De Eli Roth, diretor de O Albergue, esse filme mostra gente jovem, fútil e endinheirada querendo dar um rumo à própria vida, mas um tanto perdida no rolê. As patricinhas começam a notar um aglomerado de ativistas protestando. Algo no estilo "salvem os indígenas", "salvem a floresta amazônica", "salvem o planeta". Daí surge o nome de uma organização que se diz independente para a imprensa noticiar, e a oposição mostra todo o poder da sua opressão; enfim, o espetáculo que o sistema adora.
Uma delas fica curiosa e é incentivada por um dos ativistas líderes do movimento. Ela não sabe, mas será usada por eles em uma missão sul-americana. Quando a "ficha cai", ela está correndo risco de morte, mas escapa por um triz, graças aos celulares transmitindo suas lives em meio aos berros de quem a identifica como aquela deusa do capitalismo que deve permanecer com os fios de cabelo intocáveis, ou um monte de gente vai parar na vala.
O plano de afugentar os garimpeiros daquele lugar (reserva ecológica?) dá certo, os ativistas posam de heróis e, ao voltarem para casa, o pequeno avião cai em uma mata fechada na Amazônia peruana. Mais precisamente, uma região de difícil acesso e habitada por indígenas canibais. Quem não morreu com a queda da aeronave é capturado por esse pessoal. Um a um, os prisioneiros acabam perdendo a vida durante as tentativas de fuga.
A gente vai vendo o horror dos acontecimentos. O ser humano vendo o próprio ser humano como cardápio apetitoso. Não tem essa de pensar na família de cada um e ficar com peninha. Caiu na rede, é peixe. Simples assim. Ali não tem moralismos, afetuosidade e, muito menos, direitos humanos. A tal da mocinha, filha de não sei quem, naquele local, era só mais um filé prestes a ser saboreado, mas...
AGORA COMEÇAM OS SPOILERS
Ironicamente, ela é a única que sobrevive. Em toda sociedade existem os corruptíveis. Naquele povoado não era diferente. Um curumim proporcionou a fuga da madame, justo quando ela já estava sendo preparada para o banquete. A propina foi um apito que podia ser utilizado como se fosse uma flauta. Mexendo os dedos, o som ficava diferente.
Mas a maracutaia logo foi descoberta, o que dificultou bastante o sossego da subornadora, a ponto de se ver com os canibais em seu encalço e, do outro lado, bloqueando sua rota, uma onça que poderia atacá-la. O que você faria? Bem, entre os canibais e a onça, ela escolheu encarar o felino que, por sinal, acabou não fazendo nada. Se bobear, o animal é que deve ter ficado com receio dela.
A perseguição não acaba ali. De tanto correr, ela chega em uma área de confronto onde um pessoal "gente boa" luta contra os indígenas. Não prestei atenção se aquele povo eram garimpeiros que queriam tomar as terras ou se foram enviados para resgatar os ativistas, ou os dois. O fato é que eles estavam lá, prestes a executá-la, então a bonita levanta o poderoso celular de todos os reinos e grita que é americana.
Ao ser acolhida, no momento de irem embora, alguém pergunta se havia mais ativistas vivos para o resgate. Havia, sim. Mas ela disse que não. O sobrevivente era um dos ativistas. Ele se masturbou enquanto os amigos sofriam. Ele não media esforços para que os companheiros morressem antes dele, alegando ser a lei da sobrevivência. Vemos a cena clichê do cidadão, ainda preso, se esgoelando para a aeronave ouvi-lo, mas o esforço sendo em vão, pois logo ela se distancia até sumir de vista.
O filme termina com um depoimento da bonita na grande mídia. Ela aproveitou a ocasião para denunciar a farsa desses movimentos que lutam por nobres causas, mas usam e manipulam todo mundo porque lucram com isso? Não.
Ela mentiu incrivelmente sobre tudo. Os garimpeiros ficaram como os únicos vilões da história, pois todos os parceiros morreram pela queda do avião e ela foi resgatada pelos indígenas que foram quase como seus súditos, tamanha bondade a deles em cuidar dela. Você sabe por que ela fez isso. Eu também.
Como diz um verso da música do Biquini Cavadão:
"Bem-vindo ao mundo adulto
Não creia em ingenuidades
Amigos sempre fomos, negócios sempre à parte
Você que descobriu tudo isso um pouco tarde"

Nenhum comentário:
Postar um comentário