Estamos em Novembro. Mais um pouco, acaba-se o ano. Dos livros que li neste ano, posso dizer que nenhum marcou tanto quanto a obra de Friedrich Engels, Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico. Uma publicação de 1880, parte de algo maior publicado em 1878 e que dispenso. Talvez em um outro momento.
Venho observando que sou relutante a livros de não ficção. Quero me convencer de que foram as escolhas que fiz, mas acho que a questão sou eu, acostumado a ler muita ficção - textos e mais textos de situações imaginativas, escritas que variam muito em expressividade e consistência, vez que prefiro cada vez mais os autores independentes, aqueles que não ligam tanto por capricho, aqueles que talvez nunca serão vistos por uma editora aclamada.
Assim também sou a respeito de outra paixão: as histórias em quadrinhos. Cresci com os populares gibis, aquelas revistinhas fininhas em papel ruim. Elas que abarrotavam as bancas, pois eram muitos os títulos. Cascão e Chico Bento me visitavam com maior assiduidade quando pequeno. Mas O Mickey e o Pato Donald também vinham, assim como o Bolinha e a Lulu. Esses tempos eram tão simples, tão modestos e agora me trazem uma carga mágica que faço questão em manter. Estou ficando velho e me sinto culpado por ainda gostar de ler esses tipos de quadrinhos. Hoje em dia, com tantos trabalhos significativos nessa área, autores novos com suas mensagens em suas obras, tornando-as ímpares obras de arte, eu não deveria olhar sempre para as mesmas turmas. Eu tento, sabe? E acho muita coisa legal. Mas encaro como uma expansão, um foco, não uma substituição.
Sinto que não tenho mais tanto tempo. Portanto, decidi não me preocupar com essas coisas. Hoje em dia, tudo é feito para que o consumidor adquira todo santo número de vários títulos. É claro que o esperado sempre foi isso, mesmo em décadas e décadas passadas. É que hoje essa divulgação virou uma lavagem cerebral. Você TEM QUE fazer uma coleção de um núcleo. E esse núcleo tem 4, 5, 8 títulos, todo mês, isso quando não são quinzenais. Se não for assim, não serve. Se não for assim, é dinheiro jogado fora, é uma baita perda de tempo. Eu não quero me preocupar com nenhuma dessas questões.
Ok que eu seja ridículo, Ok que eu tenha mau-gosto, não seja culto ou talvez haja alguma questão intelectual que explique os apegos e as rejeições. Mas, a essa altura de minha vida, não vou ficar remoendo isso. Para quê? Acho que não me faz bem. Principalmente porque sou pobre, mal tenho onde cair morto. Acho um milagre eu ainda ter vontade de ler quando a vida me traz dias complicados, tentando me afastar, ao máximo, do hábito da leitura.
Ainda que eu não consiga variar nos gêneros, ainda que eu leia os mesmos tipos de coisas, não pretendo deixar de ler.







