quinta-feira, 11 de junho de 2026

ANIVERSÁRIO DO PATO DONALD - PARTE 2


Esta é a segunda e última parte sobre a revista Pato Donald n° 2432, publlicada pela editora Abril em Junho de 2014, contendo 52 páginas no total, incluindo capa e contracapa, com preço de três reais e cinquenta centavos. A gente era feliz e não sabia. Hoje, doze anos após, as 52 páginas desse padrão de gibi custam no mínimo quase nove reais. Ah, Ah! 

Após aquela aventura de aniversário bem legal que mostrei na postagem anterior, há uma bela página com texto de Marcelo Alencar em comemoração ao aniversário do pato. É com muito prazer que compartilho as palavras dele aqui.

Uma historinha bem simples vem a seguir. Donald quer sossego no sofá, em plena tarde, mas seus sobrinhos não deixam. O Prof. Pardal empresta para ele um par de fone de ouvido que já vem com sons relaxantes da natureza. Isso me lembrou muito dos canais de sons relaxantes do YouTube, mas essa historinha certamente foi concebida antes dessa moda existir. 

Donald faz uso dos fones. Ele dorme tanto, mas tanto, que acorda todo feliz no dia seguinte e resolve devolver os fones para o Pardal, mas pensa em encomendar os seus. A graça é que ele saberá mais tarde algumas coisas desagradáveis que aconteceram enquanto dormia.

E finalmente chega a hora da aventura que faz jus à capa da revista. É Copa do Mundo, Donald, os sobrinhos e Patinhas estão no Brasil, assistindo aos jogos, direto no Estádio do Rio de Janeiro, torcendo pela seleção de Patópolis. A partida acaba na maior alegria. Em breve, o time enfrentaria outra seleção fictícia. 

Uma pena a história não ter mencionado de que estádio se tratava. Sequer houve um estádio de futebol desenhado, reconhecidamente. Acredito que seja para evitar conflitos a respeito do uso indevido de imagens, pois, hoje em dia, tudo virou uma espécie de marca com direitos reservados. 

Durante uma entrevista, o craque da vez acaba pasando mal após ingerir um suco fabricado por uma das empresas do Patinhas. Esse mal-estar tem a atuação dele comprometida para o próximo jogo. Após umas possibilidades facilmente descartadas pelo treinador do time, o mesmo fala para Patinhas sobre um craque que jogou pela seleção, há muitos anos. Esse craque não atua mais no futebol, mas ele tem um filho, o Zico, que herdou seu talento. Seria uma boa ideia encontrar o rapaz. A possibilidade de Patópolis ganhar o próximo jogo com ele atuando seria muito grande.

Patinhas encarregou Donald para encontrar Zico. Donald e os sobrinhos foram para a Amazônia, pois descobriram que era em algum lugar naquela área que residia a família do antigo jogador. A viagem teve que ser feita de carro. Em um momento, quando estavam chegando perto, saíram um pouco para descansar. Ao voltarem, perceberam que alguém tinha roubado os pneus. Ao colocar outros, Donald percebeu que o carro não dava a partida, então descobriu que o motor também tinha sido levado. Os patos resolveram pedir carona. Quem os abrigou ficou feliz da vida, pois eles acabaram organizando a maior bagunça que aquela família havia feito no interior do trailer

De onde tiraram a ideia de que no Brasil as famílias andam com trailers como se fossem suas moradias? A gente não tem essa cultura.

Desceram em um ponto e lá encontraram um senhor que já tinha entrado em contato com Patinhas e combinado o esquema de levá-los em seu barco. Fiquei olhando e pensando se aquilo se tratava de uma chalana. Digamos que sim.

Lá vai uma chalana, bem longe se vai...

Então pararam em um ponto onde os meninos resolveram catar mangas direto da mangueira. Nesse ínterim, alguém colocou a embarcação no meio do rio, para ser levada pela correnteza. Sorte que a habilidade de um dos sobrinhos (em subir numa palmeira que estava próxima ao barco) conseguiu impedir que a correnteza levasse o único meio de transporte que eles tinham ali.

Voltaram a fazer o percurso, até chegarem numa aldeia. Havia um pessoal jovem jogando bola. Normal. No Brasil, eu me surpreenderia se estivessem fazendo algo mais produtivo. Entre eles estava o tal do Zico, filho do ex-jogador patopolense. O pai, acostumado com a presença de olheiros, notou Donald e não ficou nada contente. Era nítido o ressentimento do senhor que não desejava o mesmo destino de craque de seleção ao seu filho. Nunca ficou óbvio por qual motivo ele mantinha esse rancor, mas o fato é que ele não queria esse tipo de envolvimento para o filho que, por sua vez, estava doido para realizar esse sonho. Imagine só, começar a carreira em um jogo decisivo de Copa de Mundo. Melhor oportunidade não haveria.

Achei estranho isso. Pai e filho são patopolenses, mas viviam no Brasil desde que o pai se afastou dos jogos. Mas, pensando bem, Patópolis nem é um país. É uma cidade que fica no Estado de Calisota: região fictícia que junta os nomes Califórnia e Minnesota. Sendo uma cidade e não um país, como disputam Copa do Mundo? Eh, Eh!

Diante daquela situação em que o pai batia o pé em não autorizar nada, o filho sugeriu que o pato passasse pelo desafio que era familiar a eles, mas completamente desconhecido ao Donald. Se o pato vencesse uma das provas do desafio, Zico jogaria na seleção.

Donald não teve escolha, teve que topar. Seu adversário era o Muque-Açu, um cidadão fortão, bem conhecido por todos. Donald parecia um filhote ao lado dele. 

A primeira missão era capturar um tucano, algo muito simples para os nativos, mas complicado demais para os patos. Após pesquisar no manual dos esconteiros mirins, descobriram um meio de atrair o bicho, imitando um tipo de mico que ele detesta. Donald começou a fazer isso, mas a imitação estava pouco convincente, só que um tucano então apareceu, nervoso, batendo com tudo na cabeça do pato jogando-o ao chão, atordoado. Um dos sobrinhos aproveitou o rasante da ave e a capturou com uma rede.

Todo feliz, Donald, pegou a rede com o tucano e correu para mostrar que o havia capturado primeiro, mas alguém colocou um galho seco no caminho, fazendo o pato tropeçar, cair e largar a rede. A ave escapou. O fortão levou a melhor nessa primeira prova. 

A segunda missão consistia em trazer uma sucuri viva. Tenso, hein? Como assim? E não é que o fortão logo achou uma e ficou no maior malabarismo ao dominá-la? E Donald não sabia, mas estava sendo "filmado" por outra que não perdeu tempo em dar o bote. Sendo muito grande, ela rapidamente o devorou. O sobrinhos, aterrorizados, não sabiam o que fazer. Uma providência deveria ser tomada logo ou prerderiam o tio para sempre. Um deles, em vez de ficar pensando e consultando isto e aquilo, resolveu ser prático: apanhou um pedaço de galho seco e fez dele um porrete contra a cabeça da sucuri, fazendo-a perder a consciência. Haja força no muque do patinho para conseguir essa proeza.

O outro abriu a boca do animal, assim Donald conseguiu sair. Com muito sacrifício, os patos se uniram para carregar a imensa serpente. No meio do percurso, alguém joga uma aranha bem na frente do Donald que tem a reação impulsiva de pular dentro do rio. Isso fez com que os patos chegassem atrasados ao local, pois o Muque-Açu já stava lá e mostrou que tinha dado até um nó no animal.

Ainda havia a última prova. A chance que Donald precisava se agarrar não foi nada fácil. A missão era levar um hipopótamo-pigmeu até um lugar conhecido como morro do papaya. Muque-açu ergueu o hipopótamo como se fosse um reles saco de arroz Tio João. Já Donald não conseguia mover sequer um ínfimo músculo do animal.

Pesquisando novamente, os sobrinhos descobriram uma fórmula fácil de fazer, com elementos da natureza, que proporcionava uma força descomunal. Mais que depressa, prepararam e deram para o Donald tomar. Foi tiro e queda. O hipopótamo virou peso pena para o pato que correu bastante ao longo do percurso, mas se atrapalhou ao obedecer uma placa com indicação falsa. Alguém havia trocado a direção dela. O pato logo percebeu e corrigiu a rota, mas o efeito da poção era temporário, de apenas quatro minutos, então, de repente, o animal voltou a ficar pesado e caiu em cima dele que não teve outra alternativa a não ser desisitr.

O ex-jogador ficou feliz pelo pato ter perdido todas as etapas. Conforme o combinado, seu filho não iria para o jogo da Copa no Rio. Zico mostra para o pai o celular de um dos garotos da aldeia. Ele registrou imagens que evidenciaram os sabotamentos contra o Donald. Algumas pessoas pegaram o sabotador, que era uma pessoa do time rival da próxima partida. Isso deveria tornar o resultado do desafio inválido, mas o ex-jogador preferiu manter o resultado. Donald continuava sendo o perdedor.

Os patos desolados pela irredutibilidade do homem voltaram para a chalana daquele senhor. Em seguida, a história já mostra Donald de volta ao estádio no Rio, chegando perto de Patinhas e informando que havia fracassado. A tristeza, o medo e a preocupação eram visíveis. Na sua cabeça, o tio iria espernear, ofender, xingar, fazer um escândalo, pois por sua causa a seleção de Patópolis perderia a Copa do Mundo. Tudo sua culpa. Incompetnente. Incapaz de trazer uma simples pessoa para jogar bola.

Antes de começar a contar tudo o que ele e os sobrinhos passaram, Zico apareceu e já estava até caracterizado, pronto para a partida. A explicação foi rápida: o rapaz contrariou o pai. Simples assim.

O último quadrinho mostra a partida de futebol evoluindo, Zico marcando mais um gol, segundo o narrador. A vitória da seleção patopolense estava cada vez mais próxima.

Essa aventura de 30 páginas com os patos na copa do Mundo no Rio encerra a revista. Os desenhos são muito bons, adorei o estilo, as cores, mas eu não engoli essa história de hipopótamo. No canal do Youtube, uma pessoa viu a versão em vídeo e comentou que Carl Barks, o aclamado pai dos patos, também fez isso em alguma de suas histórias. Desconheço, mas acredito. Porém, os trabalhos de Barks são muito antigos, de uma época sem Internet para se pesquisar facilmente as coisas. Na cabeça dele, haveria esse animal no Brasil. Na época dos primórdios de Barks, o povo dos istêites resumia o Brasil em selva, bichos e índios. Então, tudo bem Barks ter cometido essa falha há trocentos anos, na época de Gzuis. Mas, uma arte contemporânea fazer isso? Quero acreditar que tenha sido uma forma de homenagear Barks. Só assim para engolir.

Também não gostei da sucuri ter engolido o Donald. Achei um horror desnecessário e pouco crível, até para uma historinha boba de ficção. A cobra engole ele e depois o pato sai vivinho? Ahhh! 

No primeiro impacto, eu gostei da aventura. Agora que estou contando aqui é que reparei em alguns detalhes que poderiam torná-la melhor. Como é uma produção italiana (ou dinamarquesa), dou um desconto. Não dá para alguém de fora retratar com fidelidade outro país. No geral, para os jovens que são o verdadeiro público dessas produções, achei bem legal.

A revista Pato Donald (assim como Mickey, Minnie, Pateta e Tio Patinhas) costumava trazer uma página dedicada aos leitores que mandavam recadinhos, perguntas, sugestões, elogios. Desta vez, a edição não teve, pois não houve espaço. Às vezes acontecia isso, de as histórias comportarem as 50 páginas. Isso é muito bom, faz valer cada centavo. 

Um abraço. Até a próxima postagem.

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