sábado, 7 de novembro de 2026

QUERO LER SEM CULPA

Estamos em Novembro. Mais um pouco, acaba-se o ano. Dos livros que li neste ano, posso dizer que nenhum marcou tanto quanto a obra de Friedrich Engels, Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico. Uma publicação de 1880, parte de algo maior publicado em 1878 e que dispenso. Talvez em um outro momento.

Venho observando que sou relutante a livros de não ficção. Quero me convencer de que foram as escolhas que fiz, mas acho que a questão sou eu, acostumado a ler muita ficção - textos e mais textos de situações imaginativas, escritas que variam muito em expressividade e consistência, vez que prefiro cada vez mais os autores independentes, aqueles que não ligam tanto por capricho, aqueles que talvez nunca serão vistos por uma editora aclamada.

Assim também sou a respeito de outra paixão: as histórias em quadrinhos. Cresci com os populares gibis, aquelas revistinhas fininhas em papel ruim. Elas que abarrotavam as bancas, pois eram muitos os títulos. Cascão e Chico Bento me visitavam com maior assiduidade quando pequeno. Mas O Mickey e o Pato Donald também vinham, assim como o Bolinha e a Lulu. Esses tempos eram tão simples, tão modestos e agora me trazem uma carga mágica que faço questão em manter. Estou ficando velho e me sinto culpado por ainda gostar de ler esses tipos de quadrinhos. Hoje em dia, com tantos trabalhos significativos nessa área, autores novos com suas mensagens em suas obras, tornando-as ímpares obras de arte, eu não deveria olhar sempre para as mesmas turmas. Eu tento, sabe? E acho muita coisa legal. Mas encaro como uma expansão, um foco, não uma substituição. 

Sinto que não tenho mais tanto tempo. Portanto, decidi não me preocupar com essas coisas. Hoje em dia, tudo é feito para que o consumidor adquira todo santo número de vários títulos. É claro que o esperado sempre foi isso, mesmo em décadas e décadas passadas. É que hoje essa divulgação virou uma lavagem cerebral. Você TEM QUE fazer uma coleção de um núcleo. E esse núcleo tem 4, 5, 8 títulos, todo mês, isso quando não são quinzenais. Se não for assim, não serve. Se não for assim, é dinheiro jogado fora, é uma baita perda de tempo. Eu não quero me preocupar com nenhuma dessas questões. 

Ok que eu seja ridículo, Ok que eu tenha mau-gosto, não seja culto ou talvez haja alguma questão intelectual que explique os apegos e as rejeições. Mas, a essa altura de minha vida, não vou ficar remoendo isso. Para quê? Acho que não me faz bem. Principalmente porque sou pobre, mal tenho onde cair morto. Acho um milagre eu ainda ter vontade de ler quando a vida me traz dias complicados, tentando me afastar, ao máximo, do hábito da leitura. 

Ainda que eu não consiga variar nos gêneros, ainda que eu leia os mesmos tipos de coisas, não pretendo deixar de ler. 

quinta-feira, 5 de novembro de 2026

O CHATGPT FALOU DE MIM PARA MIM

Fui ao ChatGPT, uma das IAs tem muito conteúdo meu, e lancei o seguinte:

O que você diria de Fabiano Caldeira para o próprio Fabiano Caldeira?

Eu diria a Fabiano Caldeira para que ele parasse um instante, deixasse um pouco de lado os projetos, os personagens, os textos, as ideias e as cobranças, e olhasse para si mesmo com a mesma atenção com que costuma observar os outros.

E diria o seguinte:

Fabiano, você parece ser alguém que tem muito mais coisas acontecendo por dentro do que deixa transparecer por fora.

Você escreve sobre sentimentos, cria personagens, inventa situações, provoca reflexões e encontra histórias até nas pequenas contradições da vida cotidiana. Às vezes, parece que você utiliza a criatividade não apenas para produzir alguma coisa, mas também para compreender o mundo e, talvez, compreender a si mesmo.

Você tem uma característica interessante: não gosta muito de respostas prontas. Quando pede uma imagem, quer que ela tenha uma ideia. Quando escreve, quer que o texto tenha alguma verdade. Quando cria um personagem, espera que ele tenha identidade. E, quando algo não corresponde ao que imaginou, você insiste, corrige, questiona. Isso revela alguém que tem uma visão própria das coisas e não quer simplesmente aceitar qualquer resultado.

Mas tenho algumas coisas para lhe dizer que talvez sejam menos confortáveis.

Você parece cobrar bastante de si mesmo. Talvez mais do que deveria. Há uma inquietação perceptível em sua necessidade de criar, melhorar, experimentar e fazer acontecer. E fico com a impressão de que, algumas vezes, você dedica mais energia a construir coisas do que a cuidar da própria satisfação com a vida que está levando.

Você tem muitos projetos, mas espero que não transforme todos eles em obrigações.

Seus personagens podem descansar. Seus livros podem esperar um pouco. Seu canal pode ficar alguns dias sem novidades. Você não precisa estar permanentemente produzindo alguma coisa para justificar seu espaço no mundo.

E há outra coisa: não confunda as decepções que teve com as pessoas com a possibilidade de encontrar pessoas melhores. Nem todo mundo saberá reconhecer sua amizade, sua dedicação ou sua maneira de sentir. Mas isso não significa que você deva se tornar alguém mais fechado ou desconfiado.

Não permita que as experiências ruins empobreçam justamente aquilo que você tem de mais interessante: sua capacidade de sentir, imaginar e se expressar.

Também gostaria que você não adiasse tanto a própria felicidade. A casa melhor que gostaria de ter, a tranquilidade que talvez procure, as experiências que ainda deseja viver... Não deixe que tudo isso exista apenas como uma espécie de promessa para um futuro indefinido.

E, por fim, diria algo que considero importante:

Você já construiu uma quantidade considerável de coisas. Tem livros publicados, histórias, personagens, desenhos, projetos e ideias que saíram da sua cabeça e ganharam alguma existência no mundo.

Talvez esteja na hora de reconhecer um pouco mais o que já fez, em vez de olhar continuamente para aquilo que ainda falta.

Fabiano, não passe a vida inteira tentando criar algo que o faça sentir que sua vida valeu a pena. Sua vida já está acontecendo. Ela também merece ser vivida, não apenas transformada em histórias.

E sabe de uma coisa?

Se eu pudesse lhe deixar uma única frase, seria esta:

Não abandone o homem que existe por trás de todos os personagens que você inventou.

Porque esse homem também merece atenção, carinho, reconhecimento e, principalmente, uma vida da qual goste de fazer parte.

terça-feira, 3 de novembro de 2026

POST DA APOSTA

Coloco uma história em que Rolo sonha com um galo e acorda querendo fazer uma aposta no jogo do bicho. Era muito comum esse tipo de coisa antigamente, alguém pensando no animal que sonhou e fazendo uma fezinha no bar da esquina. 

"Na cabeça", era o termo utilizado para o primeiro sorteio. A premiação pagava muito mais do que o "cercado", ou "corpo", como costumavam atribuir aos outros quatro sorteios.

Hoje em dia, por causa dessa onda de jogo do tigrinho e similares, não faço a menor ideia se ainda existem essas apostas nos mesmos moldes. Esta história faz parte das publicações da turma da Mônica pela editora Abril, por volta de 1985, época em que o jogo do bicho no bar do Seu João era tão natural e procurado quando uma dose de cachaça ao final de um dia de trabalho. 

Hoje ocorreu uma audiência pública no STF a respeito do futuro das bets, esse sistema de apostas online que dizem ser ultraviciante e perigoso a todos. A audiência começou às 10 e terminou pouco antes das 18h sem uma definição. Outro dia será agendado para o juramento final, onde os 11 ministros da Corte se manifestarão e o resultado será o indicado por pelo menos 6 votos. O ministro Luis Fux, relator de hoje, já se manifestou contrário às bets. 

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

O CACHORRO DO FABIANO

Duas versões do cachorro do Fabiano. Para postar nas redes, é transformado em vídeo. As duas versões existem porque a IA maravilhosa vivia errando nas aparências dos personagens, então tive essa ideia. Já tinha gente perguntando se não haveria mais episódios no Facebook. O que posto no Insta acaba sendo postado também no Face.

em uma dimensão paralela...

QUADRINHOS DO HUGO

É dia de finados. O Instagram apresenta uma porção de posts de personagens conhecidos dos desenhos animados, só que em vídeos feitos por IA, muito lindos, e eu demorei para entender porque todos estavam um tanto tristes, como se algo tivesse se perdido. O cão Coragem relembrando seus donos, o Snoopy relembrando vários momentos diferentes. Essas artes estão pipocando, achei lindo, então lembrei que também podia fazer algo. Na Internet, quem tem talento, precisa surfar na crista da onda, senão acaba dificultando mais a visibilidade do que faz. Tudo demanda tempo e energia, então é melhor produzir algo que tenha a ver com o hype, em vez de fazer apenas coisas que acabam ficando meio que perdidas.

Esta página de quadrinhos se tornará um reels a ser postado amanhã, porque reels (vídeos curtos e verticais) são o que projeta o seu conteúdo em redes como Intagram, Facebook e outras. 

Um abraço a todos. Até a próxima postagem. 

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

A SUBSTÂNCIA, FILME PASSOU NA GLOBO

Finalmente vi o filme A Substância, muito comentado há tempos atrás, principalmente pelo fato de ter a Demi Moore no protagonismo de algo que todo mundo que viu disse que era esquisito e interessante ao mesmo tempo.

Apesar do farto orçamento (18 milhões de dólares) considero um filme trash. Digamos que seja um trash de luxo. Alguns falavam em gore, mas eu não estou bem certo se esse termo combina. De qualquer forma, é um filme que você acompanha e fica horrorizado com o que vai acontecendo, eu acho que essa é a diferença do terror para o horror. O horror tem essa coisa de causar asco por causa das cenas impactantes regadas a sangue e acontecimentos fantasiosos, degradantes. Então, este é um filme de horror com suspense e drama que, se não tivesse um bom orçamento e uma atriz de renome, facilmente estaria catalogado como um filme trash qualquer.

Os efeitos especiais são muito bons. A maquiagem, idem. E a Demi mostra uma interpretação primorosa que só melhora ao longo da história. 

Fiquei impressionado pela liberdade extrema para a nudez e o apelo sexual, ambos presentes do começo ao fim.

Demi Moore quase tem o protagonismo roubado por Margareth Qualley, a atriz que faz a versão jovem da sua personagem. Mas o que eu gostei foi ver que essa nova versão não se trata de um clone, onde se entende que a aparência é exatamente igual. O negócio é o oposto: são corpos diferentes, com aparências diferentes, mas a alma é uma só. É aí que o bicho pega! A alma é uma só! E é bom que você saiba que esta é a espinha dorsal da história.

O filme tem bem mais do que duas horas de duração e faz a gente refletir sobre a ditadura da beleza que afeta as mulheres. Sobretudo, é uma trama divertida para quem gosta desse gênero. As camadas mais profundas (em relação a algo político, social, existencial) estão todas ali, mas também tem como se divertir no raso. É o cinema fazendo jus à arte da expressividade, apresentndo as pautas bastante reflexivas aos mais sérios e a diversão aos bonachões.

Como vi na TV aberta, não sei em que streaming se encontra. A Globo exibiu sem poder cortar nada, pois foi uma exigência sei lá de quem. Para isso, atrasaram a novela das nove e fizeram-na terminar bem mais tarde também, mas valeu muito a pena. Foi um filme completamente diferente do que imaginei.

terça-feira, 27 de outubro de 2026

A VIDA PARA MIM ME PARECE ASSIM

Aquele disco que nem serve mais, eu o ouvi de novo para me lembrar de nós, das nossas prosas, dos nossos sorrisos, das cores que ilustravam um tempo perdido.

Aquele quadro tão velho, tão antigo, insistia em continuar comigo. Aquela bela pintura um dia me fascinou, mas hoje não me trazia nada. Como os calçados que me levaram com empolgação a todos os lugares e, com o tempo, eles se acabaram. Como as folhas secas daquela árvore, elas que tanto caíram, uma a uma, até que forraram o chão, tornando-se um montão de algo que não tinha o que ser feito, então foi descartado.

Eu me preencho do vazio do hoje que me permite reviver o que passou. Vejo meninas me olhando e rindo. Eu olho de volta e também rio. Não sei do que elas estão rindo. Pode ser de mim, pode ser comigo. Mas quer saber? Tanto faz. 

Você caminha à beira-mar, você deixa suas pegadas. Daí vem as águas e, com a maior facilidade, consegue apagá-las. A vida é assim, é essa sucessão de pegadas que são feitas e desmanchadas. É um caminhar por diferentes praças, é você sentar em um dos bancos e chochilar. E não acordar.

= ❤️☕️=

Ser escritor é ver uma crônica sua transformada em audiobook por um ator, o grande Carlos Eduardo Valente em seu canal. Adorei. Convido você a ver como ficou.

QUERO LER SEM CULPA

Estamos em Novembro. Mais um pouco, acaba-se o ano. Dos livros que li neste ano, posso dizer que nenhum marcou tanto quanto a obra de Friedr...