é muito ruim.

O que eu procuro, ao me conectar com outros criadores, é troca intelectual, sentimental e daí, quem sabe, talvez surjam parcerias orgânicas que façam sentido. Mas quando vejo a estratégia por trás da amizade, uma espécie de pedido de ajuda como cartão de visitas, o valor que dou para aquela pessoa se perde. 

Não quero papinhos de amizade, nem consumo do meu conteúdo para depois eu ter que servir como trampolim. 

Minha régua para novos contatos se tornou bastante pragmática. Por isso, quando percebo esse padrão, escolho me afastar. Não por grosseria, mas por autopreservação. 

Bloquear o contato ou encerrar a conversa é, para mim, a forma mais clara de dizer: “eu respeito o seu talento, mas não quero que nossa relação seja pautada pelo que posso te oferecer”

Eu prefiro a solidão da minha mesa, dos meus dias, a ter contato com pessoas que me veem como ponte ou como alguém que deve corresponder às suas expectativas. 

Busco, acima de tudo, conexões que cresçam a partir de interesses comuns e afinidade, não da conveniência de um clique ou de um compartilhamento. É uma postura rígida, eu sei, mas é a única que mantém o meu processo criativo e a minha saúde mental em paz.

Espero que a pessoa a quem me refiro tenha entendido. Os demais perceberão, com o passar do tempo, de quem se trata. Acho indelicado e desnecessário expor identidades. 

Um abraço a todos os que leram minhas considerações. 

Obrigado pelo tempo de vocês aqui. De coração.

9 comentários:

  1. Acho que, com o avanço da idade, esse posicionamento é natural. Abraços

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    1. Pode ser. A gente enxerga com outros olhos algumas coisas.

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  2. Li atentamente e vi apenas verdade no teu desabafo. Todos sentimos quando a interação é ou não de verdade ...
    abraços, tudo de bom,chica

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  3. Oi, Fabiano! Infelizmente esse tipo de coisa é super normal até. Que você possa filtrar melhor aquilo que lhe faz bem e não só o que não lhes convém. Isso vale pra todos nós inclusive. Um abraço amigo e sucesso com o seu novo canal do YouTube o Falívros.

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    1. Obrigado, Luciano. O que me frustra e não entendo é como alguém pode achar que um ser humano como eu, lidando com um leque de obstáculos e limitações, em dissonância entre o que é possível e o que é idealizavel, pode se tornar trampolim para alguém. Sequer me atrevo a interpretar com malícia. Acredito ser pura falta de noção.

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    2. De pleno acordo meu amigo. É pura falta de noção mesmo, mas é asdim mesmo. Fique bem, bom fim de semana pra você e tente relaxar um pouco.

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  4. Você tocou em um ponto sensível do contato entre desconhecidos que se comunicam apenas através de comentários feitos em blogs sobre postagens ali publicadas. Te dou integral razão, pois essa prática é até ofensiva. Mas talvez haja uma segunda visão para esse comportamento. Pode acontecer de você ler alguma coisa e não gostar ou até mesmo achar um lixo. Por gentileza, entretanto, você faz algum comentário, mesmo que não seja elogioso ou relevante. Eu sempre declarei sofrer de "carência afetiva congênita", que me faz desejar ler comentários sobre tudo o que publico (e publico cada vez menos). Por ser assim, sinto-me desconfortável se não fizer comentários nos pouquíssimos blogs que sigo, mesmo que tenham o significado oculto de "você não está só, eu li o que você publicou". Escrevi isto por ter a consciência de não ser a pessoa que citou, pois se quisesse me beneficiar de atitudes idiotas como a que você criticou eu sairia seguindo dezenas de blogs, o que nunca tive interesse em fazer. Resumindo: tem todo o meu apoio. Abraços

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    1. Se fosse você, estaria bloqueado no meu zap. Eu não bloqueei você. Está bonitinho lá. Acho que não é difícil deduzir a identidade da pessoa, mas prefiro que não exponha aqui. Vamos manter o respeito.
      Espero que essa pessoa siga escritores que possam fazer algo por ela, já que este é o objetivo dela. Eu não posso e, mesno se eu pudesse, não é da minha vontade.
      O pouco de proximidade que tivemos foi porque a pessoa forçou contato. Correspondi por educação, cheguei a pensar em uma boa amizade, sim, fiz confidências (um grande erro meu), mas quando você vê sempre pedidos de favorzinhos, chega uma hora que enche o saco.
      Não quero ficar nutrindo expectativas nessa pessoa. E acho burrice da parte dela em ficar abordando escritores desconhecidos que são uma poeira nesse meio, como eu. Eu mal posso comigo.

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